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Nos Domínios da Tiptologia - Dos Raps de Hydesville às Mesas Girantes

 

 SALA FILOSOFIA ESPÍRITA

 

Carlos Imbassahy

 

O termo tiptologia é um neologismo formado com desinências gregas, typtos = batida (typten = bater) + logos = estudo. Não se sabe ao certo a quem se deva tal termo posto que, embora atribuído a Charles Richet, tudo indica que muitos outros autores, do tempo de Kardec, já o usavam, inclusive o próprio codificador, nas “Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas” refere-se aos dois tipos de fenômenos, por movimento de objetos que se chocam ou batem e por pancadas cuja origem é atribuída ao próprio Espírito manifestante.

Quem primeiro falou desses fenômenos, analisando-os, foi Emma Harding, na sua obra “Hstory of Modern American Spiritualism” referindo-se às ocorrências de Hydesville, com as famosas irmãs Fox em 1844. Ela chama de “noises” (ruído, barulho, em inglês) aos fatos que ocorreram no condado de Waine com as aludidas irmãs, na casa em que antes moravam os Weekman.

Todavia, só em 1848, no dia 11 de abril, é que os acontecimentos estranhos foram devidamente apreciados, quando a senhora (Mistres) Hannah Weekman deu ciência de que as batidas estranhas se identificavam como sendo de Charles Ryan e que se assinava como Ch. Rosma. Ela omite o fato da maneira pela qual conseguiu manter contacto inicial e como descobriu que podia assimilar as batidas a letras do alfabeto e, assim, escrever palavras e frases. O fato é que se deve a ela a revelação da forma pela qual os Espíritos podem se manifestar através da tiptologia.

Segundo esta senhora, ainda, em princípio, ela achava que as batidas insistentes seriam feitas por garotos da vizinhança e narra com pormenores como tudo ocorrera. Seu marido, posteriormente, veio confirmar o depoimento da escritora, garantindo que não se tratava de frutos da imaginação aquilo que as irmãs Fox estavam presenciando.

Já ocupada pelas irmãs Fox, a mesma casa dos Weekmen, o aludido Espírito voltou a se comunicar por batidas, que muito assustaram a elas e Kate, uma das irmãs, parecia ser o epicentro dos fenômenos.

Consta que, anteriormente, Andrew Jackson Davis, vidente de renome, prenunciara os fatos e que, no dia exato em que eles ocorreram pela primeira vez com as Fox, ele, sem saber, anuncia para todos, referindo-se às suas visões anteriores: – “Esta madrugada, um sopro quente passou pela minha face e ouvi uma voz suave e forte dizendo-me: irmão, um bom trabalho foi começado”.

Coincidência ou não, o fato foi registrado e consta de inúmeras citações, inclusive a do abade Quaker (citação de Eugène Nus em Chause de l’autre monde) que, comentando tais ocorrências, atribui a Davis, um dos irmãos das Fox, o uso da técnica do alfabeto para escrever as frases.

Contudo, a repercussão destes fenômenos foi efêmera e só teve duração enquanto foi notícia da mídia. Ficaram os registros, muitos padres e pastores evangélicos interferiram para negar a possibilidade de se tratar de Espíritos de desencarnados, querendo, até, admitir mistificações e outras burlas para “vender” assunto.

Por isso é que, só quando, nove anos após, Kardec prestou atenção aos fenômenos das mesinhas girantes é que tal fenomenologia voltou à baila.

Com isso, descobre-se uma nova forma de se obter o fenômeno das batidas, que, em Hydesville era de origem direta e que, com as mesinhas e cestas passaram a ser obtidas a partir do próprio objeto manipulado pelos Espíritos e usado pelos médiuns ou pelos participantes como instrumento da ocorrência.

Kardec, todavia, reluta em aceitar a objetividade da manifestação, chegando, mesmo, a considerar tal fenômeno como impreciso, vindo a dizer que “les réponses ce sont incomplets, soumettres à tromperies et petit peu de s’accordé”.

De fato, é um processo demorado, por vezes, com respostas incompletas, sujeitas a enganos e pouco acordes; e demanda paciência, podemos acrescentar, mas, de tal precisão, que não se pode pôr dúvida do mesmo. Porém, exige um bom médium com tais propriedades. Em nossa casa, minha tia, irmã da minha mãe, embora rebelde e nunca disposta a partilhar conosco as experiências, sempre que integrava o grupo, a mesinha da varanda que servia de móvel para a tiptologia, tornava-se tão veemente, que todos os presentes ficavam impressionados.

Um desses fatos probatório, que presenciamos, eu o relato em um de meus livros e que teve como Entidade manifestante a dona Amélia Sayão, velha amiga de família, falecida que queria falar com a Lourdes uma de suas crias. Deu-nos todos os pormenores para que a encontrássemos; meu pai enviou a carta para o endereço fornecido – e desconhecido de todos os presentes – como conseqüência, na semana seguinte, a Lourdes batia em nossa casa mais pálida do que palha seca.

Quando minha tia não estava presente, a sessão fazia-nos lembrar a descrição de Kardec, o que me levou a concluir que ele não tivera tido a sorte de dispor de médium capaz para realizar o fenômeno. Porque, mesmo com a presença da Yolanda – médium de materialização de destaque aqui em Niterói, estudada por diversos médicos daqui –, os fenômenos não eram os mesmos.

Para quem não conheça o fenômeno, cabe esclarecer que se trata de uma pequena mesa tripé, de preferência, com as pernas cruzadas em X, em torno da qual as pessoas se reúnem, colocando sobre ela as suas mãos. Um dos presentes deve ficar de fora, para anotar as letras que serão assinadas, a fim de escrever a mensagem.

A seguir, formada a aludida corrente, esta mesma aderna-se para um lado, sobre duas pernas e, a seguir, passa a bater com a perna erguida no chão e o escalado, a cada batida, enumera uma das letras na ordem alfabética, assinalando a correspondente em que aconteceu a última batida. E passa-se para a letra seqüente.

Assim, o fenômeno se torna demorado, motivo pelo qual os presentes procuram se antecipar à palavra que vá ser escrita, usando as letras já enumeradas para tal. Quando se fala a palavra certa, a mesa dá uma pancada (sim) confirmando; caso contrário, dá duas pancadas (não), obviamente, negando.

Nem sempre a mesa consegue escrever a palavra certa, motivo pelo qual é indispensável a ajuda dos presentes e jaz aí a crítica de Kardec.

Há Espíritos que bailam com a mesa, a ponto de levitá-la; afasta-se a hipótese da influência de qualquer um dos presentes porque as batidas são desordenadas e jamais poderiam ser conduzidas por um só dos presentes. Havia momentos que tínhamos, até, dificuldade de manter nossas mãos sobre sua tábua.

Certa feita, meu pai indaga ao Espírito como fazia ele para manipular a mesa e, como resposta, a Entidade volta com outra pergunta: – Como vocês fariam, se quisessem bater com ela? Pois é o mesmo.

Aos poucos, fomos identificando as Entidades participantes. Uma delas assinava-se como Vazuzuba; fazia mil proezas com a mesa e pouco escrevia. Um dia, perguntaram-lhe porque agia assim e o Espírito respondeu: – ritual... Língua vocês difícil.

Pelo que informava, fora membro de uma civilização sul-americana extinta.

As sessões desandaram depois que apareceu uma certa entidade dizendo-se clérigo, jesuíta, condenando nossos trabalhos. A partir desse dia, este Espírito aparecia e não permitia, mais, que outros se manifestassem. Suspendemos a sessão e, por falta de oportunidade, não mais voltamos a realizá-la. Nessa altura, eu já ingressara na faculdade de Filosofia.

A primeira conclusão que se pode admitir é a de que os Espíritos, para moverem não só a mesa que bate como o copo ou a cesta que escrevem, consomem energia tirada dos presentes através das mãos colocadas sobre os respectivos objetos que se movem e manipulam esta energia de modo que possam fazer com que os movimentos sejam sincronizados com o que se torna essencial para se comunicarem.

No caso do copo, o mesmo é colocado sobre uma cartolina onde estão gravadas ou desenhadas, formando uma circunferência, as letras do alfabeto. No centro a marca neutra e dos lados dessa marca as palavras “sim” e “não”. Usa-se um pequeno copo, o mais leve possível, para que o consumo de energia em seu movimento seja mínimo. Os presentes colocam as pontas dos dedos sobre o copo, permitindo que o Espírito manipulante transfira a energia para este objeto, com o que poderá transformá-la em energia cinética para mover o copo em direção das letras que são consecutivamente apontadas, formando as palavras. O copo, depois de dar sua comunicação, é levado para o ponto neutro.

No caso da cestinha, ela se apóia sobre a mesa com três ou quatro pés calçados de algo que diminua o atrito de deslocamento e nela é amarado um lápis. Os presentes, ao colocarem suas mãos sobre a cesta vão dar-lhe por transferência, a energia que permita que ela se desloque sobre uma folha de papel num movimento que vai fazer com que o lápis escreva ou desenhe na folha em baixo os seus rabiscos.

Pois foram estes os primeiros fenômenos observados por Kardec que achou curioso que tais objetos fossem capazes de lhes responder as perguntas. E atualmente, estes estudos, se, por um lado, constituíram a primeira prova fenomênica, pelo outro, tornou-se brincadeira de muitos que fazem a sessão do copo por curiosidade, para verem fenômenos estranhos, enfim, sem lhes dar o verdadeiro valor.

E no meio espírita, tudo indica que o estudo da fenomenologia mediúnica se resume a mensagens evangélicas consoladoras, sem qualquer respaldo científico.

Todavia, a com os recursos atuais, com o uso de gravadores eletrônicos, nosso grupo de pesquisa descobriu que as batidas ou raps feitas sem que se localize onde nem como foram realizadas produzem um som puro, sem harmônicos, em contraste com os de um instrumento musical, dotados da composição dita harmônica; e, as batidas comuns apresentam um gráfico completamente distinto, identificando a impureza do ruído, o que se torna deveras fácil de identificar, com uso desses gravadores, a origem da dita batida.

No meu livro “As Aparições e os Fantasmas” insiro os gráficos mostrando a diferença entre um “rap” de origem paranormal mediúnica de um som obtido com batidas e pancadas a partir de objetos sólidos.

E, por curiosidade, já ouvi dizerem que os Espíritos batem em objetos com uma “fava” ou algo parecido com este grão. Se é fantasia ou tem procedência, não pude apurar.

 

 

 

 

Pensamento

 

O mundo é a nossa vasta sementeira e o Evangelho é, sem dúvida, o celeiro divino de todos os cultivadores da terra espiritual do Reino de Deus.

Emmanuel/Chico Xavier

 

* * *

 

Na companhia sublime

Do amigo Excelso e Imortal,

Nós somos semeadores

Da terra espiritual.

Casimiro Cunha/Chico Xavier

 

 

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