|
SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo
Engraçado como alguns
integrantes do Movimento Espírita Brasileiro agem...
De um lado, arrostados à
condição de sabedores de tudo, afirmam conhecerem de todo
a codificação. Nem José Herculano Pires, tão citado, afirma tal coisa...
Afirma sim, ao
contrário, dizia-se ignorante em matéria
espírita.
Quais os desencadeadores
desses atos? Quais as reais condições desses confrades?
Ao que me cabe relatar,
segundo minhas observações, pautadas nos dizeres trazidos pelos Espíritos nas
Obras Básicas, tais amigos perderam-se nos meandros desse rio caudaloso das
sensações.
Meu julgar, ditado pelos
atos desses companheiros, vai de encontro a duas chagas que adoecem e subjugam
o homem: O Orgulho e a Vaidade.
O que me deixa estupefato é
que são pessoas ilustradas, pelo menos de saber acadêmico, diplomados nas
diversas ciências do homem. Este o problema...
Seria tão difícil assim,
para nós, que deixássemos nossos diplomas em casa ao nos dirigirmos às Casas
Espíritas, às palestras, às Salas Espíritas?
Afinal de que nos vale por
lá, esses canudos? O meu não me serve de nada, afinal, lá estou para estudar e
aprofundar o conhecimento na matéria Espírita, cátedra em que permaneço nas
primeiras letras e por isso, talvez ainda não me tenha contaminado com esses
pestilentos bacilos descritos acima.
O Mestre nos disse: “Seja o
teu falar Sim Sim, Não Não.” Repetimos isso a todo momento, mas não o
vivenciamos quando o momento azado se nos aparece. E por quê?
Simplesmente porque o
Orgulho ainda nos apetece e alimenta o Ego ensandecido.
Arrogantes, prepotentes,
viajamos nas estradas dos achaques pessoais, a Espíritos, oradores,
palestrantes, sem nem mesmo nos darmos
conta das palavras e expressões que usamos.
Que um Espírito pode errar e
que o conteúdo de suas afirmações forme no rol de suas opiniões próprias todos
sabemos. Que os Espíritos superiores, no dizer da codificação, nunca se
contradigam, porque só falam do que entendam e possam falar, é outra máxima
muito repetida. Ora meus amigos, o que nos falta então?
Falta-nos a muitos senão
todos, humildade verdadeira, aquela que
se reconhece sem o conhecimento total dos ensinos espíritas. Falta-nos a
vontade de considerarmos com verdadeira seriedade, em suma, falta-nos ser
Espíritas verdadeiros.
Encararmos as coisas como
elas se nos apresentam, e ao colocarmos nossas opiniões, posto que sejam tão
somente opiniões e que possam muito bem, sob os luzires do amanhã estarem
modificadas, sermos brandos nas palavras e REAIS nos que dizemos.
Assim, retornaremos ao caminho
Correto, enxergando no próximo um igual, estudante da mesma Escola, que pode
estar à frente ou abaixo de nós em conhecimento, mas necessariamente um igual a
nós, porque também não nascemos sabendo.
Hoje em dia colocam nos
lábios de Kardec afirmações às quais ele nunca acostaria a seus escritos. Isso
tudo com uma vilania tão grande que faz corar ao mais cínico dos cínicos.
Não sei por onde andamos,
não sei o que queremos enquanto nos dizemos Espíritas e por meio de inverdades
atacamos, criticamos sem razão a esse ou aquele.
Só sei que esse não faz o
pensar de Kardec, nunca fez, nem de Erasto, e está muito distanciado dos
ensinamentos do Rabi.
Mas minha esperança não
morre nem deslustra, sei que todos nós,
mais dia menos dia estaremos, sob as mesmas luzes, sob o mesmo apontamento, sob
as mesmas flâmulas, quais sejam: A Justiça e a Doutrina Espírita Verdadeira,
expurgando de nós todo o MAL que ainda contenhamos e fazendo todo o BEM que nos
seja possível fazer.
Nesse dia seremos, então,
todos nós, HOMENS DE BEM.
Muita
paz.
|