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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Carlos
Imbassahy
Quando Allan Kardec, em 1868, um ano antes
de desencarnar, fez publicar aquela que seria a última edição dos seus livros
espíritas revista por ele, teve o cuidado de redigir o item 35 do Capítulo III
de “O Livro dos Médiuns” onde fez constar a relação da ordem pela qual o
neófito no estudo doutrinário deveria começar para conhecer a codificação. E
colocou o livro “O Que é o Espiritismo” em primeiro lugar, justamente aquele
que os evangélicos e os roustaingistas excluem da sua relação que resolveram
chamar de “Pentateuco Espírita”, num plágio ao Velho Testamento.
Estranho, mesmo.
De fato, neste livro, não há nenhum amparo
para esta inovação espiritual que tentam dar o Espiritismo tentando
transformá-lo em uma seita docetista; aí, Kardec é incisivo, a partir da
própria definição que dá, no Preâmbulo, do Espiritismo não o classificando como
sendo nem uma doutrina cristã, muito menos religiosa voltada para os textos
sagrados.
E é sobre esta definição que reside a sabedoria
do codificador: se analisarmos a atualidade e as descobertas científicas no
campo da Astrofísica, iremos ver que, de fato, a doutrina tinha um outro
objetivo do qual os místicos apreciadores das Santas Escrituras estão tentando
dar a ela.
O Espiritismo é uma porta aberta, de acordo
com a codificação verdadeira, para levar os ensinamentos de Jesus aos sábios e
estudiosos que começam a desvendar os “mistérios da eternidade” no estudo da
formação do Universo.
Mas, se tirarmos o Espiritismo deste rumo
para transformá-lo em mais uma seita evangélica, como inúmeras que pululam
entre nós, ele passará a ser mais um formador de mentalidade cristã, nos moldes
da Igreja, sem atingir aos seus verdadeiros objetivos e para o que tenha sido
endereçado.
Kardec, ainda, no mesmo item 35 já referido,
enquadra em quarto lugar para os devidos estudos doutrinários uma coletânea
(recueil) que ele elaborou, após ter escrito “A Gênese”, com artigos extraídos
da Revue Spirite, grupando os assuntos em capítulos ou tomos, como ele os
chama.
Isto prova, portanto, que tal item fora
escrito após ele completar toda sua obra doutrinária e não quando redigiu a
primeira edição deste seu livro.
Evidentemente, porém, a codificação é
expressa por todos os seus livros e demais escritos embora o destaque seja dado
para os quatro citados no item 35, mas, sem as obras complementares a estas
quatro – inclusive “O Céu e o Inferno”, livro que raríssimos leram e um número
ínfimo de espíritas conhecem –, não se pode ter atingido ao objetivo de Kardec.
A codificação é um todo e que se amplia com
os depoimentos espirituais que não advenham de um só médium, mas da
generalidade de todos os Espíritos informantes. Esta é a objeção que faz
Kardec: não aceitar opinião de uma só Entidade se esta não for generalizada
pelas demais.
Mas o ponto crucial da renovação doutrinária
está na afirmativa de Kardec que o espiritismo se modificará e será adaptado
aos novos conceitos da Ciência, descobertos pelos pesquisadores.
Aí é que está o referencial que devemos
observar e não em mensagens diversas de Espíritos avulsos que venham nos dizer
que há vida em Marte, que a Terra é uma bola de fogo que se desprendeu do Sol,
que nossa civilização é compostas de exilados de outros astros sem a menor
comprovação, enfim, que Deus é que comanda tudo segundo sua vontade, caindo na
terrível e eterna contradição de que se Ele é o todo poderoso, por que
permitiria a existência do mal? E se é sábio, supremo, por que não previu que
os Espíritos, criados simples e ignorantes, sendo-lhe dado o livre arbítrio,
poderiam sair do caminho evolutivo do bem em busca do mal?
Neste ponto, sim, o Espiritismo há que
encontrar novos rumos, com as descobertas científicas e tudo indica que os
astrônomos estão a um passo de comprovar a existência da Espiritualidade e sua
atuação para elaborar o Universo em toda a sua plenitude, na formação de cada
mundo, de cada elemento que o componha.
A “Teoria do Nada” é o primeiro passo para
isso. E já foi assunto abordado.
Mas,
para acompanhar o conhecimento das novas descobertas é preciso que se estude e
nisso, de fato, os Evangelhos levam grande vantagem, porque, perante sua
filosofia, Jesus está aí para premiar todos aqueles que lhe sejam fiéis,
indistintamente, sem maiores esforços, enquanto que, pelos estabelecimentos da
lei do progresso que leva o Espiritismo a novos rumos atualizados, o comodismo
dos adoradores de Jesus será um grande entrave e jamais o Espiritismo, dessa
forma, poderá satisfazer àquilo que Kardec determinou para que também a
doutrina por ele codificada acompanhasse o progresso do conhecimento e a
evolução de nosso sistema.
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