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Raimundo
de Moura Rêgo Filho
Vamos
conversar, hoje, baseados no capítulo VIII da obra O Evangelho segundo o
Espiritismo, notadamente nos itens de XI a XXI.
Na
verdade, fico muito honrado em trazer à vocês esses itens, exatamente porque
dentre o capítulo VIII, “OS QUE TÊM PURO
O CORAÇÃO”, são estes os que relaciono como de grande importância nos dias
de hoje.
Sim,
amigos, estamos vivenciando momentos de violências em todos os setores e em
toda parte do globo. Tudo isso tem uma razão de ser, e nós, juntos, vamos entendê-la.
O
item XI nos trás a citação: “se alguém
escandaliza a um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem
ao pescoço uma dessas mós quem um asno faz girar e que o lançassem ao fundo do
mar. Ai do mundo por causa do escândalo; pois é necessário que venham os
escândalos, mas ai do homem por quem o escândalo venha.
Tende muito cuidado em não desprezar um
destes pequenos. Declaro-vos que seus anjos, no céu, vêem incessantemente a
face de meu Pai que está nos céus, porquanto o filho do Homem veio salvar o que
estava perdido.”
As
palavras do Rabi, encontradas em Mateus XVII vv. 6 a 11indicam várias coisas e
asseveram das dores que por certo advirão àqueles que agirem no erro ou no mal.
Comentário:
hoje, meus amigos, assaltos, tiroteios, administração falha e inexistente do
Estado para com o povo, nos dão mostras de alguns desses escândalos. Se a
violência é anotada pelos tele-jornais apenas mostrando os traficantes e os
ladrões, de outro lado estão as famílias que se ressentem e vivem em medo e
dor. É o pai desempregado, ou o assalariado que não ganha para honrar suas
dívidas ou sustentar a prole, o filho que não tem um estudo de nível, na rede
pública, ou professores interessados pacientes. A mãe teve que deixar o lar e a
educação dos filhos para ajudar ao pai na tarefa do sustento familiar. Toda uma
sorte de aflições ronda a atmosfera do Lar. Por que? Porque o momento que
vivenciamos é de modificações, e a todas essas, compreende este tipo de
acometimentos. Nosso mundo de provas e expiações está para ser guindado ao
nível de mundo de regeneração, para tal, esses escândalos anotados acima
acordam a espiritualidade encarnada para as modificações que ela terão que
evidenciar, em suas próprias vidas. Falamos de moral, sim do altear dessa
moral, o galardão que dá ao espírito a chave de entrada num mundo melhorado.
Temos
todos nós, um conjunto de mazelas hauridos das múltiplas vivencias pelas quais
já passamos, a serem expurgadas. Muitas dessas ainda nos são gratas e gostosas,
e delas esforçamo-nos por não nos desligarmos. A Lei de Causa e Efeito, vigendo
inexoravelmente, há de cobrar dos espíritos a modificação e em não a
encontrando efetivada, por certo indicará novo reencarnar em dores mais
profundas. Assim, urge que nos entreguemos à esse salutar trabalho de
regeneração que nos colocará aptos a adentrarmos ao novo mundo, como alunos que
obtiveram aprovação no período que se encerra no aprendizado espiritual.
Vejam
os versículos de 29 a 30 no capítulo V, onde Mateus, novo chamamento à ordem
nos remete em palavras fortes: “Se a vossa mão ou o vosso pé vos é objeto de
escândalo, cortai-os e lançai-os longe de vós; Melhor será para vós estareis na
vida tendo um só pé ou uma só mão, do que terdes dois e serdes levados ao fogo eterno.
Se o vosso olho vos é objeto de escândalo arrancai-o e lançai-o longe de vós;
melhor para vós será, que estareis na vida tendo um olho só , do que terdes os
dois e serdes precipitados no fogo do inferno.”
Comentário:
aqui, o apóstolo descreve com singular clareza sobre os vícios (nossas mazelas),
que contraímos, pelo uso dos sentidos que detemos.
Olfato,
audição, gutação, visão e fala, bênçãos de Deus, que se mal usadas, nos remetem
a toda uma sorte de desregros que nos forçam à um caminhar mais lento e nos
afastam do bom caminho. Cada um destes sentidos, se anexados a uma construção
malévola ou viciada, ditada por nossa casa mental, arrasta-nos a momentos
fortificados de dor, pranto, medo e culpa. E somos nós, somente nós, os que os
procuramos, não há arrastamento irresistível, dizem-nos os bons espíritos, mas
nós, espíritos imperfeitos, ainda descremos ou mesmo nos fazemos refratários à
esses bons ensinamentos, mas quando a dor nos bate a porta, sofremos e
choramos, a desdita de nosso “Azar”, do pouco olhar do Pai por sobre nossas
cabeças... Quanta imprevidência!
Concluí-se
então, que a palavra escândalo, em verdade bem traduzida é pelos tropeços a que
nós mesmos estamos propensos a dar em virtude de nossa negligência para como o
Orar e Vigiar. Somos nós, amigos, os eternos fomentadores de nossa alegria ou
da nossa dor. Não Deus, nem Jesus, e nem mesmo os maus espíritos.
A
suprema bondade e Justiça de Mais Alto nos deu a capacidade de raciocínio, a
inteligência, a consciência de Deus, esculpida em nossa psique profunda e o
Livre Arbítrio. Estes atributos fazem de nós espíritos completos,
diferenciando-nos dos animais ditos irracionais. Eis ai que o Pai, ao exarar a
Legislação Eterna, houve de colocar a Lei de Causa e Efeito, como elemento
normatizador de nossas ações, não estamos obrigados a nada em virtude de nosso
Livre arbítrio, mas se andamos ao arrepio da Lei, por certeza teremos de aditar
à nossas vivências momentos de reparação, mais das vezes em dor profunda. Este
o nosso caminho nos mundos de provas e
Expiações: Errarmos o menos possível, avançarmos o mais que possamos pelo
trabalho no Bem, esta a nossa Missão.
Outro
ponto de muito valor, de importância capital, está em o tratamento,
educação, valor tempo que damos aos
nossos miúdos, sim aos nossos filhos... Quando Jesus disse: “Deixai virem a mim
as criancinhas”, por certo não falou senão para todas as crianças, todo o contingente
de espíritos encarnados na terra, não excetuou nenhuma idade, da mais tenra a
mais adulta. Falou também, dirigindo-se às crianças do intelecto, todas essas
almas que gravitam nessa região onde a dor e o sofrer imperam. Se pouco Ele
podia ensinar às crianças físicas presas tão somente à matéria, submetidas ao
império dos sentidos e ainda desprovidas da razão madura. Deixou que o exemplo
que dignifica a familiaridade que todos mantemos com ele e o Pai, exortou-nos
ao trabalho incessante e abnegado no Bem, na ajuda ao próximo no amor em seu
mais alto grau.
Lembro
aqui o segundo mandamento, este do qual falamos apenas a primeira parte:
“Amarás a teu próximo como se fosse a ti mesmo...”, em realidade faltamos com a
parte mais importante e asseverada na mesma narrativa do Bom Mestre:
“(...)Estão nesse mandamento, todas as doutrinas e todos os profetas.”
Ao
explicar-nos tão sabiamente, Yoshua Bem Yussef ( verdadeiro nome de Jesus),
deu-nos a exata proporção da dor conferida a quem por negligência, omissão, ou
descuido, para não dizer maldade, descura de tal mandamento.
Mas
voltamos às nossas crianças: São elas o objeto de nossas responsabilidades
paternas, espíritos que por laços contraídos para conosco, no amor ou na
reparação, chegam-nos aos portais familiares para o processo de refazimento, se
descuramos para com eles, descuramos para com nossa própria ascensão espiritual.
Amigos,
todo o capítulo VIII do Evangelho Segundo o Espiritismo, nos fala de Fé, de
trabalho, de resignação, tolerância e paciência, tais virtudes, fazem o matiz
de nossa evolução, assim, espíritos em adiantamento nesse orbe, estamos todos
nós atrelados à mesma escola e classe, cada um a seu modo e vontade, há de
conseguir gerir sua vivência de modo a poder se fazer apto ao ingresso em mundo
de regeneração.
Quando
estudamos a mensagem contida nos itens de 20 a 21, assinada pelo Cura D`Ars,
Vianney, verificamos o quanto esquecidos estamos desses ensinamentos tão
importantes para o nosso burilamento espiritual e conseqüente melhoria. A
mensagem nos exorta ao perdão e à resignação, avisando-nos benevolamente.
Sim,
posto que se o mal que nos aflige faz com que sejamos motivos de escândalos,
compete-nos tal modificação, demonstrando que somos nós que nos salvamos a nos
mesmos. Mais ainda, que somos nós, aquele a quem não conseguimos enganar, que
nos vai julgar. Notem que o mal reside em nossa casa mental, então se são os
nossos olhos os motivos do escândalo de que nos serviria arrancá-los se não nos
propuséssemos, conscientemente a envidarmos todo o esforço para que nos
modificássemos?
Essa
explicação demonstra a alegoria da mensagem de Mateus, posto que naquele tempo,
O homem detinha pouco conhecimento não tendo assim a compreensão que hoje
temos.
Como disse no início de nosso papo, os tempos são
os da retificação da Moral, os rebuliços, a onda de violência, os demais
escândalos, são os chamamentos à reconstrução moral da Humanidade, trabalho sem
o qual, pouco o nada andaríamos, relegando nossa elevação à tempos no depois
dos tempos.
Amigos,
se de nosso íntimo não houver a propositura grave e séria em nossa modificação,
ao efetivarmos o arrancar dos olhos, apenas ficaríamos cegos, nada de melhor
acontecendo para com o nosso de ascensão espiritual, o arrancar o olho ou o pé
sugerido, é verificado no expurgar de nossos maus instintos, chagar morais tais
como a vaidade, o orgulho, a prepotência, a cupidez, irmãos diletos, filhos da
Dor e do Egoísmo.
A
Fé inabalável, aquela obtida pelo raciocínio lógico, nos é o elmo, a couraça, o
escudo que nos há de defender das estocadas do mal. Mas nos é necessário
também a ação no bem, o exercício da
Humildade e do amor ao próximo, salvos-condutos à regeneração do espírito.
Terminando, gostaria de como um alerta,
deixar vívida nas mentes de vocês a exortação basilar do Mestre:
“Sejais
Frios ou Quentes, pois os mornos, Eu os vomitarei de minha boca.”
O
porque dessa exortação nos remete ao raciocínio de que devamos estar a
trabalho, sempre, e incessantemente, na reconstrução de nosso espírito.
O
Estar morno de que nos fala Jesus, é a INAÇÃO, a falta de VONTADE, o descaso de
muitos de nós, que relegam sua evolução espiritual aos andrajos dos esmoleres
morais.
Para
depois, sofrermos em dor e remorso.
Muita
paz,
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