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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Considerando ainda merecedor de maiores e
mais fortificados estudos o tema Pesrispírito, tentamos através destas linhas,
desenvolver alguns pensamentos, que possam dirimir possíveis dúvidas ainda existentes
ara alguns.
Não nos arrogamos como detentores da Verdade, longe disso estamos, porém o que
nos norteia os passos, é a necessidade de estarmos em conjunto, submetendo
esses que não passam de pensamentos nossos, embasados nas assertivas de Kardec
e dos Espíritos Superiores, à leitura de todos vocês, meus amigos.
Na obra O Livro dos Espíritos, ao capítulo I
do Livro Segundo, no item IV, o codificador trás essas perguntas aos Espíritos:
Perg. 93 “O Espírito propriamente dito vive
a descoberto, ou, como pretendem alguns,envolvido por alguma substância?”
Resp: O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda
bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele
possa
elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.
Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma, o Espírito propriamente
dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar perispírito.
Perg. 94 “De onde tira o Espírito o seu
envoltório semimaterial?”
Resp.:Do fluido universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em
todos os mundos; passando de um mundo para outro, o Espírito muda de envoltório,
como mudais de roupa.
Perg 94ª “Dessa maneira, quando os Espíritos
de mundos superiores vêm até nós, tornam um perispírito mais grosseiro?”
Resp.:É necessário que eles se revistam da vossa matéria, como já dissemos.
Pelo exposto, o codificador e os Espíritos
superiores, vieram por trazer a todos nós, considerações preliminares sobre
este envoltório semi-material que é o liame de ligação entre o Espírito e o
corpo.
Aprendemos que haurindo dos elementos constitutivos de cada globo, o Espírito
retira os elementos que formarão o seu perispírito, que este se modifica a cada
mundo, e que a necessidade de encarnação em mundo inferior faz com que o Espírito
densifique o perispírito buscando naquele globo também os subsídios do qual
formará o perispírito adequado àquele mundo. Ora, se por aqui parássemos as
dúvidas quanto a outros pontos ainda permaneceriam, portanto sigamos em frente
mais alguns traços, procurando ajudados pelas obras básicas, deslindar essas
dúvidas.
Da Obra a Gênese Os Milagres E As predições
Segundo o Espiritismo, retiramos do capítulo XI no item 17 o que se segue:
“O Espiritismo ensina de que maneira se opera a união do Espírito com o corpo,
na encarnação. Pela sua essência espiritual, o Espírito é um ser indefinido,
abstrato, que não pode ter ação direta sobre a matéria, sendo-lhe indispensável
um intermediário, que é o envoltório fluídico, o qual, de certo modo, faz parte
integrante dele. É semimaterial esse envoltório, isto é, pertence à matéria
pela sua origem e à espiritualidade pela sua natureza etérea. Como toda
matéria, ele é extraído do fluido cósmico universal que, nessa circunstância, sofre
unia modificação especial. Esse envoltório, denominado perispírito, faz de um
ser abstrato, do Espírito, um ser concreto, definido, apreensível pelo
pensamento. Torna-o apto a atuar sobre a matéria tangível, conforme se dá com
todos os fluidos imponderáveis, que são, como se sabe, os mais poderosos
motores.
O fluido perispirítico constitui, pois, o traço de união entre o Espírito e a
matéria. Enquanto aquele se acha unido ao corpo, serve-lhe ele de veículo ao
pensamento, para transmitir o movimento às diversas partes do organismo, as
quais atuam sob a impulsão da sua vontade e para fazer que repercutam no
Espírito as sensações que os agentes exteriores produzam. Servem-lhe de fios
condutores os nervos como, no telégrafo, ao fluido elétrico serve de condutor o
fio metálico."
Deste item podemos inferir que sendo o
Espírito um ser abstrato, não podendo ele, ter ação direta na matéria, veio por
cobrir-se de outra matéria, também quintessenciada, etérea, abstrata, que
denominou-se chamar perispírito. Que este envoltório faz do ser abstrato um ser
concreto e definido, que é apreensível pelo pensamento, e que desta união se
torna o Espírito apto a atuar sobre a matéria tangível, paupável,
constituindo-se no traço de união entre o Espírito e a matéria. E que enquanto
permanece a união dos dois,sob a impulsão do Espírito, este faz do pensamento o
condutor da sua vontade fazendo repercutir de volta ao Espíritos sensações que
os agentes exteriores produzem.
Como é clara a doutrina dos Espíritos!
Seguindo então, mais um pouco a frente, o
capítulo XIV em seu item VII, vem nos esclarecer mais, estudêmo-lo pois.
“O perispírito, ou corpo fluídico dos Espíritos, é um dos mais importantes
produtos do fluido cósmico; é uma condensação desse fluido em torno de um foco
de inteligência ou alma. Já vimos que também o corpo carnal tem seu princípio
de origem nesse mesmo fluido condensado e transformado em matéria tangível. No
perispírito, a transformação molecular se opera diferentemente, porquanto o
fluido conserva a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas. O corpo
perispirítico e o corpo carnal têm pois origem no mesmo elemento primitivo;
ambos são matéria, ainda que em dois estados diferentes.”
Os dizeres do codificador emprestam-nos a
importância que o perispírito tem, definem a diferenciação entre as
transformações entre as duas condensações, e demonstra que no perispírito esta
se mostra diferente porque permanece a imponderabilidade e as qualidades
etéreas, afiançando que o corpo perispirítico e o corpo carnal, mesmo advindo
de um mesmo fluído formam-se em matéria em estados diferentes.
Se estudarmos o item VIII do mesmo capítulo
vamos ver:
“Do meio onde se encontra é que o Espírito
extrai o seu perispírito, isto é, esse envoltório ele o forma dos fluidos
ambientes. Resulta daí que os elementos constitutivos do perispírito
naturalmente variam, conforme os mundos. Dando-se Júpiter como orbe muito
adiantado em comparação com a Terra, como um orbe onde a vida corpórea não
apresenta a materialidade da nossa, os envoltórios perispirituais hão de ser lá
de natureza muito mais quintessenciada do que aqui. Ora, assim como não
poderíamos existir naquele mundo com o nosso corpo carnal, também os nossos
Espíritos não poderiam nele penetrar com o perispírito terrestre que os
reveste. Emigrando da Terra, o Espírito deixa aí o seu invólucro fluídico e
toma outro apropriado ao mundo onde vai habitar.”
Demonstrado fica a impossibilidade de um
Espírito originário de um mundo inferior, revestido de seu perispírito,
apropriado tão somente ao mundo em que reencarnou, estar a participar seja do
que for, em mundo superior ao seu, fazendo rolar por terra as afirmações de
certos entusiastas da apometria.
O item IX nos vem trazer mais subsídios ao
saber da matéria estudada, vamos a ele:
“A natureza do envoltório fluídico está
sempre em relação com o grau de adiantamento moral do Espírito. Os Espíritos
inferiores não podem mudar de envoltório a seu bel-prazer, pelo que não podem
passar, a vontade, de um mundo para outro. Alguns há, portanto, cujo envoltório
fluídico, se bem que etéreo e imponderável com relação à matéria tangível,
ainda é por demais pesado, se assim nos podemos exprimir, com relação ao mundo
espiritual, para não permitir que eles saiam do meio que lhes é próprio. Nessa
categoria se devem incluir aqueles cujo perispírito é tão grosseiro, que eles o
confundem com o corpo carnal, razão por que continuam a crer-se vivos. Esses
Espíritos, cujo número é avultado, permanecem na superfície da Terra, como os
encarnados, julgando-se entregues às suas ocupações terrenas. Outros um pouco
mais desmaterializados não o são, contudo, suficientemente, para se elevarem
acima das regiões terrestres. Os Espíritos superiores, ao contrário, podem vir
aos mundos inferiores, e, até, encarnar neles. Tiram, dos elementos
constitutivos do mundo onde entram, os materiais para a formação do envoltório
fluídico ou carnal apropriado ao meio em que se encontrem. Fazem como o nobre
que despe temporariamente suas vestes, para envergar os trajes plebeus, sem
deixar por isso de ser nobre. É assim que os Espíritos da categoria mais
elevada podem manifestar-se aos habitantes da Terra ou encarnar em missão entre
estes. Tais Espíritos trazem consigo, não o invólucro, mas a lembrança, por
intuição, das regiões donde vieram e que, em pensamento, eles vêem. São
videntes entre cegos.”
Interessante aprendizado nos trás esse item
nota-se sem margem a dúvidas que o comentário desse amigo de voces encontra
fulcro aqui e em outros locais das obras kardecianas, mostra mais o item
abordado, afirma que a natureza e grau deste envoltório está intimamente ligado
à qualidade moral do Espírito, o que demonstra, que o Espírito encarnado num
mundo inferior, mesmo que movido de bons sentimentos, não pode, a não ser por
aquisição moral de maior porte e qualidade, entrar em mundo superior, mas que o
mesmo não acontece com os Espíritos mais desenvolvidos, mostra mesmo que os
Espíritos superiores, já totalmente desmaterializados, podem sim virem por
missão a estar encarnados em orbes inferiores, em justo fortalecimento da Lei
de Caridade e Amor, e da Lei do Progresso.
Este ponto é por demais importante e não
poderíamos deixar passar a informação constante em a obra O Livro dos
Espíritos, em seu capítulo IV no item III, “Da Encarnação Em diferentes
Mundos”, onde encontramos nas perguntas de número 186 e 186ª o seguinte:
Perg. “186. Há mundos em que o Espírito, deixando de viver num corpo material,
só tem por envoltório o perispírito?
Resp.: Sim, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo que para vós é
como se não existisse; eis então o estado dos Espíritos puros.
Perg. 186-a.Parece resultar daí que não
existe uma demarcação precisa entre o estado das últimas encarnações e o do
Espírito puro?
Resp.: Essa demarcação não existe. A diferença se dilui pouco a pouco e se
torna insensível, como a noite se dilui ante as primeiras claridades do dia.
Aqui ficam esclarecidas as dúvidas de muitos
confrades e amigos espíritas, é a própria obra básica, segundo os Espíritos, a
trazer a conseqüente informação que vem por deslindar o que antes nos soava em
desafinação, nos parecendo inverídico. Delas podemos concluir que os Espíritos
SEMPRE se farão acompanhar de perispírito.
Mas seguindo mais adiante vejamos o que nos
expõem os itens X e XI do capítulo XIV de A Gênese:
“A camada de fluidos espirituais que cerca a
Terra se pode comparar às camadas inferiores da atmosfera, mais pesadas, mais
compactas, menos puras, do que as camadas superiores. Não são homogêneos esses
fluidos; são uma mistura de moléculas de diversas qualidades, entre as quais
necessariamente se encontram. as moléculas elementares que lhes formam a base,
porém mais ou menos alteradas. Os efeitos que esses fluidos produzem
estarão na razão da soma das partes puras que eles encerram. Tal, por comparação,
o álcool retificado, ou misturado, em diferentes proporções, com água ou outras
substâncias: seu peso específico aumenta, por efeito dessa mistura, ao mesmo
tempo que sua força e sua inflamabilidade diminuem, embora no todo continue a
haver álcool puro. Os Espíritos chamados a viver naquele meio tiram dele seus
perispíritos; porém, conforme seja mais ou menos depurado o Espírito, seu perispírito
se formará das partes mais puras ou das mais grosseiras do fluido peculiar ao
mundo onde ele encarna. O Espírito produz aí, sempre por comparação e não por
assimilação, o efeito de um reativo químico que atrai a si as moléculas que a
sua natureza pode assimilar. Resulta disso este fato capital: a constituição
íntima do perispírito não é idêntica em todos os Espíritos encarnados ou
desencarnados que povoam a Terra ou o espaço que a circunda. O mesmo já não se
dá com o corpo carnal, que, como foi demonstrado, se forma dos mesmos
elementos, qualquer que seja a superioridade ou a inferioridade do Espírito.
Por isso, em todos, são os mesmos os efeitos que o corpo produz, semelhantes as
necessidades, ao passo que diferem em tudo o que respeita ao perispírito.
Também resulta que: o envoltório perispirítico de um Espírito se modifica com o
progresso moral que este realiza em cada encarnação, embora ele encarne no
mesmo meio; que os Espíritos superiores, encarnando excepcionalmente, em
missão, num mundo inferior, têm perispírito menos grosseiro do que o dos indígenas
desse mundo.”
Item 11. – “O meio está sempre em relação
com a natureza dos seres que têm de nele viver: os peixes, na água; os seres
terrestres, no ar; os seres espirituais no fluido espiritual ou etéreo, mesmo
que estejam na Terra. O fluido etéreo está
para as necessidades do Espírito, como a atmosfera para as dos encarnados. Ora,
do mesmo modo que os peixes não podem viver no ar; que os animais terrestres
não podem viver numa atmosfera muito rarefeita para seus pulmões, os Espíritos
inferiores não podem suportar o brilho e a impressão dos fluidos mais etéreos.
Não morreriam no meio desses fluidos, porque o Espírito não morre, mas uma
força instintiva os mantêm afastados dali, como a criatura terrena se afasta de
um fogo muito ardente ou de uma luz muito deslumbrante. Eis aí por que não
podem sair do meio que lhes é apropriado à natureza; para mudarem de meio,
precisam antes mudar de natureza, despojar-se dos instintos materiais que os retêm
nos meios materiais; numa palavra, que se depurem e moralmente se transformem.
Então, gradualmente se identificam com um meio mais depurado, que se lhes torna
uma necessidade, como os olhos, para quem viveu longo tempo nas trevas,
insensivelmente se habituam à luz do dia e ao fulgor do Sol.”
A luz do ensinamento brilha sem qualquer
dúvida por sobre todas as páginas das obras básicas, nela sorvemos com a
sofreguidão do náufrago, a água viva do aprendizado reto e puro, deixando para
trás qualquer outro vaticínio ou afirmação, oriunda seja de que Espírito for,
pois saberemos, que não passa de apenas mais uma das muitas opiniões pessoais
deste ou daquele Espírito, desencarnado ou não, quem nos deve merecer a atenção
mas nunca o suporte de uma obra básica, posto que só a esta foi conferida a
validade em matéria de doutrina dos Espíritos, exatamente porque só as obras
básicas contém o Controle Universal do Ensino dos Espíritos.
Ao finalizarmos este pequeno estudo, vemos,
ao parágrafo segundo do item XII ainda sob o capítulo XIV de a Gênese, o
confirmar-se de uma das citações mais repetidas no cenáculo Espírita, aquela
que consta do item 540 da obra O Livro dos Espíritos: “Do átomo ao arcanjo,
tudo se encadeira no Universo.”
Vejamos: “(...)Assim, tudo no Universo se liga, tudo se encadeia; tudo se acha
submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a mais compacta materialidade,
até a mais pura espiritualidade. A Terra é qual vaso donde se escapa uma fumaça
densa que vai clareando à medida que se eleva e cujas
parcelas rarefeitas se perdem no espaço infinito(...)”Allan Kardec.
Muita
paz.
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