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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Importantes
ensinos obtemos todos nós, se fazemos seriamente o nosso “mea culpa” diário.
Todos
sem exceção, somos alvos ou fazemos alvejados outrem, este ou aquele, nessa
sucessão de segundos, minutos, horas, e meses que se formam nos anos pelos
quais transitamos em nossas andanças, pelas romagens já trilhadas, ou nesta
mesmo, que atravessamos agora.
Por
mais que não queiramos, por menos que pensemos, lá estamos incluídos nas muitas
das ações a que, por vezes, inopinadamente damos azo. São elas que formam,
junto com os nossos mais escondidos pensamentos, as matérias que forçosamente
haveremos de cursar, na escola de nossa vida, pela reencarnação que sucederá a
esta, com certeza.
É
dentro deste ver, que a Doutrina Espírita nos é a professora denodada,
trazendo-nos a todos os ensinamentos mais corretos de modo a fazer mais lúcida a
razão.
Aos
que se fazem como eu, divulgadores, propagadores dessa Doutrina, chega a hora
de escolhermos os meios pelos quais evidenciaremos nosso trabalho, daí
seguem-se as oportunidades várias, que ou aproveitamos, ou as deixamos
escoarem-se pelos ralos do tempo, perdendo o que por vezes nos seria de
importância capital, na marcha dos acontecimentos que nos facilitariam o
progredir, proporcionando-nos uma transformação maior, de modo a nos tornar
exemplos. Os que conseguem, são como no exemplo São Luis o foi, assim como
tantos outros.
Se
as perdemos, atrasamo-nos, e de certa maneira, aditamos a nossa experiência
futura, mais dor, menos alegria, mais trabalho a ser feito. Mostrando-nos nesta
romagem, diferentes em muito, do que nos apregoemos aos outros, valendo o
antigo ditado: “Por fora, bela viola... Por dentro, pão bolorento.”.
A
mídia, quando eleita, qualquer uma delas, para instrumento de propagação e
difusão doutrinária é, para nós, estrada perfeita. Todas as nuanças, todos os matizes, todo o
mel ou o fel que tenhamos adquirido ou expungido de nós, por esta mesma se
evidenciarão, tornando-se por nossas próprias ações: pedras de toque, ou
perigosos escolhos.
É
assim que nos fazemos encontrar, quer por quem nos escute os ensinos, trazidos
das obras básicas em nossos estudos em conjunto, quer por quem se arrogue em
direito que não tem, em ser-nos o elemento de excitação das mazelas que ainda contenhamos,
o obsessor encarnado, se assim o quiserem chamar...
Permeando
nossos passos pela mídia, vendo-nos a proporcionar aos companheiros de marcha,
maiores probabilidades de transformação, não por nosso próprio transformar, mas
ainda assim, por nossas palavras de doutrina, não tendo alguns destes a
capacidade moral para empreenderem, por vontade própria, tal trabalho interior,
estagnam-se no primarismo de suas imperfeições. E pela inveja que passam a
nutrir, de quem lhes empane o brilho falso da vaidade, tentam imputar-lhes, por
estratagemas malévolos, condições que os fizessem em demérito para quem preguem
a doutrina. Enganam-se em sua própria ignorância doutrinária, é esperável sim a
transformação daquele que fala sobre a doutrina, porém, escusável se faz dizer
que tal transformação não lhes chega da noite para o dia, é difícil e mesmo
trabalho não para uma só encarnação, salvo exceção à regra. Desta maneira,
vêem-nos não como instrumentos que somos, mas como alvos a que acertam a
pontaria, testando com seu dardejar adoecido, fazendo-nos agradecer ao Pai, a
cada momento de vitória contra a língua, pela existência deles que também como
nós, da espiritualidade foram e continuam, presas fáceis. Assim, as calúnias,
as mentiras ou os estratagemas malévolos, acabam como no caso do Auto de
Barcelona, sendo, para nós, não a pedra de tropeço, mas a porta pela qual
podemos exemplificar o momento atual de nossa jornada.
Sabemos
que a tônica de nossa voz, por vezes não agrada a quem queira a mistificação dos
princípios doutrinários, a quem agrade não o conhecimento, mas justamente o
contrário, a ignorância, e tal como o Espírito Erasto, falamos duro, quando o
momento se nos pede esta ação, lembramos, outrossim, a ação do Mestre no
episódio dos vendilhões do templo, ou mesmo quando falava à turba referindo a
esta com essas palavras: “Hipócritas, até quando terei de vos agüentar?”.
Palavras melífluas, amenas, afáveis? Não, apenas as palavras que lhe eram
lícitas e lhe convinham serem faladas para os momentos anotados neste arrolado.
A
mídia é assim mesmo, pode nos trazer momentos de felicidade, ou nos colocar
frente a frente com a prova. Resta-nos a inteligência e a perseverança no Bem,
para nos fazermos a cavaleiro das vicissitudes. Assim conseguiremos desviar
nossa embarcação progressiva, da ponta dos escolhos que escondidamente, em
águas pretensamente calmas, podem nos avariar o barco, atrasando-nos o evoluir.
Sejamos nós todos então, atentos na rota e firmes no timão, e essas perigosas
pedras arrecifadas não nos farão arrojar o nosso barco a elas, e prosseguiremos
aprendendo, observando, experimentando a transformação interior que consigamos,
em nossa estrada, para cima e para o alto.
E
a mídia tem mesmo esse poder de em sendo bem utilizada projetar-nos à frente,
promovendo o Bem de uma coletividade, atingindo o nosso próprio progresso
enfim. Porém, se nos deixamos atingir pelos dardos da inveja maldizente, se nos
fazemos reféns de nossas mazelas, posto que ainda tenhamos sim, muitas delas, é
essa mesma mídia, que as vai fazer exaltadas e por vezes, pintadas com cores
mais fortes do que verdadeiramente tenham sido pintadas. Não podemos esquecer
nunca, que no papel de divulgadores, somos a vitrine e estamos sempre na
berlinda, esta observação nos livra de estarmos mais perto do erro, levando-nos
ao conhecido “Orai e vigiai”.
Em
frente então meus amigos, fortes, coesos e unidos, até fim da jornada, onde nos
encontraremos todos, um dia, privando da intimidade com os Puros Espíritos.
Até
lá, seja o nosso falar: Sim sim, não não.
Muita paz,
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