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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Carlos
Imbassahy
Ainda hoje a mentalidade humana está
cristalizada pela idéia da existência de um falso Deus antropomórfico criado
pelas religiões com o único fito de fazer com que os seus fieis temam a um Ente
Superior e que, como tal, teria sido o Criador dos mundos.
Para o cristão, a palavra de Deus está na
Bíblia e, baseada nela, Cláudio Ptolomeu idealizou o sistema geocêntrico, tal
como dizem – ou diziam – as Santas Escrituras: “... e Deus criou a Terra e fez
dela o centro do Universo”.
Este teria sido o grande motivo para fazer
com que Niklauss Copérnico fosse condenado à fogueira eterna e só escapou do
morrer cremado porque o destino quis que ele viesse a falecer antes da
execução. E por que a condenação? Porque estava contrariando a palavra de Deus,
garantindo que a Terra não era o centro do Universo, com a sua teoria
heliocêntrica.
Não se sabe ao certo porque os povos antigos
trocaram suas antigas crenças politeístas pela idéia de existência de um Deus
único, todo poderoso, com plenas vontades e capaz de fazer o que bem
entendesse. O politeísmo era mais racional, porque cada Deus criava as coisas
conforme suas tendências, daí a ocorrência do bem e do mal, das coisas simples
e das complexas, da vida diversificada conforme a vontade de cada deus criador
formando uma corte que obedecia a um deus supremo.
Com a extinção desse polimorfismo criativo,
a responsabilidade de fazer tudo passou a recair na vontade de um só, todo
poderoso e, se onipotente, também onisciente mas que não teria sabido discernir
o bem do mal, permitindo que os dois fossem criados para alegria de uns e
desgraça de outros, sem um critério específico.
Evidentemente, esse Deus bíblico não existe,
porque seria incompatível com sua Criação; quando muito, satisfaria às idéias
ptolomaicas de uma Terra em torna da qual tudo mais girasse, como prevêem as
Escrituras, mas que se torna total incoerentemente irracional perante o que já
se conhece a respeito da sua provável Criação, no caso, o Universo, com todo
seu esplendor e perfeição.
E teria sido, de fato, esse Universo criado
a partir da vontade de alguma Entidade Superior ou seria formado pela
necessidade de fazer com que seus componentes evolvam?
Se a Ciência, quando engatinhava em seus
parcos e precários conhecimentos, não admitia esse Deus religioso como sendo a
causa de tudo, agora, com maiores conhecimentos, ela, sem dúvida, não terá a
mínima objeção de rejeitá-Lo como causa do Universo cósmico.
Então, surge a indagação: – quem criou isso
tudo? Se é que foi criado.
Uma das hipóteses é a de que, em vez de ter
sido criado, o Universo foi transformado num sistema cósmico para que os seres
e as coisas que o compõem possam existir.
Neste caso, em vez de Criador, teríamos um
Ente Supremo que operou dita transformação. Si procede ou não tal hipótese, é
outro departamento, tão viável (ou inviável) como a idéia de um Ente divino,
com vontades esdrúxulas, a fazer coisas a seu bel prazer, sem que, para isso
tivesse qualquer motivo além desta sua vontade criadora.
O que não se pode negar é que haja um efeito
sem causa e a realidade de termos um Universo implica, incondicionalmente, numa
Ação atuante que o tenha motivado. Todavia, este Agente está muito além de ser
esse Deus medíocre das religiões, inspirado na figura humana porque sua
capacidade de ação extrapola a tudo o que se possa imaginar, para que tenha
condição de fazer com que o espaço sideral em que gravitam os astros tenha
consistência e se apresente tão perfeito e obediente a leis imutáveis que
jamais o homem poderia supor!
E, ainda assim, a hipótese de que o Universo
tenha sido transformado de outro sistema ainda perdura, porque tal Agente, com
os poderes e o domínio da pseudo criação, teria, então, ditos poderes de sobra
para agir e transformar o que antes havia no que ora existe.
E o
Universo pode, perfeitamente, não ter sido criado, mas se transformado no que é
a partir do que fora. Resta ainda a eterna incógnita: e, então, o que teria
sido?
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