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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Já de algum tempo pensava sobre este
assunto. Notava a imensa confusão de idéias, rapidez de convicção, precipitação
de conclusões a que muitos chegavam.
Hoje, tendo estudado mais
detidamente o assunto decidi escrever, para que, encontrando nos leitores
colegas de estudo, pudéssemos pensar juntos e quem sabe chegarmos a uma
conclusão mais precisa.
Nosso estudo, então, começa na obra
“A Gênese”, passeando pelos capítulos, III; X e XI, seguindo com as bem-vindas
colocações encontradas em O Livro dos Espíritos nos capítulos II; IV, do Livro
Primeiro, indo ao Livro Segundo em seu capítulo I; II; IV; VII e XI, pelo Livro
Três no capítulo VII; VIII e X.
Então amigos, já sabemos que nos
esperam algumas páginas e muito estudo a ser feito sempre seguindo o norte que
o codificador elegeu como norma vigente: Seriedade, continuidade e
perseverança.
Vamos Lá?
Para estudarmos melhor o tema central, é necessário
que façamos digressões as mais variadas, a começar pelo Princípio Vital, este
que Kardec diz ser Princípio Especial, inapreensível e que àquele tempo ainda
não podia ser definido: Princípio Vital.
Se prestássemos atenção mais reforçada as palavras do
codificador, notaríamos que Kardec afirma que este Princípio está ativo em o
ser vivente e extinto nos seres mortos, mas que nem por isso deixa de dar à
substância, propriedades que a distinguem das substâncias inorgânicas, mas
adiante, Kardec informa que o Princípio Vital tem sua alimentada, durante a
vida, pela ação do funcionamento dos órgãos, ora, o cérebro não é mais que um
dos órgãos do nosso corpo, nisso todos concordamos, correto?
Se é assim que entendemos, já começam a
descortinarem-se ante nossos olhos, algumas das considerações iniciais a que
todos irão chegar sem muito esforço.
1-
Que há em todos
nós um princípio, este nos trás a vitalidade, a movimentação dos membros do
corpo.
2-
Que este
princípio – Princípio Vital – é alimentado durante a vida pela ação do
funcionamento dos órgãos; Mas, qual dos órgãos estaria incumbido deste trabalho
tão especial, importante e vital que é o de dar e estabilizar esta movimentação
dos órgãos quem alimenta o princípio Vital?
Exato! O
Cérebro!
Ele capacita, tonifica, impulsiona em conjunto com
outros órgãos, toda a implementação da vida, sim, Vida e não vitalidade.
Chamamos de vida a sucessão de ações que, coordenadas pelos estímulos cerebrais
estabelecem atos de sociedade; Falamos de Vida de Relação. /esta, só nós, seres
humanos a temos.
Desta constatação, muitos se serviriam para
concluírem o estudo, mas para nós, acredito eu, ainda nos faltariam elementos
para maior convencimento, então sigamos...
Outro pensamento decorre dos apontamentos que já
obtivemos: É o homem ser a parte no Reino Animal, apesar de em seu corpo, abrigar
o último ou um dos últimos elos da animalidade, há nele, como que em
conseqüência de todas as modificações adquiridas através dos milênios
necessários à sua evolução, componentes que, se não existem nos outros seres do
mesmo Reino, aparecem timidamente, ou por outra, como flashes luminosos cintilam, hora aqui, hora
alhures, como que a demonstrarem a
Justiça e Bondade do Pai, que a tudo administra.
Falamos da Inteligência, do Intelecto e da Moral.
Se os animais que nomeiam o Reino em que renascemos,
evoluem pela matéria, o homem com certeza o faz pela aquisição da moral.
É que há nele, perfectível, elemento que aos outros
seres do mesmo Reino, o Pai não dotou, nem na mesma qualidade, nem na mesma
quantidade. E isso exatamente em função do trabalho e da atuação que estes
seres teriam de desempenhar diante de suas espécies e essência, diante da
marcha inexorável do tempo. Falamos do Espírito.
No item II, do capítulo XI da obra “A Gênese”, o
codificador pontifica: “O Princípio Espiritual é o corolário da existência de
Deus; sem esse Princípio, Deus não teria razão de ser, visto que não se poderia
conceber a soberana Inteligência a reinar, pela Eternidade a fora, unicamente
sobre a matéria bruta(...)”
No item seguinte, Kardec pondera que “por outro lado,
não se poderia conceber um Deus soberanamente Justo e Bom, a criar seres
inteligentes e sensíveis, para lançá-los ao nada(...)”
Ora, igualmente não se poderia pensar em Justiça e
Bondade deste mesmo Deus, se por obra de desígnio seu, lançasse a corpo sem
cérebro, qual instrumento inacabado, um Espírito. Este ser que instrumentaliza
a vida de relação entre os seres humanos. Este é o pensamento a que se chega
numa extensão aos itens elencados anteriormente.
Não nos vamos deter em elocubrações sobre a origem do
Princípio Espiritual, ficaríamos horas a fio somente a conjeturar, visto que
ainda em nosso estágio de conhecimento não aduzimos para o princípio das
coisas.
Aqui outra consideração se faz presente: A estrada
evolutiva houve de, através de milênios, colocar o ser pensante na condição do
nosso Hoje. Esse encadeamento, sabemos, não se operou por saltos; progredir
tornou-se desde os primórdios, condição natural dos seres espirituais, mas este
progredir não lhes chegou, senão através de seu próprio trabalho, tendo o
processo reencarnatório como o buril que lapidou a pedra rústica do Espírito
inicial, até a obra que hoje nos parece bastante melhorada.
Da união do Espírito com a matéria, modulada esta
pelo Espírito, segundo consta em o item
XI do capítulo XI da obra “A Gênese”, é que o
tão decantado encadeamento evolutivo se operou, durante todo o tempo
que precedeu nossa existência ao hoje.
O Espírito, este como que potencializa as capacidades
neuro-cerebrais, deixando o corpo em sua totalidade, como correr das
existências, como instrumento afinado para o grande concerto da Vida. Donde então surge a pergunta: “O que seria o
corpo sem o Espírito?”
A esta pergunta, que toma o número cento e trinta e
seis B, na obra “O Livro dos Espíritos”, a Espiritualidade superior responde: “
Uma massa de carne sem inteligência; tudo o que quiserdes, menos um homem.”
Alguns companheiros de estudos, ao tomarem ao pé da
letra a sentença dos amigos espirituais, perdem o fio e o prumo e constroem
convicções errôneas, como a de que os Espíritos tomassem verdadeiramente o que
responderam e não como apenas uma figura alegórica para melhor explicarem. O
corpo poderia sim ser perfeito, sem nenhum traço de feiúra, mas nem por isso,
poderia ser operacionalizado pelo Espírito, faltar-lhe-ia o veículo, o órgão,
qual seria este? Sim, o cérebro. É o homem um ser puramente intelectual, sua
evolução diante das diversas vivências que teve operou-se sempre, diante do
intelecto seguido este da moral. Por isso podemos afirmar ser o homem, ser a
parte no reino animal, rei de um Reino que existe dentre o Reino animal, Este o
Reino Moral.
A partir desses pontos abordados, apensados todos,
das obras básicas, em conjunto com os pensamentos que aqui expus, deixa a voces a possibilidade do
desenvolvimento desses pensamentos, sopesados pela doutrina que nos orienta,
para que juntos, possamos estar a entender melhor esse que nos é o centro deste
estudo, o Aborto de fetos anencéfalos.
Tem a mãe, o pai, a família este direito? Haverá num
corpo não dotado de cérebro, ou dotado de cérebro inacabado e inoperante para a
vida de relação, atrelado a ele um Espírito? Será este feto, então uma prova
para a família, para o próprio Espírito que a ele possa estar ligado? Quantas
questões, quantas reflexões a serem feitas...
A mim, para expressar aqui minha opinião pessoal, não
me parece nem ato de Justiça nem de bondade, que o Creador haja de permitir que
à aparelho com vício de fabricação possa estar atrelado um ser que dele não se
poderá utilizar no processo de seu aperfeiçoamento,
quer intelectual, quer moral. Ora então teríamos uma encarnação nulificada, se
analizarmos que sem a possibilidade de atos cerebrais, não poderia o Espírito
operacionalizar a vida de relação daquele indivíduo.
Prova para a família? Sim com esta idéia eu concordo.
E vou além, mesmo se a família, tomasse a decisão do aborto, tal prova e tal
dor não se afastaria dela. A prova meus amigos é a de resignação , paciência e
fé, portanto, abortando o feto mal
formado, ou deixando-o vir a luz, em nada seria esta modificada para a família.
Ao caso de haver um Espírito atrelado àquele corpo,
minha convicção é a de que a Justiça e Bondade de Mais Alto, não se furtaria a
dar chance a qualquer Espírito, por mais endividado que estivesse, por mais
erros cometidos contra a vida dele ou de outrem que tal Espírito já houvesse de
haver cometido em qualquer ou em todas as existências que haver de ter passado
no seu pretérito. Numa analogia: Diz o Evangelho Segundo o Espiritismo: “Qual o
pai a quem havendo sido pedido, pelo filho pão, a este daria pedra? Ao que eu
aponho: Deus, soberanamente Justo e Bom, haveria de negar ao Espírito que lhe pedisse
uma chance a mais para modificar-se, a possibilidade de tal processo
regenerativo? Por outra, haveria de
conferir ao pedinte, um aparelho do qual não poderia valer-se, sabendo
que este aparelho é de vital importância em todo o processo? Como o Espírito,
poderia trabalhar em seu próprio progresso, impedido de obrar consciencialmente
e intelectualmente, para a sua moralização em virtude de um cérebro imperfeito
ou da falta deste?
Estas são questões a que nós devamos estar, sem
nenhum espírito de sistema, a tentar entender e resolver. A mim, resta-me dizer
que há ainda um elemento de perigo na facilitação de qualquer rito que libere o
aborto. O da facilitação para a sua total liberação, aborto, não sendo no cão
de perigo de vida à gestante, é crime dos mais nefandos e covardes. No caso de
fetos anencéfalos, mesmo que se resolva pela não existência de espírito
atrelado ao corpo destituído de cérebro, devemos entender que também, existe
para os pais o Livre arbítrio, condição e elemento de maior facilidade de
evolução ou, em alguns casos, possibilidade de novos momentos de dor em
existência no por vir.
Muita paz.
Bibliografia:
Kardec –
Allan
A Gênese –
Os Milagres E As Predições Segundo O Espiritismo –
O Livro dos
Espíritos
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