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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Eu já não entendo mais nada...
Domingo passado, um amigo meu
reclamava muito e ao ser por mim fustigado com perguntas me explicou:
“Sabe Raimundo,
o Espírita sofre. Somos relegados ao ostracismo filosófico, ninguém nos leva a
sério, pouco somos lembrados, a não ser para sermos confundidos, com outras
seitas, ninguém nos convida para eventos ecumênicos, ta mal amigo, ta mal...”.
Confesso que fiquei sem ar no
momento em que ele respondia, alias u’a miscelânea de sensações me envolvia,
não sabia se ria, se respondia a sério, ou se perguntava se meu amigo estava
“tirando um sarro” comigo. Mas ele falava sério...
Continuamos a conversar, explicando
eu a ele que não nos devemos sentir desse jeito exatamente porque não esperamos
por nada que ele referenciava em sua colocação, e que por isso mesmo, devíamos
é mais estarmos a estudar responsavelmente a codificação e a trabalharmos no
Bem, sem esperar agradecimentos ou reconhecimento público.
Após termos nos despedido entrei a
pensar no que ele houvera me confidenciado e a vontade de rir passou... É que
notei que uma grande parte dos Espíritas, espera sim pelo reconhecimento, ou de
serem reconhecidos por “médiuns fortes”, como se já existisse alguma academia
de musculação para o Espírito, ou mesmo de sermos chamados de religiosos à
imitação dos católicos, judeus etc. Quanta bobagem, como andamos distanciados
do pensamento do codificador. Kardec, este nunca afirmou ser o Espiritismo uma
religião senão no sentido filosófico, e queremos porque queremos esta pompa,
como se estivéssemos a querer instituir sacramentos espíritas.
De outro lado, a empáfia, o orgulho
ou a vaidade de outros tantos a demonstrar que somos os “mais bons”, isso,
melhores em bondade, como se existisse algum concurso de “Bondade Espírita” de
onde sairíamos com as faixas e cetro de reis e rainhas da bondade universal.
Das duas uma, ou
estou ficando louco, ou estou ficando ortodoxo demais, foi a única brincadeira
que fiz, silenciosamente, entre meus pensamentos. Mas o fato me deixara triste.
Passei à tarde nesse estado,
preocupado com o andar do Movimento Espírita Brasileiro, e quanto mais pensava
mais me lembrava do Mestre Herculano, quando afirmava que por causa da falta de
formação doutrinária, nosso papel era o de macacos em lojas de louças. E tive
de concordar com ele mais uma vez.
Mais ainda ao receber um mail onde o
missivista perguntava afirmando sobre a vida de burguês do papa entre outras
coisas. Acredito que devamos ter para com os outros, a mesma atitude que
queiramos deles para nós, isso quem nos diz é o segundo mandamento, relacionado
pelo Espírito Erasto entre outros. E nós ainda estamos a discutir a vida alheia
como se ela fosse o canteiro de nossa casa. É, estamos muito esquecidos da
doutrina...
Mas como tudo em matéria de
pensamento se desvanece, os meus também se esfumaçaram quando do último gol do
Fluzão, ai eu fui pra galera!
Afinal, não é todo dia que meu time
é campeão não é mesmo?
Assim, já mais
felizinho, saí à rua para esfriar a cabeça, sabendo que mesmo tendo desencarnado,
o papa é pop e carioca e que Deus é Brasileiro, como ele mesmo afirmou.
Muita
paz.
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