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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Meus amigos,
neste pequeno estudo tento,
escusada a minha imperícia para com as palavras e o pouco conhecimento
adquirido da Doutrina dos Espíritos, conversar com vocês acerca de tema
interessante mas ainda muito controverso no meio do Movimento Espírita.
Busquem em suas mentes, vasculhem suas memórias e me digam
os amigos já têm como certa e pacificada
a firmação de que homens teriam sido antes, no começo do começo, animais?
Por certo essa resposta sincera e lúcida nos vem de
acordo e não nos afirma senão as nossas dúvidas. Uns asseveram que sim, outros
que não. Este o cerne de nosso ensaio, que com a ajuda de vocês, tento
esclarecer.
O Livro dos Espíritos, em suas duas edições, tráz-nos, a
nós, perguntas feitas pelo codificador a grande número de Espíritos, estes
houveram de respondê-las dentro do que sabiam e do que podiam falar no estreito
limite de nossas apreensões humanas. Assim é que a dúvida ainda persiste entre
nós, espírita.
Se de um lado, a tônica tende para asseverar no matiz
supremo da verdade, esta que ainda não podemos alcançar, deixando então, nas
entrelinhas, apenas conjecturas ou hipóteses, do lado dos que afirmam o
contrário, ainda não encontramos uma narrativa excelente, que nos vá conduzir à
resposta e é nesse sentido que tento enfocar o trabalho que hora lhes entrego
ao estudo.
Gostaria de entremear este estudo com os itens das Obras
Básicas, que enfocam o assunto, para tal, venho de municiar-me tão somente da
Obra catalogada pelo título “O Livro dos Espíritos”, trago das duas edições do
mesmo, o assunto, nas colocações em sua íntegra, para depois enfocar o ponto de
vista desse amigo de vocês. Então comecemos.
Capítulo IV
PRINCÍPIO VITAL
I – SERES ORGÃNICOS E INORGANICOS
“Os seres orgânicos são os
que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima, que lhes dá a vida;
nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para
a realização dos diferentes atas da vida e apropriados às necessidades de sua conservação.
Compreendem os homens, os animais e as plantas.
Os seres inorgânicos são
os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas
pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar, etc.” (Livro dos
Espíritos)
66. “O princípio vital é o
mesmo para todos os seres orgânicos?
– Sim, modificado segundo
as espécies. E ele que lhes dá movimento e atividade, e os distingue da matéria
inerte: pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento,
não o produz.”
Comentário: como vemos, houve modificações variadas e
em todas as espécies, tais modificações, importa explicar, trazem novo
elemento, este totalmente desconhecido antes, que não se adita aos
anteriormente conhecidos, tornando-se elemento novo, sendo, por assim dizer, o
zênite, de novas construções. Os elementos que os constituíram, continuam a
existir, seguindo a ordem normal daquelas espécies, pois não há, sob o manto
Justo e Bom de Deus, necessidade de que aquelas espécies viessem a deixar de
existir.
III – INTELIGÊNCIA E INSTINTO
71. A
inteligência é um atributo do princípio vital?
– Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo
mais do que vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois
um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência só pode manifestar-se
por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à
matéria animalizada.
A inteligência é uma faculdade especial, própria de
certas classes de seres orgânicos, aos quais dá, com o pensamento, a vontade de
agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os
meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover as suas
necessidades.
Podemos fazer a
seguinte distinção: 1.º) os seres inanimados, formados somente de matéria, sem
vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2.º) os seres animados
não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de
inteligência; 3.º) os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de
vitalidade, e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de
pensar.
Comentário: Por mais que alguns de nós queiramos,
quer pelo imenso amor que nutramos por nossos animais de estimação, ou
mesmo pela capacidade de que algumas
espécies são dotadas (espécie de inteligência, ainda em estado de rubor e só
atinente para as coisas da matéria), a distinção feita, à qual dei de minha responsabilidade
a cor castanha, demonstra explicitamente que os Espíritos e o próprio
codificador na exposição feita, entendem ser dos homens, essa inteligência
apregoada na fala dos espíritos. Animais não pensam, apenas respondem às indicações
a que são condicionados. Seus atos inteligentes estão na razão direta de sua
vida material, por isso não têm como nós
o Livre arbítrio que o conhecimento intrínseco que todos nós detemos de Deus, e
os condutos de intelectualidade e moral alargados e em ação, desta maneira, não
vige para eles a lei de Causa e Efeito, tal como vige para nós.
Entramos
agora em capítulo introdutório do Livro Segundo em O Livro dos Espíritos.
MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
Capítulo I
DOS ESPÍRITOS
I – ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS
76. Como podemos definir os Espíritos?
– Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes
da Criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material.
NOTA – A palavra Espírito é aqui empregada para
designar os seres extracorpóreos e não mais o elemento inteligente Universal.
Comentário: Como
a resposta dada pela Espiritualidade é taxativa quanto ao quesito
inteligência, de plano concluímos que esta se trata da faculdade que somente o
Espírito encarnado detém, sobressaindo este, em o Reino Animal, exatamente por
sua obra intelectiva e moral, atributos que por assim dizer, formam, no Reino
Animal, o que muitos de nós temos como Reino Hominal, este puramente
moral. Atentem para a nota, pois esta
esclarece e coloca de certo, aclarada nossa percepção.
Estudemos agora, o que nos
trás parte constante do capítulo onze da mesma obra supra citada.
Livro Segundo - Capítulo XI
OS TRÊS REINOS
II – OS ANIMAIS E O HOMEM
592. Se comparamos o homem
e os animais, em relação à inteligência. parece difícil estabelecer a linha de
demarcação, porque certos animais têm, nesse terreno, notória superioridade
sobre certos homens. Essa linha de demarcação pode ser estabelecida de maneira
precisa?
– Sobre esse assunto os
vossos filósofos não estão muito de acordo. Uns querem que o homem seja um
animal, e outros que o animal seja um homem. Estão todos errados. O homem é um
ser à parte, que desce às vezes muito abaixo ou que pode elevar-se muito alto.
No físico, o homem é como os animais e menos bem provido que muitos dentre
eles; a Natureza lhes deu tudo aquilo que o homem é obrigado a inventar com
a sua inteligência, para prover às suas necessidades e à sua
conservação. Seu corpo se destrói como o dos animais, isto é certo, mas o seu
Espírito tem um destino que só ele pode compreender, porque só ele é
completamente livre. Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos!
Não sabeis distinguir-vos deles? Reconhecei o homem pelo pensamento de Deus.(grifo
e cor nosso)
593 Podemos dizer que os
animais só agem por instinto?
– Ainda nisso há um sistema. É bem verdade que o
instinto domina na maioria dos animais: mas não vês que há os que agem por uma
vontade determinada? É que têm inteligência, porém ela é limitada.
Além do instinto, não se poderia negar a certos
animais a prática de atos combinados, que denotam a vontade de agir num sentido
determinado e de acordo com as circunstâncias. Há neles, portanto, uma espécie
de inteligência, mas cujo exercício é mais precisamente concentrado sobre os
meios de satisfazer às suas necessidades físicas e prover à conservação. Não há
entre eles nenhuma criação, nenhum melhoramento; qualquer que seja a arte que
admiremos em seus trabalhos, aquilo que faziam antigamente é o mesmo que fazem
hoje, nem melhor nem pior, segundo formas e proporções constantes e
in-variáveis. Os filhotes separados de sua espécie não deixam de construir o
seu ninho de acordo com o mesmo modelo. sem terem sido ensinados. Se alguns são
suscetíveis de uma certa educação, esse desenvolvimento intelectual, sempre
fechado em estreitos limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza
flexível, pois não fazem nenhum progresso por si mesmos, e esse progresso é
efêmero, pura-mente individual, porque o animal, abandonado a si próprio, não
tarda a voltar aos limites traçados pela Natureza.
600. A alma do animal, sobrevivendo ao corpo, fica
num estado errante, como a do homem após a morte?
– Fica numa espécie de erraticidade, pois não está
unida a um corpo. Mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um
ser que pensa e age por sua livre vontade; o dos animais não tem a mesma
faculdade. E a consciência de si mesmo que constitui o tributo principal do
Espírito. O Espírito do animal í classificado após a morte, pelos Espíritos incumbidos
disso, e utilizado quase imediatamente: não dispõe de tempo para se pôr em
relação com outras criaturas.
601. Os animais seguem uma lei progressiva, como os
homens?
– Sim, e é por isso que nos mundos superiores, onde
os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios de
comunicação mais desenvolvidos. São, porém, sempre inferiores e submetidos aos
homens, sendo para estes servidores inteligentes.
Nada há nisso de extraordinário. Suponhamos os nossos
animais de maior inteligência como o cão, o elefante, o cavalo, dotados de uma
conformação apropriada aos trabalhos manuais, o que não poderiam fazer sob a
direção do homem?
602. Os animais progridem como o homem, por sua
própria vontade, ou pela força das coisas?
– Pela força das coisas; e é por isso que, para eles,
não existe expiação.
603. Nos
mundos superiores, os animais conhecem a Deus?
– Não. O homem é um deus para eles, como antigamente
os Espíritos foram deuses para os homens.
604. Os animais, mesmo aperfeiçoados nos mundos
superiores, sendo sempre inferiores aos homens, disso resultaria que Deus
tivesse criado seres intelectuais perpetuamente votados à inferioridade, o que
parece em desacordo com a unidade de vistas e de progresso que se assinalam em
todas as suas obras?
– Tudo se encadeia na Natureza, por liames que não
podeis ainda perceber, e as coisas aparentemente mais disparatadas têm pontos
de contato que o homem jamais chegará a compreender, no seu estado atual. Pode
entrevê-los, por um esforço de sua inteligência, mas somente quando essa
inteligência tiver atingido todo o seu desenvolvimento e se libertado dos
preconceitos do orgulho e da ignorância poderá ver claramente na obra de Deus.
Até lá, suas idéias limitadas lhe farão ver as coisas de um ponto de vista
mesquinho e acanhado. Sabei que Deus nunca se contradiz e que tudo, na Natureza,
se harmoniza através de leis gerais, que jamais se afastam da sublime sabedoria
do Criador.
604-a. A inteligência é assim uma propriedade comum,
um ponto de encontro entre a alma dos animais e a do homem?
– Sim, mas os animais não têm senão a inteligência da
vida material; nos homens, a inteligência produz a vida moral.
605. Se considerarmos todos os pontos de contato
existentes entre o homem ê os animais, não poderíamos pensar que o homem possui
duas almas: a alma animal e a alma espírita; e que, se ele não tivesse esta
última, poderia viver, mas como os animais? Dizendo de outra maneira: o animal
é um ser semelhante ao homem, menos a alma espírita? Disso resultaria que os
bons e os maus instintos do homem seriam o efeito da predominância de uma ou de
outra dessas duas almas?
– Não, o homem não tem duas almas, mas o corpo tem os
seus instintos, que resultam da sensação dos órgãos. Não há no homem senão uma
dupla natureza: a natureza animal e a espiritual. Pelo seu corpo, ele participa
da natureza dos animais e dos seus instintos; pela sua alma, participa da
natureza dos Espíritos.
607. Ficou dito que a alma do homem, em sua origem,
assemelha-se ao estado de infância da vida corpóreos, que a sua inteligência
apenas desponta e que ela ensaia para a vida. (Ver item 190). Onde cumpre o
Espírito essa primeira fase?
– Numa série de existências que precedem o período
que chamais de Humanidade.
607-a. Parece, assim, que a alma teria sido o
princípio inteligente dos seres inferiores da criação?
– Não dissemos que tudo se encadeia na Natureza e
tende à unidade? É nesses seres, que estais longe de conhecer inteiramente, que
o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco, e ensaia
para a vida, como dissemos. E, de certa maneira, um trabalho preparatório, como o da
germinação, em seguida ao qual o princípio inteligente sofre uma transformação
e se torna Espírito. É então que começa para ele o período de humanidade, e com
este a consciência do seu futuro, a distinção do bem e do mal e a
responsabilidade dos seus atos. Como depois do período da infância vem o da
adolescência, depois a juventude, e por fim a idade madura. Nada há, de resto,
nessa origem, que deva humilhar o homem. Os grandes gênios sentem-se humilhados
por terem
sido fetos informes no ventre materno? Se alguma
coisa deve humilhá-los, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência
para sondar a profundeza de seus desígnios e a sabedoria das leis que regulam a
harmonia do Universo. Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia
que faz a solidariedade de todas as coisas na Natureza. Crer que Deus pudesse
ter feitio qualquer coisa sem objetivo e criar seres inteligentes sem futuro,
seria blasfemar contra a sua bondade, que se estende sobre todas as suas criaturas.
Comentário:
Após toa essa exposição de motivos acima elencada, sabendo-se que partiram de
Espíritos de Escol, entendendo-se como estes, como aqueles a quem o próprio
codificador elenca como sendo os que “nunca se contradizem”, não há o que
possamos conjeturar contrariamente. Se de um lado, em nosso atual estágio, não
temos senão vetor de verdade, não tendo também a Espiritualidade se manifestado
através dos tempos, em contrariedade ao que antes houvera proposto como sendo
verdade, fica esse amigo de vocês, justo
na certeza de que advoga o sentido correto, aliado às colocações de Espíritos
que foram como sabemos, comandados pelo Espírito de Verdade, a quem São Luis e
Erasto, Espíritos da mais alta linhagem dizem ser Jesus, nosso Modelo e Guia.
Gostaria,
como fecho, colocar aqui o constante na
pergunta de número cento e vinte e sete da primeira Edição de O Livro dos
Espíritos:
“A alma do
Homem não teria sido primitivamente o Princípio Vital de ínfimos seres vivos da
Biocriação, que chegou ex-vi de lei progressiva, até o ser humano, percorrendo
os diversos graus da escala orgânica?”
“Não! Não!
Os Espíritos, homens somos desde natos.
Cada ser
vivo só evolui na sua espécie e em sua essência. O Homem não foi jamais outro
senão homo.”
Neste ponto, em que encerro o enunciado de minha convicção, não
querendo, como já o afirmei acima, deter o condão de portador da verdade
absoluta, que reconheço não ter, apenas faço deste pequeno ensaio, tal como
Kardec o atesta no finalizar do capítulo III item trinta e cinco de O Livro dos
Médiuns:
“Não queremos nem temos a pretensão de sermos os
portadores das luzes da verdade, apenas colocamos um tijolo a mais na
construção...” Seja o tijolo, por este amigo de vocês colocado, apenas o início
de mais um belo e importante estudo de todos nós, no interesse de todos nós e
sob a égide da doutrina que reconhecemos todos, ser, dos Espíritos.
Muita
Paz.
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