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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
José Herculano Pires, escritor e espírita dos mais
considerados, já nos brindou com os mais variados livros e ensinamentos, em
seus artigos, nos trouxe a doutrina Espírita como esta deveria ser encarada,
autor de várias frases de efeitos, algumas se tornaram bordões. Delas uma
basilar, ao se referir ao Movimento Espírita Brasileiro, diz ele: “Esse pobre
Movimento Espírita”.
Não há, nessa frase, nada desassociado da verdade,
visto que muitos em nosso movimento espírita, não se preocupam com a gravidade
e seriedade da Doutrina e nem com o seu aprendizado. Assim, obram e carreiam
para erros, muitos que os tentam, seguir.
Nesse pormenor, iremos tratar de tema que tem sido
pedra de tropeço para muitos iniciantes na doutrina, pois que, conduzidos por
cegos, não aprendem segundo a codificação, por outra, inoculam-se dos
pestilentos vermes do “achismo”, que já houveram de contaminar seus
“professores”.
Há hoje, em meio dos espíritas, uma legião de
católicos espíritas, quero dizer, de pessoas, que em se dizendo espíritas, mas
ainda tendo como boas certas noções
erradas das palavras do Mestre, carreiam para o seio do Movimento Espírita
Brasileiro, erros crassos de entendimentos, hauridos da forma desinteressada
que encaram o estudo doutrinário e a própria forma de dizer a Doutrina
Espírita.
Vamos falar sobre um desentendimento da palavra do
Rabi, que esses irmãos estão por divulgar.
Falamos do “Não julgueis”. Na verdade a frase inteira
é esta: “Não julgueis para não serdes julgados, pois com o mesmo peso que
julgardes sereis julgado”.
Esta explicação de Jesus, nunca teve o caráter que
esses irmãos tentam observar e proclamam como verdade suprema: O da consagração
da inação, da omissão. Fazem isso muitas vezes, para se auto protegerem das necessárias
e esperadas intervenções de colegas de doutrina que os querem fazer enxergar
melhor. Assim ditam o “não julgueis”, como determinação do Rabi, aos condutos,
ofertados por Mais alto ao homem, quando da Individualização do Princípio
Inteligente. A capacidade de obrarmos pela Razão, raciocinadamente. Esse fator
é o que nos diferencia dos animais, sim, estes mesmos com quem convivemos no
Reino Animal do qual fazemos parte integrante.
Invertem o significado do verbo Julgar, dão-lhe
conotação de apenamento, coisa que tal verbo, nunca teve, e distancia-se
diametralmente dessa visão míope.
Assim dou-me por comentar tal fato, para isso
torna-se dentro do aspecto desse tema, e como vi alguns se reportando ao
célebre "Não julgueis" colocar estas linhas.
Onde, em todo o Evangelho, ou por outra, em toda a codificação, lemos
que não nos é indicado julgar?
Não estaremos aditando ao comportamento de julgar, também a apenação?
Lembro que apenar é verbo de significado diferente do julgar e para tal
aqui posto sua conotação.
Dicionário Aurélio Buarque :
Apenar:
[De a-2 + pena2 + -ar2.]
V. t. d.
1. Condenar a pena2; castigar, punir.
2. Fazer sofrer; supliciar.
Dessa maneira, temos duas posturas diferentes, uma a de julgar para qual
coloco aqui as referências do dicionário
Aurélio:
JULGAR
[Do lat. judicare.]
V. t. d.
1. Decidir como juiz ou árbitro: 2
2. Dar sentença, sentenciar.
3. Supor, imaginar, conjeturar: 2
4. Formar opinião sobre; avaliar: 2
V. t. d. e i.
5. P. us. Dar,
adjudicar: 2
6. P. us. Sentenciar,
condenar: 2
V. transobj.
7. Ter na conta de; reputar, considerar: & &
V. t. i.
8. Formar juízo crítico; avaliar, apreciar, ajuizar: 2
V. int.
9. Pronunciar sentença; sentenciar, decidir.
V. p.
Assim, depois de explicadas as duas palavras, me prendo somente ao
julgar, que é o mote desse nosso artigo.
A passagem do Cristo, nos quer chamar a atenção para duas coisas:
1- para que antes de tudo, conheçamos da Lei que rege o fato;
2- para que conheçamos do fato em si.
Desta forma, estamos aptos para exercer o julgamento em toda sua
plenitude, pois ao contrário, se assim o fizermos sem o necessário conhecimento
indicado acima, emitiríamos um prejulgamento, esse sim atentatório ao ditame do Rabi.
Não sei de onde veio, talvez do religiosismo roustainguista, encampado
pela FEB e alastrado por muitos espíritas, essa história que não devamos julgar
pois como acima está descrito , no
verbete, julgar tem também, a conotação de :
7. Ter na conta de; reputar, considerar: & &
V. t. i.
8. Formar juízo crítico; avaliar, apreciar, ajuizar: 2
Logo, não encontra subsídio, em nossa língua, a falsa premissa de um
julgar que também condene, posto que são posturas únicas e que não se
entrelaçam. primeiro se toa ciência, reputa-se, considera-se, forma-se um juízo
de valor (Julgar ), para que depois se nos for da posição, elenquemos a pena a
ser cominada ao delito previsto na lei.
Se não somos juízes não podemos apenar( dar ou emitir sentença), mas
como todo e qualquer ser humano, espírito encarnado, que se distancia dos
animais exatamente pelo raciocínio, razão e Livre Arbítrio, conhecendo do fato
delituoso, e da Lei que o rege, qualquer de nós pode e deve, julgar.
Antes de continuarmos, torna-se importante que aqui reproduzamos algumas
lições da codificação que podem ser, por
todos, achadas nas O Evangelho Segundo O
Espiritismo e em O Livro Dos Espíritos, das quais pinçamos:
1- Capítulo X, item V:
Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso
adversário, enquanto estais com ele a caminho, para que ele não vos entregue ao
juiz, o juiz não vos entregue ao ministro da justiça e não sejais metido em
prisão. - Digo-vos, em verdade, que daí não saireis, enquanto não houverdes
pago o último ceitil.
(S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26.)
Respondam-me
os amigos leitores: Qual o fator de reconciliação, no caso de uma falta
cometida, por divulgação errada da doutrina e que irá alastrar o prejuízo a ser
causado, por sua propagação continuadamente errada?
Corretos
os que responderam: O chamamento ao divulgador ou professor, que assim os
cometa, à compreensão e Esclarecimento do tema em que ele obra em erro.
Exatamente
assim, sem tirar nem por. Para isso terá quem os vá avisar, de primeiramente,
conhecer do fato errado e mais, conhecer da Lei que rege a tal fato.
Difícil?
Não, basta apenas que se estude a doutrina, somente isso.
Dessa
forma, após um Julgamento do mérito, forma-se um juízo de valor, e
conhecendo-se do ponto abordado no ensino que se tenha feito erroneamente, o
chamar àquele que assim o tenha feito, para a realidade do ditame ou do postulado enunciado em erro.
1- Capítulo X item VII:
Se, portanto, quando
fordes depor vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem
qualquer coisa contra vós, - deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes,
reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então, voltai a oferecê-la. - (S.
MATEUS, cap. V, vv. 23 e 24.)
Segue-se
parte importante na explicação dos Espíritos:
“Quando diz:
"Ide reconciliar-vos com o vosso irmão, antes de depordes a vossa oferenda
no altar", Jesus ensina que o sacrifício mais agradável ao Senhor é o que
o homem faça do seu próprio ressentimento; que, antes de se apresentar para ser
por ele perdoado, precisa o homem haver perdoado e reparado o agravo que tenha
feito a algum de seus irmãos...)
Ora, Se a nossa oferenda é
tão somente o ensino, melhor se faz, quando o fazemos com consciência e
responsabilidade. Assim existe para qualquer que se aventure a explicar ou
ensinar a doutrina, que este a conheça bem, no ponto que se propõe ensinar.
Ensino errado não educa,
não esclarece, portanto é contrário a todo o apregoado pela Doutrina Espírita.
Se o nosso ensino pode vir
a ser a pedra de tropeço para quem o siga, exatamente por pregarmos o que não
conheçamos bem, que antes de o levarmos aos ouvidos e mentes dos outros, pelo
menos apuremos a exatidão do que nos quer passar, primeiramente.
O Parâmetro de
reconciliação para quem haja de ter ensinado errado é exatamente a Hombridade
de rever o erro trazendo o conteúdo correto para o estudo.
Importa ainda, trazermos
da obra O Livro dos Espíritos, outros trechos que nos servem de base aos
comentários já colocados.
1-
Capítulo VIII;
item II; pergunta 779
“O homem tira
de si mesmo a energia progressiva ou o progresso não é mais do que o resultado
de um ensinamento?
– O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente,
mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que os mais
adiantados ajudam os outros a progredir, pelo contato social.”
Essa instrução dos
Espíritos, nos faz entender que nossas ações estão sob a égide de no mínimo
quatro leis:
Lei de Causa e Efeito, Lei
de Caridade e Amor, Lei da Necessidade e Lei do Progresso.
Vemos ai a importância que
devamos dar a qualquer de nossas ações, mormente quando essas se fizerem no
campo da instrução.
Doutrina Espírita é coisa
séria e grave, já o disseram vários Espíritos. Desta forma, tornamo-nos
solidários para com as penas a quem venham ser incursos, todos aqueles aos
quais tenhamos ensinado sabidamente ou não, em erro.
A propositura da
divulgação doutrinária sob a égide de estudo é coisa séria, devendo só ser realizada
com apuro, denodo e conhecimento, fora disso é conduzir-se ao erro,
contingentes inteiros de colegas de ideal que em nós colocam sua confiança.
E por que usei, entre
outras, a palavra deve? Simples o dever
está para nós assim como nossas atitudes estão para o nosso progresso. assim
quando conhecemos de um fato delituoso, e não emitimos sequer comentário,
tendente a acordar a pessoa errada para o erro em curso, ficamos a esta solidários,
nas penas em que ela esteja por ser incursa, isso porque, sabíamos do erro de comportamento
e nada fizemos, nos tornando, assim devedores para com as leis de Caridade e
Amor, e mesmo para com a lei do Progresso, visto que sem nosso alerta, a pessoa
em questão, continuaria errando e levando outros ao mesmo erro.
Querem saber do que mais? A pena dela seria menor do que a nossa, posto
que ela obra no desconhecimento, mas nós não, obramos na inação e na omissão,
já que sabedores de todo o processo negligenciamos ao omitirmos dela a
necessária explicação.
Doutrina Espírita meus amigos, tem como
mote principal o Esclarecimento, assim sempre que sabendo e podendo, nos
fizermos inertes ao alastrar-se desse conhecimento, erramos.
E erramos feio!
Muita
Paz.
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