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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Carmem
Imbassahy
Lógica – o estudo do grupo das ciências filosóficas cuja
origem data da Grécia –, onde o raciocínio é que define o que seja certo e o
que não seja, não encontra uma definição dicionarística que se possa considerar
como sendo “lógica”.
Os fundamentos estabelecidos por Aristóteles
a respeito desta ciência nos diz que ela preside o método de estudo e a
coerência com a compreensão humana.
De fato, nenhum dicionário foi capaz de
definir seus conceitos, mas, instintivamente, todos sabem o que vem a ser
lógico e ilógico.
Embora as enciclopédias garantam que o
termo, advindo da Grécia, entrou em nosso idioma através do latim, a verdade é
que não se encontra nenhum registro a seu respeito nos grandes escritores da
velha Roma. Apenas Cícero se refere ao estudo grego da lógica como sendo a
dialectica romana. Em síntese, dialética, outro termo grego que se refere à
arte de argumentar. É, para tal, sem dúvida, a lógica dos esclarecimentos.
Porém, não é a lógica que aqui será discutido,
afinal, é um conceito perfeitamente compreensível por todos; o que se vai
abordar é a filosofia da Lógica como fundamento de tudo o que exista no
Universo.
Em palavras sucintas, o que há no Universo,
tudo, sem exceção, tem lógica para que exista, a fim de que o próprio Universo
também exista com tanta perfeição.
Essa idéia é uma corrente nova, de
pensamento, que surgiu no início do século passado, onde seus pregadores
analisam a existência de tudo procurando a lógica disso, para que possam
entender o seu porquê.
Curiosamente, vamos encontrar Jacques
Herbrant, pensador francês que viveu em fins do século XIX e início do século
XX, estabelecendo uma correlação, na sua obra “Teorema Fundamental na Lógica”
desta ciência filosófica com os princípios exatistas das ciências matemáticas,
admitindo ainda que seja a Lógica a explicação de todas as coisas existentes,
por isso, o homem, não sabendo ele próprio explicar os fenômenos da vida,
atribuem-no a um Criador que é responsável pela nossa incapacidade lógica de justificarmos
nossa própria existência.
Primeiramente, o que seria a teoria da
lógica na vida?
Em síntese, o que se pode dizer é que,
segundo esses pensadores, todo o problema humano residiria em encontrar a
lógica para justificar o fato ou a coisa em si. Tudo teria lógica, para que se
possa esclarecer a perfeição divina da criação.
O que vem a ser o grande erro dos homens é
estabelecer-se tabus e dogmas, justificando com hipóteses e crenças sem o apoio
da razão, intimamente ligada à lógica, aquilo que ele não foi capaz de entender
ou esclarecer. E justamente porque não procurou a lógica de ser, preferindo
optar por fundamentos nada fundamentados e calcados em crenças religiosas, é
que teria idealizado um Deus segundo tais crenças.
Seria esta, pois, uma concepção dogmática a
respeito da existência do Grande Criador de tudo e responsável pela formação do
Universo como sendo uma figura ilógica, humana ou pseudo-humana, agindo como se
fosse um de nós, possuindo nossos “defeitos” ou possíveis predicados, porque a mentalidade
humana só é capaz de conceber algo correlato com sua existência e quando um
“pensador” idealisa alguma imagem distinta, passa a se considerar como sendo
mera ficção.
Como reagiria Herbrant e os buscadores da
lógica ante a declaração de Kardec, de que “Deus nunca nos abandona”? Seria
mera justificativa para a alegação de que todos nós tenhamos um protetor amigo
na Espiritualidade para nos ajudar em momentos difíceis? Ou interpretaria ele
como sendo mais uma falta de argumento lógico para explicar as tendências
protetorais de que o homem tanto necessita?
De fato, é uma posição assaz difícil de
analisar, esta afirmativa, correlata com a ação de Deus, porque,
analiticamente, ao estabelecer os princípios fundamentais da existência do
Universo, segundo a Ciência, a “causa” disso tudo já teria deixado as leis
estabelecidas para serem cumpridas e não mais lhe caberia senão fazê-las
cumprir. E esta “causa” tida como Agente Supremo nada se assemelha ao dito
“Deus” evangélico, religioso, preocupado, apenas, com a humanidade, sua obra
divina de criação, de acordo com seus textos.
Sem dúvida, é muito cômodo ao homem culpar
Deus por tudo o que aconteça na Terra.
E nós, pelo contrário, com o determinismo e
o livre arbítrio, pelas nossas ações, evidentemente, passaríamos a construir o
progresso universal, em vez de atribuirmos tudo à vontade divina.
Faltou a Herbrant a compreensão das vidas
sucessivas, na análise do Teorema da lógica por esse aspecto, senão, ele
poderia ter tirado ilações bem mais profundas acerca das existências, já que
sua postura é deveras curiosa.
No capítulo VII de “Céu e Inferno”, em seu
“código penal da vida futura” ainda, complementa Kardec com uma observação
bastante e sempre lógica, cheia de exemplos vivenciais que testemunhamos a cada
momento, como o daquele espírita que caiu numa vida de orgias e advertido pelos
seus colegas, comentou que teria outras existências pela frente para cuidar dos
princípios doutrinários. Este, evidentemente, é daqueles que, além de não terem
pressa para chegar, pensam que, aproveitando as oportunidades efêmeras de uma
existência, apenas usufruirão estes prazeres mundanos que a nada levam,
marcando passo para que alcance a verdadeira glória da vida, sem pagarem pelo
ônus do fato.
É como diz uma observação anexa: o infeliz,
um dia acaba compreendendo que só depende dele fazer cessar a rota dos erros
para encontrar o caminho certo e, como tal, os guias espirituais, os que atuam
discretos, sem interferir em nossa conduta, procurando, de alguma forma nos
orientar, nesse momento, se fazem presentes e aí está o que Kardec chama de
“ajuda de Deus”.
E teria lógica em se admitir que Deus,
deixando-nos agir à má troca, iria nos ajudar posteriormente, como se sentisse
responsável pelos nossos erros?
O que se quer destacar é o jogo da lógica
perante o Espiritismo e as análises do codificador.
Mais uma vez, o estudo leva à eterna análise
entre o dogma da salvação pregado pelos evangélicos e a justiça divina, onde,
cada qual tem que se remir pelo seu próprio esforço, mas, no texto acima
destacado, numa tentativa inglória, Kardec tenta justificar a sabedoria divina,
pressupondo que Deus, de antemão, já saberia a escolha que faz cada alma por
Ele criada simples e ignorante. Seria a sua presciência. Mas aí, teríamos que
admitir que, pelo Teorema da Lógica, faltaria lógica à Criação em sua
presciência, porque, ou teria feito todas as criaturas simples e ignorantes,
ou, pelo pré-determinismo, cada uma já teria sido moldada dentro das
necessidades essenciais para atuar no mundo com a finalidade precípua de agir
sob forma programada com uma finalidade específica.
E isto seria a conclusão óbvia a partir da
afirmativa do próprio Kardec, ao final da sua observação, quando comenta que
“Deus sabe que esta alma pecará e, portanto estará previamente condenada a
torturas infindas” logo, em sua elaboração, já estaria programado seu destino
pelo próprio Deus.
Seria esta a Lógica matemática com seu
teorema fundamental, estabelecida, como já comentamos. Mas, convenhamos: nada
satisfatória para nossa parca e restrita compreensão.
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