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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Em nossas visitas
a diversas casas espíritas, em nossas navegações através de sites da Internet,
listas de debates, salas de chat, coisa que fazemos já de tempos, as vezes e
não são poucas essas vezes, nos defrontamos com colocações, pensamentos e mesmo
ações que nos deixam chocados.
Parece-me, a mim,
que há uma orquestração do Plano das Sombras, a surtir efeito nocivo e adoecido
dentre certos confrades...
Vemos e ouvimos de
tudo... Tudo alinhavado com a linha podre da falácia e pela agulha rombuda da
ignorância doutrinária.
Se há os que se
esforçam em dizer a doutrina em sua pureza e retidão, há também os que a
deturpam e a atrofiam. Tudo por força de seus quereres, de suas vontades...
É como se a
Doutrina, que lhes deveria ser o exemplo de conduta, fosse apenas a velha e
rôta colcha de retalhos que em vão lhes tenta minorar o frio de suas existências
no erro.
Já vimos de
tudo... De diretores de casas espíritas, que fecham grupos jovens e excluem
professores de cursos espíritas somente porque estes não lhes apóiem as idéias
divorciadas do cerne doutrinário;
Já escutamos de
palestrantes, afirmações que retratam tão somente suas opiniões pessoais, a
serem colocadas como doutrinariamente corretas, mas sem nenhum apoio da obra
trazida pela plêiade de Espíritos que com o codificador trabalhou.
De coordenadores
de salas de chat Espíritas, ações que vetam a entrada de alguns participantes
que lhes sejam contrários às idéias, como se a estes não fosse dado o direito
do aprendizado ou das colocações, quando os contradizem, se afirmam que tal e
tal palavras são desta ou daquela missiva do Espírito tal... Pior ainda, de
falarem estes pelas costas, acusando, denegrindo, enxovalhando o nome daquele
que lhes foi contrário, e tudo como forma de defenderem suas idéias ao divórcio
do que diz a Doutrina.
A coisa chega a
tal vulto que por vezes pensamos: Será que estou na Doutrina correta?
Não, não é a
Doutrina que erra e sim aqueles que em se esquecendo de que também são
Espíritos em marcha inicial da evolução, esquecem-se de que podem ser vitimados
pelos mesmos acometimentos que apontam, mais das vezes levianamente, em outras
pessoas. Pensam-se imunes a tudo, senhores da razão e da verdade absoluta.
Dessa maneira, abrem as portas de suas casas mentais à ação dos pestilentos
bacilos do Egoísmo e da Vaidade, pai e mãe de todas as chagas morais. E
adoecem-se a si próprios.
Alguns amigos nos
perguntam o porque de tais acometimentos serem ação de pessoas com muito tempo
de Doutrina, como se a Doutrina pudesse modificar alguém só por que este se diz
Espírita...
Não é assim que a
banda toca!
Ela, a Doutrina
Espírita, dá-nos a nós, todo o ferramental necessário a que nós mesmos possamos
estar a efetivar o trabalho que a nós é conferido na obra da Regeneração. Sim,
somos nós e somente nós quem devamos estar a trabalhar as nossas imperfeições,
este o primeiro de todos os trabalhos no Bem que devamos executar por alguém e
este alguém somos nós mesmos!
Nossa
transformação interior depende de nós, a doutrina dá-nos a correta luz, que nos
há de nortear o caminho e ações, mas não compete a Ela fazer por nós o que nós
temos de fazer diante da Lei do Progresso, esta a nossa missão. E esta nos
concita ao labor diário, perseverante e sério, sem o qual viveremos mais tempo
no descaminho da moral, na incompreensão, na cegueira e na dor.
Sem Vontade
resoluta, sem trabalho, sem estudo aprimorado e correto, sério e grave, tal
como é a Doutrina, nada nem ninguém se transforma. É necessário este processo,
esta “via crucis”, é por meio destes que se operará a nossa regeneração.
O simples dizer-se
Espírita pouco vale, não modifica, Somente o conhecimento da doutrina, decorada
e friamente declamada não transforma. O viver hipocritamente adoece e alija do
aprendizado ao Espírito que descura desse que a mim me soa, como o “Orar e
vigiar” verdadeiro. Assim não se faz Espiritismo, senão o espiritismo a moda da
casa.
Reconheço serem
palavras duras, mas são notícias verdadeiras, que maculam o cenário do
Movimento Espírita, no Brasil e fora dele. E esta verdade nos aparece a frente,
quando andamos a olhar nossos confrades diante de suas ações.
Mas nem tudo está
perdido!
Se há ainda,
“macacos em lojas de louças”, lembrando o saudoso José Herculano Pires, de
outra feita há irmãos de ideal que enobrecem o trabalho de propagação e
divulgação da Doutrina dos Espíritos, em nossa terra e para além dela. São estes
a quem o Mestre deva ter marcado na testa, como seus trabalhadores mais féis.
Esta a nossa alegria!
São estes, que
esquecendo os apupos, os acicates, as inverdades que lhes são colocadas à
costa, por detratores covardes e vis, fazem com que o Edifício Doutrinário
continue a ser erigido em solo firme, em bases fortes e corretas, de modo a não
ruir ante as pequenas ventanias sopradas por aqueles que por serem também
nossos irmãos, devam merecer de nós, as nossas mais sentidas preces, pela sua
melhora, embora algumas vezes cheguemos a exclamar:
Esses
“espíritas”...
Muita paz
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