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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Carlos
Imbassahy
Infelizmente, no meio espírita, sempre que
alguém se refere a mundos habitados, em vez de recorrer aos estudos
científicos, cita um texto evangélico onde alega que Jesus teria dito que “no
reino do meu pai há muitas moradas” mas ninguém analisa onde deva ser este
reino julgando que se refira ao Universo.
Ora, se o Universo é a criação divina, ele
faria parte deste reino, contudo, não se pode julgar que seja o único elemento
do mesmo. Eis aí o sofisma. Além disso, as moradas poderiam não estar nele, mas
em algo mais além dele.
Ou será que vamos pensar que, na sua
grandeza, Deus só tenha criado este Universo? Embora, evidentemente, tenha-se
em conta que, para nós, ele seja a obra de nossa existência, isto é, o
continente em que habitamos dentro de seu reino.
Os Evangelhos são inteiramente omissos
quanto a isso, parecendo que só o homem seja a preocupação divina.
Talvez, por esse motivo, Kardec, ao definir
a doutrina por ele codificada, no preâmbulo da sua obra “O Que é o Espiritismo”
tenha tido um imenso cuidado de fazê-lo de forma que os leitores entendessem
que ela seja uma Ciência de conclusões filosóficas, não deixando qualquer
condição para que se alegue que seja uma doutrina evangélica voltada para os
estudos bíblicos. Ou seja, mais uma Igreja em nome do “Cristo”.
É Kardec. Dizer ao contrário resulta em
negar sua definição. Afinal, ele é o autor do trabalho e, como tal, única
autoridade para fazê-lo. Não se está inventando.
O assunto sobre a vida no Universo vem à
baila porque, durante o mês de outubro deste ano de 2004, o tema que pontificou
nos meios científicos da Astrofísica foi a informação de que o grupo de
trabalhos da equipe de Palomar acaba de descobrir mais alguns planetas
provavelmente habitados por seres ditos alienígenas, termo que, no velho Lácio,
definia “o alheio” e que veio a dar, na concepção atual, o conceito de
“estrangeiro” ou estranho.
Por decorrência, um ET será considerado
eterno alienígena porque, de fato, em existindo, pertencerá a outro mundo e,
para nós, um estranho.
Pois, lendo as últimas notícias distribuídas
pelas revistas especializadas, vamos encontrar uma curiosa reportagem
intitulada “La chasse aux exoplanètes telluriques” e que nos dá conta dessas
novas descobertas relativas a planetas, até então desconhecidos e que foram
detectados pelas sondas espaciais e pelos instrumentos considerados os mais
precisos do momento para detectar a existência dos quiçá estranhos astros do
universo através dos “HARPS” ou seja, instalações perfeitas de alta (Haute)
precisão.
E o que seriam os exoplanetas?
É um neologismo atualmente empregado – onde
o prefixo grego exo significa “fora de” – para definir os planetas encontrados
fora das órbitas solares, pertencentes a outros sistemas comandados por
estrelas diversas e que se ignorava a existência por falta de aparelhagem capaz
de observá-los.
Quanto ao termo “telúrico”, como todos
sabemos – do latim, tellus,is = Terra –, refere-se ao nosso planeta e, no caso,
entende-se como algo “exo” estranho a ele.
E o que traz de novo tal reportagem?
Exatamente aquilo que sempre defendi, embora
jamais me considerasse uma autoridade no assunto, ou seja, que a vida de
Espíritos superiores a nós não poderia se encarnar em corpos orgânicos como o
somático, que é o humano. E, como tal, estes planetas não teriam condições de
habitabilidade iguais à da Terra.
Até então, os cientistas insistiam em
procurar um astro que tivesse tais aspectos de vida idênticos ao nosso planeta
a fim de que pudessem admitir a existência de outros seres, alienígenas ou não,
habitando tais plagas. E insistiam na busca, certos de que, para ter vida,
tornava-se essencial que as condições desse astro fossem rigorosamente as
mesmas das terrenas.
Esta insistência na busca de outros planetas
idênticos ao nosso foi que causou a eterna afirmativa de que, até então, a
Ciência jamais poderia comprovar a existência de outras vidas no Universo. E
tal insistência em achar que todas as criaturas do Universo tenham que ter as
mesmas reações biológicas que possuímos jamais poderia se concretizar com os
conceitos doutrinários do Espiritismo e, como tal, sem dúvida, Kardec, mais uma
vez, estaria à frente da Ciência em suas afirmativas.
Basta nos lembrarmos, dentre muitas outras,
da assertiva do codificador de que o “perispírito” se molda às condições de
vida de cada planeta, variando segundo estes, o que, por si só, já seria uma
afirmativa de que a vida em outros mundos não é idêntica à nossa, terrena. Caso
contrário, por que se ter perispírito distinto?
Uma outra conseqüência lógica e doutrinária
é sabermos que o Espírito possui uma “densidade” psíquica correlata com seu
grau evolutivo e que, como tal, os Espíritos superiores, por este motivo, têm
enorme dificuldade de penetrar em nosso orbe planetário.
Ora, se tal ocorre, sendo estes Espíritos
mais adiantados de densidade psíquica menor – e os mais atrasados com densidade
maior – que nós, humanos, seus corpos para nele se encarnarem serão
obrigatoriamente mais sutis e perfeitos o que obriga que o meio ambiente de
vida, para se tornar compatível com eles, também seja distinto daquele em que
seres espirituais inferiores possam se encarnar.
Evidentemente, tal planeta tem que ser
correlato com este liame espiritual para que permita que os Espíritos capazes
de nele viverem tenham condições encarnatórias compatíveis com seu grau
evolutivo.
Pois, supor que só mundos idênticos à Terra
é que possuam vida, é o mesmo que admitir que o Universo não apresente mundos
superiores muito menos inferiores ao nosso e voltar à velha tese bíblica de que
Deus só tenha criado criaturas humanas. E que estas são incapazes de evolver,
permanecendo eternamente as mesmas.
Só que as pesquisas acabam de dar uma grande
guinada neste sentido, admitindo, já, que possa existir astros no Universo
distintos da Terra com vidas diferentes e que, como tal, obedecendo a outros
conceitos existenciais. No caso, não seria a química orgânica que ditaria a
biota destes planetas, mas um novo sistema de cadeias de elementos químicos que
constituiriam o organismo de ditos alienígenas ou exoterráqueos. E
provavelmente, uma “alquimia” distinta e superior ao nosso conhecimento.
Foi dado o primeiro passo para tornar o
conceito de vida fora do nosso sistema planetário compatível com a evolução
espiritual de seus habitantes, como prevê a doutrina espírita e não como supõe
a Bíblia e os evangelistas de que Deus só teria feito a criatura humana como
sua obra e arte para povoar a imensidão por Ele criada. E num único planeta.
Enquanto o movimento espírita, negando
Kardec, continuar atido ao movimento evangélico da Igreja, seguindo mensagens
mediúnicas que não obedeçam ao critério universal porque são ditadas por uma
única Entidade sem a confirmação da generalidade, jamais conseguirá levar aos
cientistas a mensagem que o mestre lionês tentou passar ao nos legar a
codificação.
É
preciso que deixemos de lado o fanatismo e a adoração por determinadas figuras
que nos consolam – e que, como tal, só fazem bem a nós – para que raciocinemos
perante as verdades que se descortinam ante as novas descobertas e que jamais
serão alcançadas por nós se insistirmos em nos permanecer ligados a tradições
religiosas consoladoras porque a nós nos é muito mais agradável este consolo do
que o trabalho exaustivo do pensamento em estudar aquilo que foi escrito e estabelecido
pelos responsáveis que ditaram ao nosso codificador a orientação da doutrina
Espírita.
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