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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Já vai longe o
tempo em que o homem grunhia qual outros animais.
Mais ainda o tempo em que o homem pensava de
forma material tão somente, porém, há entre nós, uma significativa parcela de companheiros de estrada encarnatória que não
almejam mais que o ar que respiram, ou mesmo não se preocupam muito com o que
esteja por detrás da notícia lida, do estudo feito. Dessa maneira, empregam o
seu tempo ou a maior parte deste, no ócio do saber, descurando do aprendizado
que lhes seria útil, minorando-lhes os tempos difíceis, e ajudando-os a
expungirem de si mesmos, as mazelas que ainda carreiam nesta existência.
A razão destas constatações iniciais, é
chamar-lhes a atenção para essa inconseqüente maneira de afivelar pensamentos
que partindo de premissa errada, têm sua conclusão em desalinho para com a
verdade.
Vejamos:
Certa vez, um homem conhecido, prestando seus
serviços À importante cadeia noticiosa, traça um olhar crítico sobre certa
ocorrência que os dias fazem gritar nas manchetes dos matutinos. Este conjunto
de pensamentos, lido em uma certa residência, faz enfurecer ao leitor.
Apresso-me a dizer que o leitor nada tinha a ver com o ocorrido.
Em outra residência, porém, a mesma notícia e
crítica, acende um debate sobre pontos morais, da ocorrência, retirando, os
participantes daquele debate, um conjunto de ensinamentos que os fará, com
certeza, agirem de maneira melhorada no por vir próximo.
Se os amigos repararam no título deste
pequeno artigo, notaram que diz respeito a duas coisas, dois momentos,
situações estas, porém, advindas não das palavras lidas, mas do estado de ânimo
com que as lemos. Assim o homem se torna lobo do homem, dessarte, diminuem,
muitos, a distância que os separa da animalidade que ainda existe em
qualquer de nós. Dificultando-nos a marcha para o progresso vindouro,
atrasando-nos o caminhar vacilante de agora.
A pressa no julgar induz em julgamento eivado
de sérios vícios, quer de entendimento, quer de tipo quer de pessoa. Somente
uma leitura sem compromissos para com qualquer tendência, deixará o campo
aberto para um raciocínio lógico, encimado por moral forte e robusta, que
reavaliando estruturas das palavras, norteando o pensamento em rumo do
aprendizado seguro, haverá de coibir a ação de nossa vontade primeira interior,
que mais das vezes é o grito da cólera ou o apupo do desdém, fazendo de nós,
leitores de antes, juízes equivocados de agora, réus
confessos no nosso próprio amanhã.
A palavra tem sim sua força, emite vibração.
Porém a cor desta vibração pode ser ou abrandada, ou fortificada, pelo jeito
com que ou ouvinte ou o leitor a leu ou a ouviu. Nunca a ação é tão solidária
quanto na leitura ou na audição, mormente quando não vemos a quem escutamos ou
lemos.
Mas todo este falar, todo este pensar, só nos
quer dizer para que tenhamos muita, mas muita atenção mesmo para conosco mesmo,
ainda mais quando estivermos a ler, é notório que traçamos em nosso
subconsciente, perfis com os quais nos afinamos ou nos desalinhamos no campo
das idéias, e então, facilmente, por este fator, somos vítimas de nossos
próprios pensares, se leio algo do Zé, e dele desgosto, já leio com reticências,
a colocar óbices, porém se as mesmas palavras nos chegassem de Maria, com quem
nos alinhamos nos pensamentos, ah, seriam
palavras doces e amenas, que nos serviriam de grande ensino.
Assim somos todos nós, uns mais outros menos, poucos há que fogem a
este olhar mais apurado, mas ninguém está fadado a assim continuar pelo
resto dos tempos.
Este um dos matizes mais fortes da Doutrina
Espírita, o de trazer o esclarecimento à razão e uma razão esclarecida, faz o
Espírito em provação, um ser resignado, porém um lutador mais persistente e
consecutivamente um vencedor no combate contra as imperfeições.
Muita paz
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