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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Meus amigos, este artigo traduz o que
poucos estão a colocar acerca e com acerto, sobre a doutrina, na vontade de
fortificarem o conhecimento doutrinário correto, sem enxertias dessa ou daquela
obra alienígena às que conheçamos como obras básicas.
Quando afirmamos isso, de muitos nos
chegam os apupos, acostando-nos a alcunha de ortodoxos, esquecidos de que o
próprio codificador afirma que a ortodoxia espírita é prática salutar e válida,
que defende o conteúdo doutrinário de intrusão alienígena a ele.
Trata-se então de uma resposta desse
amigo de vocês, ao confrade português, em cujo fórum modero as seções e
introduzo o Estudo sistemático da obra O Livro dos Médiuns.
Ficam então, nestas páginas, o artigo
deste confrade que se apelida de Peregrino, e a minha resposta a ele.
Muita paz.
Jesus e
dos demais mensageiros de Deus face ao Livro dos espíritos
O que
responderam os Espíritos a Kardec nos itens 625 e seguintes?
- «Qual o tipo mais
perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? - Vede Jesus.
Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode
aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina
que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais
puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava. Quanto aos
que, pretendendo instruir o homem na lei de Deus, o têm transviado,
ensinando-lhes falsos princípios, isso aconteceu por haverem deixado que os
dominassem sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que
regulam as condições da vida da alma, com as que regem a vida do corpo. Muitos
hão apresentado como leis divinas simples leis humanas estatuídas para servir
às paixões e dominar os homens».
- « Só por Jesus foram
reveladas as leis divinas e naturais? Antes do seu aparecimento, o conhecimento
dessas leis só por intuição os homens o tiveram? - Já não dissemos que elas estão escritas por toda parte?
Desde os séculos mais longínquos, todos os que meditaram sobre a sabedoria hão
podido compreendê-las e ensiná-las. Pelos ensinos, mesmo incompletos, que
espalharam, prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis
divinas escritas no livro da Natureza, possível foi ao homem conhecê-las, logo
que as quis procurar. Por isso é que os preceitos que consagram foram,desde
todos os tempos, proclamados pelos homens de bem; e também por isso é que
elementos delas se encontram, se bem que incompletos ou adulterados pela ignorância,
na doutrina moral de todos os povos saídos da barbárie.
- «Uma vez que Jesus
ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual a utilidade do ensino que os
Espíritos dão? Terão que nos ensinar mais alguma coisa? ̵1; Jesus empregava amiúde, na sua linguagem,
alegorias e parábolas, porque falava de conformidade com os tempos e os
lugares. Faz-se mister agora que a verdade se torne inteligível para todo
mundo. Muito necessário é que aquelas leis sejam explicadas e desenvolvidas,
tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as praticam. A nossa
missão consiste em abrir os olhos e os ouvidos a todos, confundindo os
orgulhosos e desmascarando os hipócritas: os que vestem a capa da virtude e da
religião, a fim de ocultarem suas torpezas. O ensino dos Espíritos tem que ser
claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que
todos o possam julgar e apreciar com a razão. Estamos incumbidos de preparar o
reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível
interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de
uma lei toda de amor e de caridade.
- « Por que a verdade
não foi sempre posta ao alcance de toda gente? - Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é
como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário,
fica deslumbrado. Jamais permitiu Deus que o homem recebesse comunicações tão
completas e instrutivas como as que hoje lhe são dadas. Havia, como sabeis, na
antigüidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma
ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram
tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos,
deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades
esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático.
Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia,
nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há
germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si,
dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente
coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma
imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja
realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os
objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos
e podem contribuir grandemente para vossa instrução.
Para bem entender estas respostas, é necessário ler a
introdução do livro «A Génese» em que Kardec desenvolve o lugar de Jesus e dos
demais mensageiros de Deus na evolução da Humanidade. E se Jesus é consagrado pelos
espiritos, com ele, também são os demais grande vultos da Espiritualidade
alicerçada no Amor, e todas as correntes espirituais têm seu lugar nos planos
divinos.
Amigos meus,
A ti peregrino, dirijo meus mais sinceros
parabéns, nunca estivemos tão concordes como neste tópico.
A questão de preponderante importância,
no entanto meu mano, é que muitos dentre os movimentos espíritas, quer no
Brasil quer em Portugal, povos religiosos e católicos por excelência, é o
querer trocar de uma para outra religião, ou mesmo inserir numa visão a que
esta está distanciada anos luz. Ora digo isso não para retirar Jesus ou o Pai
do contexto Espírita, isso seria uma sandice das maiores. Há mesmos movimentos
que tentam isso o que é facilmente explicável: Sem Jesus ou Deus dentre os
ditamos da obra inteiriça dos Espíritos, sobraria somente o homem Allan Kardec,
ao homem é fácil se combater as idéias com meia dúzia de palavras empoladas ou
bonitas, com pensamentos pretensamente inteligentes mas desfigurados pela
óptica míope e sem embasamento doutrinário. São como digo, as querências
interiores que muitos de nós as temos, e dela não conseguimos nos libertar e a
doutrina é por si mesmo libertária.
Herculano Pires nos diz que Espiritismo
não se faz com palavras empoladas, que demonstram mais erudição haurida de
viciosos componentes da vaidade e do orgulho. Estes levam ao ridículo a
doutrina frente a inteligência do nosso hoje, vejam o que ele mesmo escreve:
"(...)
Precisamos de expositores didáticos, servidos por bom conhecimento doutrinário,
arduamente adquirido em estudos e pesquisas. Expor os temas fundamentais da
Doutrina, não é falar bonito, com tropos pretensa¬mente literários, que só
servem para estufar vaidade, à maneira da oratória bacharelesca do século
passado. Esse palavrório vazio e presunçoso não constrói nada e só serve para
ridicularizar o Espiritismo ante a mentalidade positiva e analítica do nosso
tempo."
Estas palavras, do sábio estudioso
brasileiro, demonstram e corroboram o que venho de afirmar de longa data por
aqui. E o faço não num arroubo de prepotência, mas pela responsabilidade de
divulgador da doutrina que o sou nessas terras brasileiras, e em meus escritos
para outras partes do mundo. Não me encastelo num saber total que não possuo,
sou mesmo, à minha visão, um estudante relapso, posto que estou por aqui, neste
mundo de provas e expiações pela enézima vez, o que demonstra que não aprendi
bem a lição dada anteriormente, mas nesta, trato de me acertar os passos, para
que não me seja necessária nova repetência e em matéria tão simples.
É neste jaez que escrevo o produto do meu
estudo e vivenciar, e olhem que no Brasil ando muito, visito muitas casas
espíritas falando em algumas delas, tiro do pouco tempo que me resta, ficando
por vezes a dever à própria família, o tempo que lhes poderia dar e que me é de
responsabilidade como marido e pai, para estar envidando maiores esforços em
divulgar por meio de estudo sério e grave das obras básicas, o fortalecimento e
unificação do pensamento Espírita, tomei a mim esse trabalho por considerá-lo
importante para todos e para eu mesmo. Neste "Mea Culpa"
tento expor-me a mim, como sou , sem capas, armadilhas
ou máscaras, sendo eu o que sou mesmo, espírito falho e falido mas que nesta
encarnação propôs-se a se melhorar e como tenho a todos como meus irmãos, por
vezes falo duro, não uma dureza de sentimentos, mas como um sino a dobrar para
acordar àqueles que ainda dormitem, tanto na tarefa de se modificarem, quanto
na natureza dos estudos e trabalho que devam evidenciar para que se mudem a
eles próprios pois esta é mesmo a nossa única missão nesta terra.
Meu mano Peregrino, a literatura dita
"subsidiária", que não o é em essência, vem por atrapalhar mais do
que ajudar em certas vezes, e é neste campo fértil à nossas querências
interiores, que vamos nos lustrando do brilho do ouro do tolo, palavras e
expressões, que não fazendo parte do cenário dos estudos espíritas vem por
insistência de alguns sendo ditas como que se saíssem da boca do próprio
codificador, vejam estas expressões: Desdobramento, ruptura áurica, viagem astral,
corpo astral, governador da terra, chakras e outras que nos chagam pos tais
livros, oriundas de um sem número de locais e filosofias, que se bem posam aparentam,
uma certa proximidade para com a doutrina, dela se afastam quilometricamente,
levando o leitor desavisado, a entendê-las como doutrinárias, não o são. Isso
tudo contribui para esse desaprendizado da doutrina fazendo com que essas
pessoas passem a ver o Espiritismo tal como uma religião, ou pior, como uma
forma de salvação, que a ele não se achega, nem o lustra.
Assim meu amigo, reitero os votos de
parabéns ditos ao começo deste, e a alegria de tê-los podido ler.
Abraços,
Moura
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