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SALA
FILOSOFIA ESPÍRITA
Raimundo
de Moura Rêgo Filho
É
interessante como termos vão se
enfileirando no cenário espírita, e muitos os começam a usar, como se de
verdade fizessem parte do linguajar espírita. Dois desses traduzem fenômenos
muito comentados e pouco entendidos. O primeiro é o “Viagem Astral”: É incrível como muitos espíritas os usam até em palestras,
quando se repensassem, não o usariam, pois, para mim soa-me como motivo de
risos...
Viagem astral seria como se pegássemos um aeróbus e passeássemos, fazendo
baldeações na lua, no sol, nas estrelas, dessa maneira estaríamos a fazer uma
viagem astral por excelência.
Que os esotéricos os usem, ou mesmo
os teosofistas, muito que bem, mas espíritas, e espíritas palestrantes? É
matizar de bobagens, o cenário em que deveriam aparecer, ensinamentos que
conduzissem o público ouvinte ou leitor a maior aprendizado doutrinário.
Não é sem razão que o famoso José
Herculano Pires, atesta que ninguém no Brasil ou no mundo, conheça o
Espiritismo. Herculano, nos incita até mesmo a providenciarmos o MOBRAL do
Espírito, para que, dessa maneira, pudéssemos, ao rigor da máxima de Sócrates,
nos entender desconhecedores da doutrina e desse ponto em diante, colocarmo-nos
a caminho do aprendizado, partindo das primeiras letras da doutrina.
Então eu pergunto: Por que isso?
Modismo, atualização vernáculo-doutrinária, ou simplesmente brincadeira de mau
gosto?
Seja o que for, compete-nos,
espíritas que somos, não difundir impropriedades ou sandices, pois em nome de
um pretenso saber espírita, empalidecemos o Movimento Espírita brasileiro, e
ele já anda tão exangue...
O Outro termo é o “DESDOBRAMENTO”.
Esse então chega a causar dor de barriga de tanto rir, querem ver?
Desdobrar evoca o pensamento de
estar o móvel do desdobramento, anteriormente dobrado, é sim, tipo como se
fosse uma folha de papel, um bilhete de loteria, uma carteira...
Ora, um espírito não é um ser
dobrável, nunca assim esteve, a não ser em linguagem figurada, quando se quer
explicar que tal e tal espíritos se dobraram ante aos maus pensamentos etc.
Ora, em não sendo assim, falar-se em desdobramento e o pior, duplicando-se a
sandice, afirmar-se sobre “desdobramento astral”, seria dar-se aos astros,
também essa maneabilidade flexível que eles não têm.
E isso tudo em moldes doutrinários,
pasmem os amigos...
Kardec, que pelas palavras de
Flamarion,foi brindado com o cognome “O Bom Senso Encarnado”, haverá de
ter-se “dobrado”no túmulo, de vergonha
por ver a doutrina que levou quase doze anos para codificar, das comunicações
dos espíritos, ser levada ao ridículo por uma meia dúzia de gatos pingados, que
não acham “nada demais”, em usarem tais expressões. É triste...
Ele, cunhou um termo específico que
alude aos dois termos acima, e diz com propriedade sobre esse tipo de acometimento, o termo é: Emancipação
da Alma.
Para esse estado, o codificador
elencou todo o capítulo VIII da Obra o
Livro dos Espíritos...
É nesse estado, o de Emancipação da
Alma que consegue-se estar afastado do corpo carnal, e pode assim o espírito
dar curso a seu aprendizado, visitar os que lhe são caros etc.
Eamancipação da Alma, termo
genuinamente Espírita, termo que explica clara e sem margem a dúvidas o momento
pelo qual passa o espírito.
A vista disso é que não compreendo o
porque se usarem os tais, “Viagem Astral”ou o tal do “Desdobramento”.
Se um dos leitores me puder explicar, por
favor faça essa caridade, senão vou continuar a pensar que esses confrades
palestrantes, estão é a viajarem, não no Astral, mas na maionese!
Muita
Paz,
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