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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Alguns Espíritas adquirem uma
característica única: o gostar de invencionices.
Qualquer que seja o assunto ou o tema, é certo, da
parte daqueles o que nos chega são as invencionices.
Que fique bem claro, para começo, que aqui não estou
a me referir ao estudioso sério,
persistente, que valoriza os compêndios doutrinários.
Não, refiro-me isso sim, aos que são dados a dizer doutrina o que não passa de
opinião pessoal, deste ou daquele Espírito, por vezes até, tão encarnado quanto
eles.
E como parte
do movimento espírita brasileiro não detém o saudável hábito do estudo das
obras básicas, a coisa vira então,terreno fértil que é, grande cultivo de
expressões, idéias, conceitos ou falas, que estão em desarmonia ou mesmo em
contrariedade para com o edifício doutrinário.
Hoje, vou me ater a duas delas:
Os títulos de respeitabilidade; As coisas
doutrinárias.
O porquê de haver escolhido essas duas está bem
claro, são assuntos básicos, porém de imensa importância quando se quer
conhecer, pelo estudo sério e grave, a Doutrina Espírita.
Não se pode entender de algo ou de alguma coisa se
destes nos afastamos.
Este o cerne da escolha, este o ponto que tentarei
abordar.
Já de tempos, venho de estar entre amigos de várias
partes do nosso pais e do globo, pelas ondas da Internet, estudando a Doutrina,
conversando sobre temas afeitos ao movimento espírita e é de grande alegria ver
nossa contribuição começar a surtir efeito dentre alguns desses amigos, que a
duras penas já começam a conseguir mudanças até nas Casas Espíritas que
freqüentam.
São vitórias conseguidas nas quais, sem falsa
modéstia, participamos. Disso muito nos ufanamos, já que vimos que pela
divulgação da Doutrina feita sob o caráter da seriedade, embasada nas obras
básicas, surtir o efeito de um renascimento naquelas pessoas que cansadas e sem
forças, já estavam a ver tomarem vulto enxertias feitas aos estudos na Casa
Espírita.
Verificou-se mais, um efeito maior do que supúnhamos,
ao começarmos a caminhada da divulgação pela Internet, há nove anos atrás.
Ganharam os que os apreciaram, ganharam também os participantes das casas
espíritas que por seus próprios esforços e coragem conseguiram reconduzir ao
terreno firme os estudos das casas espíritas a que participam, ganhamos todos,
na amizade, fraternidade e conhecimento adquiridos em conjunto.
Após este comentário inicial, entremos sem mais
demora no assunto que nos é o tema desta nossa conversa.
José Herculano Pires, afirma que a falta de formação
doutrinária é que enseja a maioria das atitudes que tomamos nós, espíritas. Que
pela falta de formação doutrinária, fazemos o papel de “macacos em loja de
louças”. Isso é grave, isso é triste.
Para uns, mais fácil é aceitar o que esteja em
consonância com as suas consciências, mesmo que em franca contrariedade para
com os postulados da Doutrina. Desta maneira, afastam-se do conhecimento e do
esclarecimento que são os primeiros consolos hauridos da doutrina, distraem-se
a ler qualquer coisa, qualquer obra, se gostam do que lêem, inserem-no no corpo
doutrinário de suas pretensas doutrinas, criando um novo sistema, mas nunca
complementando a Doutrina Espírita. E defendem suas idéias com unhas e dentes,
sem se importarem quando muito em relacionarem seus tendenciosismos, com as
obras básicas para verificarem a validade dos conceitos. Assim, distanciam-se
do esclarecimento, empobrecem-se do saber doutrinário, em suma, afrontam a
Doutrina que dizem seguir.
Um desses descaminhos está exatamente pela falta de
formação doutrinária, em empregar uma titulação terrena aos espíritos de quem
falam ou com quem tratam. Esquecem-se de que aqueles, já voltaram à pátria
espiritual, e que lá toda a roupagem humana, lhes é pesada e sem sentido. Sobre
esse assunto, vejamos o que o codificador, recebendo dos Espíritos superiores,
trás para nós em ensinamento:
LINGUAGEM QUE SE DEVE USAR COM OS
ESPIRITOS
O grau de superioridade ou inferioridade dos
Espíritos indica, naturalmente, o tom que se deve usar para com eles. É
evidente que quanto mais elevados eles são, mais direto têm ao nosso respeito,
às nossas atenções e à nossa submissão. Não devemos, pois, testemunhar-lhes
menos deferência do que teríamos feito durante sua vida, mas por outros
motivos: na Terra teríamos considerado sua posição e sua classe social; no
mundo dos Espíritos nosso respeito não se dirige senão à superioridade moral.
Sua própria elevação os coloca acima das puerilidades
de nossas formas aduladoras. Não é com palavras que se lhes pode captar a
benevolência, mas com a sinceridade dos sentimentos. Seria, pois, ridículo
dar-lhes os títulos que nossos usos consagram à distinção das classes e que, em
vida, poderiam lisonjear-lhes a vaidade. Se, realmente, são superiores, não
somente não darão importância a isso, como também se desgostarão. Um bom
pensamento lhes é mais agradável do que os epítetos mais lisonjeiros. Se o
contrário ocorresse não estariam acima da Humanidade.
O Espírito de um venerável eclesiástico, que foi, na
Terra, um príncipe da Igreja, homem de bem, que praticava a lei de Jesus,
respondeu um dia a alguém que o invocou dando-lhe o título de Monsenhor: “Tu
deverias dizer, quando menos, ex-Monsenhor, pois que Senhor só o é Deus. Fica
sabendo que eu vejo pessoas que, na Terra, se ajoelhavam a meus pés e diante
das quais, agora, eu me inclino". Quanto à questão de saber se se deve ou
não tratar por tu os Espíritos, é ela muito pouco importante. O respeito está
no pensamento e não nas palavras. Tudo depende da intenção que se tenha. Os
usos não são os mesmos em todas as línguas. Pode-se, pois, tratar por tu os
Espíritos segundo a sua posição ou o grau de familiaridade que existe entre
eles e nós, como faríamos com nossos semelhantes.
Se os Espíritos não se deixam levar por palavras,
gostam, em compensação, que se lhes agradeça a condescendência de se
apresentarem ou de nos atenderem. Devemos, pois, agradecer-lhes, como devemos
agradecer aos que se nos afeiçoem e nos protegem. E este o meio de induzi-los a
continuar. Seria um erro grave acreditar que a forma imperativa pode ter, sobre
eles, alguma influência: é, pelo contrário, um meio infalível de afastar os
bons Espíritos. Rogamos-lhes, mas não lhes damos ordens, pois que eles não
estão às nossas ordens, e tudo o que denuncia orgulho os repele. Os próprios Espíritos
familiares abandonam aqueles que os desprezam e se mostram ingratos para com
eles.
Por não estarem na primeira classe, os Espíritos por
isto não merecem menos nossas atenções, sobretudo se nos revelam uma
superioridade relativa. Quanto aos Espíritos inferiores, seu caráter nos indica
a linguagem que convém usar com eles. Nesse número há os que, embora
inofensivos e mesmo benevolentes, são levianos, ignorantes, estouvados;
tratá-los em igualdade com os Espíritos sérios, como fazem certas pessoas, seria
o mesmo que ajoelhar-se diante de um menino de escola ou diante de um asno
embuçado com um gorro de doutor. O tom de familiaridade não seria impróprio com
eles, e eles não se aborrecem com isto; ao contrário prestam-se a este
tratamento de boa mente.
Entre os Espíritos inferiores há Espíritos infelizes.
Quaisquer que possam ser as faltas que expiam, seus sofrimentos são títulos
maiores à nossa comiseração. Ninguém pode lisonjear-se de escapar a estas
palavras do Cristo: "Aquele que não tiver pecado atire a primeira
pedra". A benevolência que lhes testemunhamos é um consolo para eles; na
falta de simpatia, devem merecer a indulgência que quereríamos que tivessem
conosco.
Os Espíritos que revelam sua inferioridade pelo
cinismo de sua linguagem, por suas mentiras, pela baixeza de seus sentimentos,
pela perfídia de seus conselhos, são, certamente, menos dignos de nosso
interesse do que aqueles cujas palavras atestam o arrependimento. Devemos-lhes
ao menos a piedade que concedemos aos maiores criminosos, e o meio de
reduzi-los ao silêncio é nos mostrarmos superiores. Eles não se familiarizam
senão com pessoas das quais julgam nada terem a temer. O caso aqui é falar-lhes
com autoridade para afastá-los, o que se consegue sempre através de uma vontade
firme, intimando-os em nome de Deus e com o auxílio dos bons Espíritos. Eles se
inclinam diante da superioridade moral como o culpado diante do juiz(...)” AK
In: Instruções Práticas Sobre As Manifestações Espíritas. 6ª Ed.- Casa
Editora O Clarim - cap. VIII; pg 158 a 162 L.M. Cap. XXV item 228.
Será possível, que após estas palavras de Allan
Kardec, possa alguém refutar com base doutrinária o aqui exposto?
Sim, é possível, vejam este relato. Aconteceu outro
dia... E comigo.
Estava eu num debate onde o tema seria “os momentos
obsessivos” e pela palavra de um dos amigos que lá estavam, lembrei-me de tocar
no capítulo sobre as possessões. O tema, de desconhecimento para os que não têm
hábito de ler a Revista Espírita, suscitou opiniões diversas, e não querendo
perder muito tempo em contenda de egos, apenas coloquei na tela as palavras de
kardec e toda a bibliografia sobre o assunto nas obras básicas. Pois bem, sebem
o que me disse um dos organizadores do debate?
“- Raimundo, me desculpe, porém Kardec foi apenas um
homem, nada mais, e bem poderia estar errado.” Assim, “na lata”... Comentário
feito este, vindo de um neófito já não é muito aceitável, posto que mesmo os
neófitos deverão se instruir sobre quem foi Allan Kardec, sua vida, sua obra
para além dos anais espíritas, mas isso dá trabalho e alguns não dispensam essa
atenção a quem foi apenas um homem. Com isso se vão por terra todas as palavras
dos Espíritos superiores a quem estes dizem seguir, porque foram eles que
elegeram o “apenas um homem” Allan Kardec, para esse trabalhinho, esse “bico”,
de concatenar, ordenar, afinal, codificar esse manancial de ensinamentos
conhecido como Espiritismo.
Amigos, em França, ao tempo de Denizard Hypolitè Leon
Rivail, havia de haver vários outros homens de abastada ciência, conhecimentos
e reconhecimento público, afinal a França não foi nem é só Kardec, porém este,
Denizard Hypolitè, o nosso amigo Kardec, foi sim, eleito pela espiritualidade
superior, e por que? Exatamente! Por sua moral ilibada, persistência e coragem
ao enfrentar os desafios, e trazer ao mundo inteiro a Doutrina dos Espíritos,
naquele tempo, este de dominação católica, não seria, como não foi, uma coisa
fácil de ser engendrada, a força do clero, era enorme. Assim, podemos ter em
mente que, Kardec não fora, pelo menos para a plêiade de Espíritos introdutores
dos ensinamentos que formaram e trouxeram a Doutrina dos Espíritos ou mais
conhecidamente Espiritismo, “apenas mais um homem”. Afirmações feito essas, e
trazidas de quem detém uma posição de relevo perante os outros, dão-nos a conta
de quanto ainda estamos em déficit para com o aprendizado Espírita, ou então há
mais maldade e mais lobos em peles de cordeiro hoje em dia, do que poderia
supor o Espírito Erasto.
O tema era sobre a Possessão. Assunto pouco abriodado
pelos conferencistas e palestrantes Espíritas. Parece que não conhecem as obras
básicas como nos dizeres do capítulo III item trinta e cinco da obra O Livro
Dos Médiuns, ali está definida a seqüência que deva ser obedecida para um
estudo mais eficaz da doutrina.
Mas como disse, o tema era Possessão, e está, nas
Revue e nas obras básicas, a comprovação do codificador dos asas de possessões
e cura destas. Abaixo, faço questão de identificar os números e anos, assim
como os meses em que na Revue e nas obras básicas foram postados assuntos sob
este ponto.
Abril
/ 1857 – O Livro dos Espíritos questões: 473; 474.
Janeiro
/ 1861 – Livro dos Médiuns
Capítulo
XXIII,- Da Obsessão, Kardec volta novamente ao Assunto
nas questões 240; 241.
A
Gênese, Introdução, 1868, Também no capítulo XIV, Os Fluidos, itens 46, 47, 48,
(1)
Casos de cura de obsessões e de possessões: Revue Spirite, dezembro de 1863,
pág., 373; janeiro de 1864, pág. 11; - junho de 1864, pág.168; - janeiro de
1865, pág. 5; - junho de 1865, pág. 172; - fevereiro de 1868, pág. 38; - junho
de 1867, pág. 174.
(2)
Foi exatamente desse gênero a epidemia que, faz alguns anos, atacou a aldeia de
Morzine na Sabóia. Veja-se o relato completo dessa epidemia na
Revue Spirite de dezembro de 1862, pág. 353; janeiro, fevereiro, abril
e maio de 1863, págs. 1, 33, 101 e 133.
5)
Fev/1869 – Revista Espírita.
Quem, senão ele mesmo, Allan Kardec, viria a público
demonstrar que é pelo estudo, pela pesquisa e pela averiguação, chegar-se-ia a
conclusão a que ele chegou...
É mesmo, fazer triste figura, dentre os estudiosos da
doutrina alguém afirmar sem comprovação na base doutrinária, ser contrário pior
ainda, afirmar que “Kardec foi apenas mais um homem”. Não foi, foi o Escolhido,
isso só já demonstra a diferença entre eles e os outros, diria eu, e até de nós
mesmos...
Este pequeno artigo, este estudo, como queiram, não
tem fulcro no falar mal desse ou daquele, mas sim, e veementemente quer demonstrar o tanto que a
desatenção para com o estudo metódico, perseverante, sério e grave da Doutrina
dos Espíritos, pode e diferencia os companheiros da grande nação Espírita. Ao
contrário, aquele que se isola do ambiente de estudo, ou faz de suas pequena visão,
o ponto de luz, acaba se acumpliciando com o desensino, e ficando sob a égide
da lei de Causa e Efeito, não podendo depois, reclamar da dor e do atraso que
experimentará.
E foi exatamente para afastar-nos desse mal que o
Espírito Verdade houve de deixar os tão decantados mandamentos:
Espíritas, instruí-vos, este o primeiro mandamento;
Amai-vos, este o segundo.
Muita Paz,
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