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Uma História de Espíritos

 

 SALA FILOSOFIA ESPÍRITA

 

Raimundo de Moura Rêgo Filho

 

O que lhes vou relatar agora não é historinha, nem mensagem de espírito algum encontrada em livro, aconteceu nesta segunda feira próxima passada em um grupo espírita familiar, no qual o Pedro Vieira e eu estamos a participar das seções de Estudo doutrinário.

Neste grupo, formado de ex-integrantes da Umbanda, houve a determinação de se transformarem num grupo espírita, há uns dez anos começaram o processo, e sendo o Pedro amigo e parente de alguns do grupo começou a lá estar convivendo e ajudando, depois de um tempo resolveu me perguntar se gostaria de também ajudar e me dispus a ir com ele.

Noutras ocasiões durante o tempo reservado ao recebimento de comunicações, já havia relatado aos amigos do grupo, a existência de grupos de espíritos desencarnados que lá iam para estudar conosco. Inclusive chamava-me a atenção um determinado grupo de Espíritos franciscanos.

Nesta última segunda feira, no horário reservado às comunicações, ou melhor, desde as 21:40h quando começava a seção, comecei a receber mentalmente a comunicação de um Espírito e este me explicava que ali estavam um grupo de Espíritos portugueses, um de ingleses, outro de franceses e outro de americanos, todos a estudarem conosco.

Aquilo me chamava a atenção, mas mantinha-me calado, não dando a passividade para que o Espírito pudesse trazer a sua mensagem. Notem bem isso logo ao começo da reunião.

A conversa mental seguiu durante todo o espaço de estudo do Evangelho, e quando nos preparávamos para receber as comunicações espirituais tornou-se mais forte, e eu continuava a não dar a passividade. Neste momento um senhor do grupo começou a entoar canções relativas a algumas entidades espirituais da Umbanda, não entendia o motivo e mantinha-me na mesma posição, não dando passividade à comunicação do Espírito em questão, mas foi quando ele, o senhor que cantava, cantou um ponto à entidade Pena Branca, um valoroso guia de Umbanda, ao qual conheço muito de perto, dos meus vinte e dois anos que passei na Umbanda Iniciática, ao terminar o ponto, o Espírito Pana Branca deu o comunicado, dizendo que ali estava não a trabalho com o grupo, mas para "quebrar" a barreira mental que eu estabelecera, compreendi então que se tratava de comunicação importante e resolvi aceitar a sugestão do Espírito, dando passividade à comunicação do Espírito que se intitulara como monitor do grupo dos portugueses.

Primeiro ele me explicou que fora o escolhido pela proximidade da língua, visto que só eu e o Pedro conhecíamos o idioma Inglês e ninguém o francês, o que seria um fator de complicação ao entendimento do grupo.

Depois passou a explanar, como sotaque característico dos portugueses, toda uma sorte de eventos que se passam diante dos nossos olhos, mas aos quais poucos de nós dá o justo valor, falou-nos da importância que estes grupos de Espíritos dão ao aprendizado da doutrina conquanto vejam nela um matiz de facilitação para que eles mesmo se melhorem, trouxe-nos a informação de que nos grupos pequenos esse tipo de coisa acontece mais vezes, facilitado pelo conhecimento mais amiudado entre os participantes, mesmo do maior recolhimento e comunhão de pensamentos, da maior concentração de todos, situações que o codificador assinala em sua obra, quando fala das sociedades espíritas.

Os amigos devem estar pensando que nesse momento eu estava feliz em ser o portador mediúnico, pois saibam de que não acreditava nem um pouco no que acontecia. Sou mesmo assim, cético por excelência, tenho mesmo de ver para crer. Ao final da comunicação, o Espírito nos brinda com mais uma informação, disse ele: "pois, agora tenho de ir-me, meu corpo chama-me" Dava conta de ser ele, e mais uns quatro que lá estavam distribuídos nos outros grupos, espíritos de pessoas vivas, sim, encarnadas. Ai mesmo foi que não acreditei mais, e não estaria relatando essas coisas todas se não acontecesse um fato que me veio pelo menos apontar para a verdade do que havia e estava a acontecer.

Logo ao inicio, quando a conversa eu só me lembro ser no centro de Algarve, mas deu-nos a todos o endereço completo e seu nome: José, Alves Castello Branco. Disse-me mais, que ali estava também entre o grupo dos franceses, uma senhora, que lhes era monitora, de nome Cecillè. Anotava mentalmente os nomes, e do nome desta senhora esqueci-me de comentar aos do nosso grupo de estudos. Já andávamos a terminar os trabalhos quando a senhora, que os dirige pergunta a todos do grupo: “Há alguém aqui que conheça uma pessoa de nome Cecília”? E repetiu a pergunta explicando que o Espírito estava ali como que a querer se comunicar, do que depois soube não ser o motivo. Perguntei então para a senhora, se o nome não seria Cecillè, ela nos respondeu que tinha recebido algo em torno de Cecília, que era assim que tinha compreendido, mas ao cabo desta informação vem outro ponto que nos veio a esclarecer a todos diante da comunicação do Sr. José Castello Branco, disse a senhora, que é uma médium portentosa: "Essa moça, a Cecília, está a dizer-me que mora em Bordeaux." Nesse momento a "ficha caiu” para todos nós, Bordeaux é uma cidade Francesa, mas para mim soou-me como informação velada, que me fizesse acreditar no ocorrido minuto antes, lembram-se todos que o Sr. José me havia confidenciado o nome da monitora do grupo dos franceses, não? Pois é seu nome era Cecíllè, a senhora que recebeu a comunicação não conhece a língua e estranhava o sotaque, por isso a designou como Cecília, ora o fato só dizia direito a mim, pois a ninguém houvera eu, antes, dito o nome da moça, o que me mostrava que era a resposta deles à minha última pergunta a qual fora, como poderíamos acreditar em tudo o que acontecera bem como na comunicação do Sr. José?

Tais fatos vieram depois que voltávamos para casa, a me fazer verificar o pouco caso que damos ao que possa estar ocorrendo a nosso lado, quando estamos numa reunião de estudos doutrinários. Quantas vezes não vamos à reunião por estarmos sem vontade? Quantas vezes ficamos a filtrar as comunicações que recebemos antes de as entregarmos ao estudo do grupo? Quantas vezes atinamos que a nosso grupo de estudos possam se incluir espíritos desencarnados, e mais, espíritos encarnados, libertos do corpo pelo evento sono? É nesse matiz, o de colocar estes últimos pensamentos, que trago esta passagem verídica, que como disse ao começo não saiu de livro algum senão o da vida de todos que ali estávamos no estudo do Evangelho, desta última segunda feira, num grupo espírita familiar.

 

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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