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Caindo da Cadeira 

 

 SALA FILOSOFIA ESPÍRITA

 

Raimundo de Moura Rêgo Filho

 

    Há coisas que a gente vê e finge que não existem, coisas que a gente faz e esconde pensamentos que a gente promete que vai esquecer. Contudo, uma variada parcela de ações, pensamentos ou palavras, chegam-nos aos escaninhos da mente, quer pela audição, quer pela visão. São exemplos do que não deve ser feito, falado, pensado.

    Ouve tempo em que me mostrava duro para esses cometimentos. Se os via ou lia, não ligava, não comentava. Primeiro porque naquele tempo, iniciante na doutrina, acreditava no “não julgueis”, assim como é ignorantemente repetido: Nós não podemos, não somos ninguém para julgar ação de ninguém. Mentira! Julgar é ação de Espírito, pois só o Espírito é quem obra quem age quem faz logo julgar é ato de Espírito.

       A máxima de  Jesus, repetida exaustivamente, porém erradamente, diz que para que se possa julgar que se conheça a cão como um todo, e mais, que se conheça a Lei que rege o fato. Não sendo assim o que se comete é o tal pré-julgamento.

       É tão simples não? Ora se é assim por que passam à vida inteira nos desfiar dessas mentiras embusteiras? Mais fácil ainda a resposta:

Uns não sabem, não estudaram, não tiveram sua razão esclarecida. Outros estes os lobos em pela de cordeiro, agem de papel passado. Querem e professam a mentira como artigo primeiro de sua luta para causar cizânia, empregam todo o seu tempo útil a engodar e mentir dizendo falar a doutrina, não dizem senão falácias ditadas por seu orgulho avarento.

       A mim me entristece muito esse tipo de coisa, no meu hoje em dia.

       Se antes isso não me causava senão frouxos de riso, hoje me faz falar e muito, não no intuito de defender a Doutrina Espírita, pois esta não tem prepostos advogados ou defensores, não erra, é clara e isenta.

      Mas me faz falar a doutrina para mostrar o erro a que uns se acometem pelo simples não estudar, pela condição facilitada de darem crédito a qualquer um que lhes fale mais ou menos bonitinho. Estes os inocentes úteis. Os outros que dizem do engodo com ares professorais, estes os detratores, os soldados do mal, Erasto, o Espírito assim destes dizia:

“A estes eu os conduziria,  sem nenhum remorso,  ao pelourinho.” Mas Erasto é Erasto, eu sou apenas mais um maluco fascinado, ou como querem outros, mais um Espírito galhofeiro...

       A falta de formação doutrinária as vezes trabalha contra o Espírita, mormente quando encontra aliados como a Vaidade e o Orgulho, então se torna forte, viçosa, tal como as plantas que comem as pequenas moscas e mosquitos, bonitas, mas perigosas... São por assim dizer, o mel que chama o urso, e este urso tem fome.
Outro dia, estávamos em local escutando um estudo, quando quem nos fazia a preleção, lembrou-se de dar um exemplo. Fora de questão dizer-se que tudo teria andado melhor se tal exemplo não tivesse sido veiculado, senão vejamos:

Disse a pessoa: “ (...) Lembram-se da minha voz antes? Isso mesmo, irritadiça... Essa é a minha voz hoje, aveludada, tranqüila. É ela o produto da minha elevação enquanto espírito, eu leio o Evangelho a toda hora, façam o que eu faço(...).”

       Ao estudante primário da doutrina tal fala seria objeto de artigo, de estudo, de demonstração não de elevação espiritual alguma, mas de falácia urdida por vaidade incontrolada e orgulho embusteiro. Não há quem se modifique tanto  numa encarnação só que se possa notar pela voz. A natureza não dá saltos...

       No momento dessa afirmação, recebemos um sem número de bilhetes perguntando sobre a fala, respondemos com a mesma sinceridade de sempre, apenas bobagens, meu amigo, favor não levar a sério, em seguida mostrávamos o porquê de nossa assertiva.

       O caso narrado escolho para o orador, mostra bem que não somos nós os puros e sim os doentes, sim doentes da moral, endeusamo-nos por pouco, por dois tostões de mel coado... De outro lado, em outra ocasião, quase fomos retirados de uma sala, porque nos insurgimos contra a afirmação  de que só o Espírito tem necessidades. Há necessidades e necessidades, diria o Profeta... O Espírito as tem sim e enormes, no setor da moral, do conhecimento, porém o corpo, que era o objeto da pergunta e do exemplo, também as tem e algumas de monta especial.

Retire-se do corpo a alimentação e o que acontece? O Espírito lhe alimentaria? Não, o corpo fenece, morre... De outra feita, retire-se do corpo o sangue e novamente o corpo morre, por outra, alimente-se o corpo em demasia, com excessos de todas as espécies, e sobrevém a doença e sem tratamento o corpo morre. Provado está que o corpo tem suas necessidades, essas, mesmo as maiores e mais importantes, puramente físicas, afinal o corpo é o apêndice material do Espírito, como o carro é para o piloto.

        Mas Raimundo, o que faz com que pessoas que sabemos ter caminho percorrido na doutrina, cometerem essas escapadelas? Primeiro amigos, não são escapadelas, são erros crassos, depois, atrele-se-lhes o orgulho e a vaidade, e porque não pitada de obsessão e teremos o prato,  feito pela competente Ana Maria Braga espiritual, a OBESSÂO.

Quem se submete aos caprichos desarranjados da ignorância, buscando mais adeptos, ou querendo ser sempre o melhor, não se pode furtar a momentos obsessivos. É sempre assim que acontece, do menos avisado ao maior conhecedor e tudo porque descuramos de uma só coisa, de um si lembrete:

“Orai e vigiai”, essa a verdade.

        Responsabilidade, conhecimento doutrinário, esclarecimento da razão, motivos da Instrução Espírita, estes os matizes que lustram nosso trabalho no Bem, fora deles sempre bateremos com a cabeça na soleira do sofrer, por esta razão houve Erasto de repetir: “ Espíritas amai-vos uns aos outros. Este o primeiro mandamento. INSTRUÍ-VOS, este o segundo.”.

        Só o estudo e o lembrar da máxima orai e vigiai nos fará estarmos mais despertos para reconhecermos o momento em que o orgulho comece a falar mais alto, este o sinal de alerta, este o alarme que nunca falha.

        Se hoje, faço com que vocês percam o seu tempo lendo minhas palavras é sob o condão do aviso, de premuni-los contra este funesto epílogo: o Momento obsessivo. Falo de coração a coração. Para que nenhum de nós hoje ou no futuro, possa ser objeto da obsessão, ou estar, como eu, a cair da cadeira, pelo susto em escutar tanta coisa desentrosada da verdade,  que andam os vendilhões da doutrina a espalharem como sendo a doutrina que não é deles e sim dos Espíritos.

Muita paz,

 

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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