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Raimundo
de Moura Rêgo Filho
O
intuito deste ensaio é trazer aos amigos um estudo mais pormenorizado sobre a
PRECE,
seus efeitos, modos e pormenores, para que assim, estejamos todos, orando com o
fervor de sempre, mas de modo correto.
1
- O QUE É A PRECE:
Ato
de adoração; tem a prece o caráter de nos colocar em contato com Deus e a
espiritualidade
superior. Pela prece, nos comunicamos com eles, podendo, por meio da prece,
pedir, louvar ou agradecer.
A
prece sabemos, melhora o homem, porquanto, ao se orar com fervor e confiança,
fica-se mais forte contra as tentações do mal, enviando-nos Deus, em nosso
socorro, os bons espíritos. Tal socorro, nunca é negado, quando o pedido é
feito com convicção, fé e sinceridade.
Sempre
é do agrado de Deus a prece, quando esta é formulada pelo coração, pois
para
Ele, a intenção é o importante. Dessa maneira, a prece do íntimo, tem primazia
à prece lida, seja esta o quão bela que o for. agrada-lhe a prece dita com fervor,
sinceridade e fé, Não acreditemos, pois, que Lhe toquem as palavras proferidas
por homem egoísta, fútil ou orgulhoso, se não as foram ditas pelo coração e
pelo sentimento.
O
muito orar, pela quantidade somente, não empresta valor maior à prece, Deus,
meus
amigos, se interessa única e simplesmente pela fé, contrição e convicção de
quem o chama em oração, daí que, muitos dos que oram, repetidas e incessantemente,
mas sem o auxílio da fé e da confiança no Poder e Indulgência Divino, não
alcançam, senão, da espiritualidade, a graça da paciência, para que assim, possam
retornar ao bom caminho, e com a ajuda dos bons espíritos, aprender como orar
sem mistificação ou falta de fé.
O
essencial não é orar muito, mas orar bem. O tamanho e a beleza da prece não a
fazem mais digna se quem ora tem os olhos fechados para seus próprios defeitos.
É então essa prece, produto de uma ocupação, de uma obrigação, um emprego de
tempo, não um estudo de si mesmo, notável é, dessa maneira, a ineficácia de tal
proceder.
Podemos
orara a Deus e aos bons espíritos, com vistas ao perdão de nossas falas, mas
Deus sabe discernir entre o bem e o mal, não vê esconderijos para o segundo nas
preces. Assim, só concede o perdão àqueles que mudam o proceder errado, e é por
meio das boas ações que se evidencia a melhor prece. Porquanto valem mais os atos
que as palavras.
É
importante o pensamento nos outros, mesmo àqueles que nos querem mal, é ato que
exprime a caridade, óbolo do amor ao próximo. A prece quando feita para o bem
do próximo exerce um poder único de chamar em auxílio do necessitado, o concurso
dos bons espíritos, que virão por lhe sugerir, os bons pensamentos e dar a
força de que necessitam, seu corpo e sua alma. Mas cumpre lembra, ainda aqui, a
prece do coração é tudo, a dos lábios, nada vale.
Ao
examinarmos o campo das provas vemos que estas estão nas mãos de Deus,
sendo
que, há as que terão de ser suportadas até o fim, mas Deus em sua infinita
sabedoria e bondade, sempre leva em conta a resignação. A prece traz para junto
de nós os bons espíritos, e pela força que estes nos emprestam poderemos com
maior facilidade suporta-las, com coragem e fé. Lembremo-nos do dístico:
"ajuda-te e o céu te ajudará". Ademais, não mudaria o Criador, as
Leis da Natureza, ao sabor de cada um, porquanto tudo o que nos representa,
pela mesquinhez de nossa parca visão e pela efemeridade de nossa vida um grande
mal, nos é, no computo geral do Universo, um grande Bem. Além disso, de quantos
males não se constitui o homem o próprio autor, por sua imprevidência ou pelas
suas faltas?
É,
o homem, punido naquilo em que errou, todavia, as súplicas ornadas pela fé
inquebrantável,
quando justas, são sempre atendidas e mais vezes do que nós mesmos supomos.
2
- UTILIDADE DA PRECE:
Bem
sabemos que a prece, elemento de ligação do homem para com Deus, através da fé
e da confiança no Poder Divino, trás consigo inumeráveis benefícios. Não só a
quem ora, mas podendo atingir a todos os envolvidos por ela. Está na prece
amigos, fator de refrigério, de ajuda, ato de caridade que é, quando elevada,
pelo sentimento de tornar mais tolerante, paciente e resignado, aquele por quem
oramos. E todos podem e devem elevar a Deus esse sublime sentimento de caridade,
mesmo àqueles que nos queiram mal.
Quando
se ora, envolve-se o destinatário da prece, em halos de harmonia que o
levam,
o mais das vezes, a repensar seus atos, tomar atitudes menos agressivas ou
intempestivas.
O
doente, quando envolto sob o manto sagrado da oração, tem a si chamado, toda
uma plêiade de espíritos benignos, que se incumbirão, de acordo com o merecimento
do doente, em ministrar-lhe, os lenitivos para seus males, a resignação para
que possam passar seu período de doença com mais força e confiança em Deus.
Quantas
orações de mães já não obtiveram abrigo e conseguira, demover filhos
rebeldes,
envoltos nas drogas e nos crimes de seus acometimentos negativos? O poder,
vontade e a excelsa bondade de Deus operam, pela prece reações ditas impossíveis
aos incrédulos.
Nos
cemitérios, no dia de Finados, quantos espíritos desencarnados não se refazem,
se alimentam, e se alegram, pelas preces contritas a eles votadas?
Nas
prisões, quantos meliantes, pelo poder de Deus, não refazem suas vidas, e ao
pagarem seus débitos para com a sociedade, encaram com destemor e sem
esmorecerem, o difícil voltar ao trabalho mal pago? Sim amigos, as mães, esposas,
parentes ou amigos, que se dignaram a pela confiança em Deus, orarem por
aqueles, ditos perdidos, têm conseguido seguidos milagres nesse campo.
Nos
centros Espíritas, nas tendas de Umbanda ou Candomblé, na Igreja Católica ou na
Protestante, qualquer que seja sua denominação, também se encontra relatos
verdadeiros e comprovados do poder da fé e da prece. Pois como sabemos, a
espiritualidade não veste esta ou aquela camisa, age, obra pelo bem de todos
que o mereçam, neste ou em qualquer outro púlpito, terreiro ou casa espiritual.
Mas
é nos Centros Espíritas que se nota, o trabalho abnegado da espiritualidade de
Jesus e com Jesus, pelo trabalho de passes, pelo trabalho de desobsessão, onde
grande quantidade de espíritos obreira do bem e do amor trabalha sem cessar
promovendo o baixar das armas do obsessor e transmitindo a tranqüilidade, que
devolve o obsedado de volta à sua condição de ser livre.
Vejamos
o que o autor J. Herculano Pires, em seu livro “Obsessão, Passe, a
Doutrinação”,
na 2ª parte, capítulo 1, explana, quando adverte sobre o passe: “(...) Os
espíritos elevados ensinam somente sobre a prece e a imposição das mãos”.
“(...)
O passe espírita é prece, concentração e doação (...)”.
André
Luis, em “Nos Domínios da Mediunidade”, capítulo17, registra: “A oração é
prodigioso
banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai. (...)”.
Também
em “O Livro dos Médiuns” Kardec, pela comunicação de Sto. Agostinho,
ensina:
“Por que não começais as vossas sessões por uma invocação geral, uma como prece,
que disponha ao recolhimento? Porque, ficai sabendo, sem o recolhimento, só
tereis comunicações levianas; os bons Espíritos só vão aonde os chamam com
fervor e sinceridade.
É
o que ainda os homens não compreendem bastante. Cabe-vos, pois, dar o exemplo,
vós que, se o quiserdes, podereis tomar-vos uma das colunas do novo edifício.
Observamos
com prazer os vossos trabalhos e vos ajudamos, porém, sob a condição de que
também, de vosso lado, nos secundeis e vos mostreis à altura da missão que
fostes chamados a desempenhar.
Formai,
portanto, um feixe e sereis fortes e os maus Espíritos não prevalecerão contra
vós.
Deus
ama os simples de espírito, O que não quer dizer os tolos, mas Os que se
renunciam a si mesmos e que, sem orgulho, para ele se encaminham. Podeis tornar-vos
um foco de luz para a humanidade. Sabei, logo, distinguir o joio do trigo;
semeai unicamente o bom grão e preservai-vos de espalhar o joio, por isso que
este impedirá que aquele germine e sereis responsáveis por todo o mal que daí
resulte; de igual modo, sereis responsáveis pelas doutrinas más que porventura
propagueis
Lembrai-vos
de que um dia pode vir em que O mundo tenha postos sobre vós os olhos.
Fazei,
conseguintemente, que nada empane o brilho das boas coisas que saírem do vosso
seio. Por isso é que vos recomendamos pedirdes a Deus que vos assista.(...)”
3 – QUALIDADES DA PRECE:
Estudemos
com atenção o que nos passam os espíritos sobre o tema no: “Evangelho Segundo O
Espiritismo”.
CAPÍTULO XXVII
PEDI E OBTEREIS
Quando
orardes, não vos assemelheis aos hipócritas, que, afetadamente, oram de pé nas
sinagogas e nos cantos das ruas para serem vistos pelos homens. - Digo-vos, em
verdade, que eles já receberam sua recompensa. - Quando quiserdes orar, entrai
para o vosso quarto e, fechada a porta, orai a vosso Pai em secreto; e vosso
Pai, que vê o que se passa em secreto, vos dará a recompensa.
Não
cuideis de pedir muito nas vossas preces, como fazem os pagãos, os quais
imaginam
que pela multiplicidade das palavras é que serão atendidos. Não vos torneis
semelhantes a eles, porque vosso Pai sabe do que é que tendes necessidade,
antes que lho peçais.(S. MATEUS, cap. VI, vv., 5 a 8.).
Quando
vos aprestardes para orar, se tiverdes qualquer coisa contra alguém,
perdoai-lhe,
a fim de que vosso Pai, que está nos céus, também vos perdoe os vossos pecados.
- Se não perdoardes, vosso Pai, que está nos céus, também não vos perdoará os
pecados. (S. MARCOS, cap. XI, vv. 25 e 26.).
Jesus
definiu claramente as qualidades da prece. Quando orardes, diz ele, não vos
ponhais em evidência; antes, orai em secreto. Não afeteis orar muito, pois não
é pela multiplicidade das palavras que sereis escutados, mas pela sinceridade delas.
Antes de orardes, se tiverdes qualquer coisa contra alguém, perdoai-lhe, visto
que a prece não pode ser agradável a Deus, se não parte de um coração purificado
de todo sentimento contrário a Caridade. Oral, enfim, com humildade, como o
publicano, e não com orgulho, como o fariseu. Examinai os vossos defeitos, não
as vossas qualidades e, se vos comparardes aos outros, procurai o que há em vós
de mau. (Cap. X, nº 7 e nº 8).
Pelo
que nos foi exposto, da leitura dos textos extraídos do livro “Evangelho
Segundo
o Espiritismo”, notamos que:
1.
Se por em evidência;
2.
Ser prolixo;
3.
Não ter o sentimento exposto pelas palavras, no coração;
4.
Não examinar seus defeitos e pedir riquezas ou bens materiais
São
motivos pelos quais, nenhuma prece surtirá efeito, por não agradar a Deus.
Não
há quem possa, enganar a quem tudo vê e tudo sabe, o incauto, o sem fé, aquele
que falseia a verdade, durante o ato de fé que representa a prece, além de não
ter respondida a rogativa feita, acumula mais um erro à sua lista de ações a
cujo efeito não poderá fugir, nesta ou em encarnação posterior.
4
– DA EFICÁCIA DA PRECE:
Seja o que for que peçais na prece,
crede que o obtereis e concedido vos será o que pedirdes. (S. MARCOS, cap. XI,
v. 24.)
Existem
aqueles que, escudando-se no princípio de que Deus, conhecedor de todas as
nossas necessidades, faria por terra toda e qualquer rogativa, a Ele enviada
pela prece, tornado-as inúteis já que, por estar o universo sob o encadeamento
das leis eternas, isso feriria tal preceito, não podendo Deus, deste modo,
tornar inválidos, seus próprios decretos.
Claro
está, sem sombra de dúvidas, que há leis naturais e imutáveis, não podendo
estas
ser julgadas a critério de um ou de outro, mas atribuir-se à fatalidade todas
as circunstâncias da viva é um longo caminho.
Se
assim o fosse, seria o homem, não mais que uma máquina, despojado de seu livre
arbítrio, um autômato, por final. Nesse caso, perguntar-se-ia, qual a razão da
reencarnação, afinal, se subjugado às leis da fatalidade, o homem só tivesse o
caminho de baixar a cabeça e aceitar o que lhe viesse, sem que por sua
iniciativa, responsabilidade e livre arbítrio pudesse empreender jornada de
resgate de suas faltas anteriores. Ora, a justiça do Criador, aliada à sua
suprema inteligência e bondade, nunca obstariam da criatura, a opção da
redenção. Põe Ele, então pela reencarnação, o homem no orbe que lhe cabe, como
espírito faltoso, dando-lhe
o
instrumento do livre arbítrio, como cinzel de sua futura encarnação, que aliada
aos progressos verificados na encarnação finda, o redimiria das provas pelas
quais tenha obtido
o
grau necessário para aprovação.
É
nesse campo, também, notável o efeito da prece, que banhando de forças o espírito
em prova, o alça à posição de maior desenvoltura para o combate à suas imperfeições,
todo aquele que ora com fé, contrito, fazendo por si o trabalho de sua
purgação, é digno de apreço e de ver recebidas e aceitas suas preces, no
sentido de lhe ser até minorada a provação.
Desta
máxima: “Concedido vos será o que quer que pedirdes pela prece”, fora
ilógico
deduzir que basta pedir para obter e fora injusto acusar a Providência se não
acede a toda súplica que se lhe faça, uma vez que ela sabe, melhor do que nós,
o que é para nosso bem. É como procede um pai criterioso que recusa ao filho o
que seja contrário aos seus interesses. Em geral, o homem apenas vê o presente;
ora, se o sofrimento é de utilidade para a sua felicidade futura, Deus o
deixará sofrer, como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores de uma operação
que lhe trará a cura. O que Deus lhe concederá sempre, se ele o pedir com
confiança, é a coragem, a paciência, a resignação. Também lhe concederá os
meios
de se tirar por si mesmo das dificuldades, mediante idéias que fará lhe sugiram
os bons Espíritos, deixando-lhe dessa forma o mérito da ação. (Evangelho
Segundo o Espiritismo, cap. XXVII, item 7).
Temos
ai, meus amigos, um breve ensaio sobre a prece, sua atuação, qualidade,
função
e eficácia. Muito mais poderia ser exposto, mas seria incorrer em redundância desprovida
do crivo da razão, o que contribuiria, não como um somatório, mas como um simples
repositório de idéias já elencadas no corpo do Estudo.
5
– PALAVRAS FINAIS:
Como
fecho deste pequeno ensaio sobre a PRECE, deixo à suas analises as palavras de
André Luis, no livro “O Espírito da Verdade”, pág.40, item 7:
AÇÃO DA PRECE
“Você
é o lavrador,
O
outro é o campo.
Você
planta,
O
outro produz,
Você
é o celeiro,
O
outro o cliente,
Você
fornece,
O
outro adquire.
Você
é o autor,
O
outro é o público.
Você
representa,
O
outro observa.
Você
é a palavra,
O
outro é o microfone.
Você
fala,
O
outro transmite.
Você
é o artista,
O
outro é o instrumento.
Você
toca,
O
outro responde.
Você
é a paisagem,
O
outro é a objetiva.
Você
surge,
O
outro fotografa.
Você
é o acontecimento,
O
outro é a notícia.
Você
age,
O
outro conta.
Auxilie
o quanto puder.
Faça
o bem sem olhar a quem.
Você
é o desejo de seguir para Deus,
Mas
entre Deus e você, o próximo é a ponte.
O
Criador atende as criaturas, através as criaturas.
É
por isso que a oração é você, mas o seu merecimento está nos outros”.
Muita
paz meus amigos.
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