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Curiosidade ou Questão Controversa
Da tri locação e da poli locação do espírito 

 

 SALA FILOSOFIA ESPÍRITA

 

Raimundo de Moura Rêgo Filho

 

             O ser humano, imperfeito e falível, quando desperta para o aprendizado o faz tal como  a criança, ávido, açodadamente.

            Quando então, a busca é pelo conhecimento doutrinário, os devaneios, iluminados por imaginação sempre fértil, são inevitáveis.

            A imaginação não conhece fronteiras, destarte, quando se alia a curiosidade faz com que o estudante se debruce sobre de doutrinas variadas. Se já tivesse ele, conhecimento básico sobre a doutrina que seguisse, por certo acabaria por estudá-la com a primazia que ela requer. Assim alastrando e desenvolvendo o seu raciocínio sobre a base doutrinária, todo e qualquer outro tema estudado, por mais que lhe fosse alienígena ao campo doutrinário, chegar-lhe-ia, com mais possibilidade de entendimento. Como  não é o que mais das vezes acontece, falta-lhe então o discernimento,  sobrando-lhe as conclusões eivadas em erro.

            Mas há algum mal em estudar-se de tudo?

            O apóstolo Paulo  bem o disse: “Lê de tudo, retém o Bom”. Ora como se descobrir entre tantas doutrinas e tantos ensinamentos, o BOM, se da doutrina, quem professa não saiba ainda o til? Este o empecilho maior, que sob minha visão, faz com que o mais das vezes, tal estudante teça uma colcha de retalhos, elencando de variadas doutrinas, pontos a que ele se adita, querendo fazê-los, então, peças doutrinárias.

            Depois de Kardec, em matéria de Doutrina Espírita, ninguém fez ou faz Doutrina.

            Não há o controle validador proposto e criado pelo codificador, a emprestar verdade às comunicações recebidas, e mais, não pode ninguém, de produto próprio, sem esse controle, impor como  doutrinário qualquer comentário, mormente quando se trate de matéria não expressa nos livros de doutrina.

Este intróito se deve a um tema que vem surgindo e para o qual alguns novos pesquisadores, vêm se voltando.

Tratamos de matéria constante no capítulo primeiro, itens III; IV: e VI da obra O Livro dos Espíritos, matéria esta que leva o título “forma e Ubiqüidade dos Espíritos”.

            Mais notadamente no que tange à possibilidade da bi-locação. Esta, tão falada e tão mal conhecida, vem por sugerir a alguns, não só a possibilidade já provada deste fenômeno, mas a de que o Espírito possa estar em mais de dois lugares ao mesmo  tempo, sugerindo então, não só a bi-locação, mas também a tri e poli locação. Surgem então, as dúvidas: Existe tal possibilidade? Alguns afirmam que não, outros que sim. Vãos nos prender a essa segunda hipótese já que, é este o escopo das pesquisas destes confrades.

            Sob minha visão, a hipótese da tri ou da Poli locação é possível, mas pergunto provável? Exeqüível? Ainda me atrevo a dizer que sim, visto que se nem o codificador, nem os Espíritos, disseram que não, a questão permanece em aberto.

            Analisando o Livro Segundo, capítulo I, do Livro dos Espíritos, em os itens III, IV e VI, vamos desenvolver nosso estudo.

            Tal obra, em seu livro segundo traz o sugestivo Título “Mundo Espírita Ou Mundo dos Espíritos”, o seu capítulo primeiro tem como tema – “dos Espíritos”, o item III nos traz ensinos sobre a forma e ubiqüidade dos espíritos.

            Comecemos então pela pergunta noventa e um:

“A matéria oferece obstáculo aos Espíritos”?

– “Não; eles penetram tudo; o ar, a terra, as águas, o próprio fogo lhes são igualmente acessíveis.”.

E este é o nosso comentário:

Se como indica a resposta, a matéria não oferece obstáculos ao Espírito, podendo este a tudo penetrar, sem exceção nem ao fogo, nosso pensamento é o de que, se assim o é, e que se pode o Espírito se fazer notar pessoalmente, e mesmo de forma tangível, por que não poderia ele guardada a sua ordem na hierarquia de evolução, também se apresentar em mais de dois lugares ao mesmo tempo?

A esta pergunta uns afirmam ser fisicamente impossível, trazendo a física do homem como prova incontestável. Outros, porém, notando que nossa Ciência ainda é primária, que ainda não explica muita coisa que nos rodeia no dia a dia, com a consciência de que como  espíritos e vivendo num Mundo de provas e Expiações, ainda também estamos ao sabor de nossas mazelas, e que estas dificultam nosso prosseguir no aprendizado e na evolução, sentem-se mais confortáveis em assentir para com a possibilidade, mas indicam que talvez ainda não nos tenham chegados os tempos para tal conhecimento.

Outros mais, dizem que o fato do codificador não haver se referido a este tipo de fenômeno, Havendo tecido seus pensamentos sobre a Bi-corporeidade, ele, Kardec, já fechara a porta a pensamentos ou pesquisas além deste fato. A mim me parece que a mente científica e investigativa do codificador não houvera assim procedido, e de todas as alternativas que já pensei elenco duas:

1- Já tendo explorado sobre bi-corporeidade, não fechando o assunto, Kardec, deixara que este trabalho fosse feito ao tempo em que a ciência tanto do homem quanto  a espírita, pudessem, entender do fenômeno por inteiro. Este envolve questões ainda sob o manto das brumas, enevoado ao nosso conhecimento do hoje em dia, mesmo o perispírito que tem ação preponderante nesse fenômeno não nos é de conhecimento total, assim, é a prudência e o bom senso que nos dizem: “Espera, estuda, modifica-te,  para que alargando as tuas potencialidades possas desvendar este mundo novo de pesquisas”.

Espiritismo é ciência positiva e progressista, por isso não fecha questões nem aferrolha portas, contudo indica que seja necessário fator de elevação espiritual para que o homem possa adentrar a domínios tão importantes do saber.

Na pergunta noventa e dois entramos no tema propriamente dito:

“Os Espíritos têm o dom da abiqüidade, ou, em outras palavras, o mesmo Espírito          pode dividir-se ou estar ao mesmo tempo em vários pontos?

– Não pode haver divisão de um Espírito; mas cada um deles é um centro que irradia para diferentes lados, e é por isso que parecem estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol, que não é mais do que um, e não obstante irradia por toda parte e envia os seus raios até muito longe. Apesar disso, ele não se divide.”.

Este é o comentário que fazemos:

Se o Espírito não se divide, mas como  na resposta, é dito “... irradia para diferentes lados, por isso parece estar em muitos lugares...”, nota-se ai, demonstrado que o fenômeno se nos é mostrado sob as luzes da emissão energética(pensamento). Conforme a hierarquia do Espírito, estaria ele então, apto a produzir o fenômeno em maior número de lugares guardado as explicações da resposta dos Espírito colocada acima,e da gravidade do aspecto que exija tal fenômeno.

Mesmo se nos aventurarmos a pensar que tal fato, se acontecer, traga maior brevidade ao Esclarecimento, que é o cerne da doutrina, quais seriam os parâmetros que indicariam a necessidade desta fenomenologia?

2- Desse pensamento concluímos de começo, que possa ser possível, mas que é da gravidade da causa e do Esclarecimento a ser verificado, assim como da classe do Espírito a desenvolver o fenômeno que se está conjeturando, isso sem falarmos do sentimento que há de ser de estreita harmonia, gravidade e seriedade, para que com menor dificuldade se processe o fenômeno.

Dito isso, passemos ao item IV, que nos chega sob o título – Perispírito – pergunta noventa e quatro.

“De onde tira o Espírito o seu envoltório semimaterial”?

– Do fluido universal de cada globo. “É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.”

Seguem-se, às colocaç1oes feitas pelos Espíritos, o nosso comentário:

Tirando o Espírito, para constituir o Perispírito, do Fluido Universal, os elementos e sabendo-se que tais elementos, necessariamente haveriam de estar em harmonia e igualdade para com os elementos constitutivos do Mundo que ele houvesse de habitar, e pinçando destes o Espírito, somente os elementos a que estivesse seu grau evolutivo em consonância para deles se utilizar, por seu merecimento, já se nota, que só os Espíritos de ordem Superior é que estariam aptos a produzirem tal fenômeno.

Este mesmo pensar, nos leva à conjectura que os Espíritos ao evoluírem durante uma existência, poderiam, mesmo enquanto ainda encarnados, em momento de desprendimento do corpo somático, estar em condição de aditarem a seus perispíritos, novos matizes a que tivessem feito jus, qualificando-os para possibilidade da realização do fenômeno, o que estaria em conformidade para com a Lei do Progresso e mesmo para com a Justiça e Bondade de Deus.

Pergunta noventa e cinco:

“O envoltório semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível”?

– “Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito; e é assim que ele aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável.”.

A estas palavras comentamos:

Se é o Livre Arbítrio do Espírito que lhe faculta a moldagem de seu envoltório perispiritual, e mesmo a capacidade que ele possa aparecer em sono ou em estado de vigília para aquele a quem deseje se apresentar, tal fato, encadeado aos outros supracitados, dá-nos a nítida impressão da possibilidade da tri ou da poli locação, guardadas também, todas as explicações sobre a gravidade da natureza do fato que inspirasse tal aparição(em moldes de emissão pelo pensamento, energética), bem como o interesse, seriedade e necessidade da celeridade do Esclarecimento que viesse trazer.

Como fechamento desse estudo, gostaria de trazer-lhes o Item VI da mesma Obra Básica, nas perguntas cento e sete, cento e oito, cento e nove, cento e dez e cento e onze, que elenca a Segunda Ordem de Espíritos -“ESPÍRITOS BONS”, deste item que tem o título de “Escala Espírita”.

O estudo sério deste item, notadamente nas perguntas aqui lembradas, nos dará, com certeza, mais aptidão para julgarmos com mais equanimidade sobre a possibilidade que forma o subtítulo deste estudo.

107. CARACTERES GERAIS. Predomínio do Espírito sobre a matéria; desejo do bem. Suas qualidades e seu poder de fazer o bem estão na razão do grau que atingiram: uns possuem a ciência, outros a sabedoria e a bondade; os mais adiantados juntam ao seu saber as qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, segundo sua ordem, os traços da existência corpórea, seja na linguagem, seja nos hábitos, nos quais se encontram até mesmo algumas de suas manias. Se não fosse assim seriam Espíritos perfeitos. Compreendem Deus e o infinito e gozam já da felicidade dos bons. Sentem-se felizes quando fazem o bem e quando impedem o mal. O amor que os une é para eles uma fonte de inefável felicidade, não alterada pela inveja nem pelos remorsos, ou por qualquer das paixões que atormentam os Espíritos imperfeitos; mas terão ainda passar por provas, até atingirem a perfeição absoluta.

Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens do caminho do mal, protegem durante a vida aqueles que se tornam dignos e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre os que não comprazem nela.

Quando encarnados, são bons e benevolentes para com os semelhantes; não se deixam levar pelo orgulho, nem pelo egoísmo, nem pela, não provam ódio, nem rancor, nem inveja ou ciúme, fazendo pelo bem.

A esta ordem pertencem os Espíritos designados nas crenças vulgares pelos nomes de bons gênios, gênios protetores, Espíritos do bem. Nos tempos de superstição e de ignorância, foram considerados divindades benfazejas.

Podemos dividi-los em quatro grupos principais:

108. QUINTA CLASSE. ESPÍRITOS BENRVOLOS. – Sua qualidade dominante é a bondade; gostam de prestar serviços aos homens e de os proteger; mas o seu saber é limitado: seu progresso realizou-se mais no sentido moral que no intelectual.

109. QUARTA CLASSE. ESPÍRITOS SÁBIOS. – O que especialmente os distingue é a amplitude dos conhecimentos. Preocupam-se menos com as questões morais do que com as científicas, para as quais têm mais aptidão; mas só encaram a Ciência pela sua utilidade, livre das paixões que são próprias dos Espíritos imperfeitos.

110. TERCEIRA CLASSE. ESPÍRITOS PRUDENTES. – Caracterizam-se pelas qualidades morais de ordem mais elevada. Sem possuir conhecimentos ilimitados, são dotados de uma capacidade intelectual que lhes permite julgar com precisão os homens e as coisas.

111. SEGUNDA CLASSE. ESPÍRITOS SUPERIORES. – Reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. Sua linguagem, que só transpira benevolência, é sempre digna, elevada e freqüentemente sublime. Sua superioridade os torna, mais que os outros, aptos a nos proporcionar as mais justas noções sobre as coisas do mundo incorpóreo, dentro dos limites do que nos é dado conhecer. Comunicam-se voluntariamente com os que procuram de boa fé a verdade, e cujas almas bastante libertas dos liames terrenos para a compreender; mas afastam-se dos que são movidos apenas pela curiosidade, ou que, pela influência da matéria, desviam-se da prática do bem.

Quando, por exceção, se encarnam na Terra, é para cumprir uma missão de progresso, e então nos oferecem o tipo de perfeição a que a humanidade pode aspirar neste mundo.

Nossa tônica, vale o comentário, não foi nem é a de trazermos as respostas,ou fazermos afirmações, mas sim a de proporcionarmos uma fundamentação doutrinária, sob o controle Universal do Ensino dos Espíritos, que poderá lhes facilitar o estudo e convidar ao Esclarecimento àqueles pesquisadores desse fenômeno.

 

Muita paz.

 

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos - Kardec, Allan. - Livro Segundo, Capítulo Primeiro, Itens III; IV e VI.

 

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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