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Carlos
Imbassahy
Pela década de oitenta, no meio espírita
brasileiro surgiu um grupo de cultuadores da obra de Fritjofre Kapra,
intitulada “O Tao da Física” e que
era tida como a maior revelação até aquele momento, da filosofia espírita.
Kapra
nunca soube, na sua vida, o que era o Espiritismo nem tem a menor noção das
obras de Kardec, como ocorre com uma grande parte dos que se dizem espíritas em
nossa terra.
Evidentemente,
ao escrever seu livro ele se inspirou exclusivamente nos preceitos taoístas de
Lao Tsé e outros pensadores asiáticos, em tese, reencarnacionistas, contudo,
dentro de uma outra posição relativamente mística.
Evidentemente, não tendo noção da
doutrina espírita e vendo que a obra continha conceitos correlatos com a
codificação, estes seguidores se arvoraram em considerar tal trabalho como
sendo a última das revelações. Só que se esqueceram de que Kapra se serviu,
apenas, de hipóteses científicas aceitas, à sua época porque eram as mais
condizentes com o conhecimento da Física.
Desta forma,
adotou a configuração atômica planetária de Bohr, os efeitos internos
conhecidos, sem saber que outros mais importantes seriam descobertos, enfim,
uma Física, hoje, completamente obsoleta. Como tal, sua obra também se tornou
ultrapassada.
Empolgarmo-nos
com um trabalho que já era é o mesmo
que voltarmos a ter como base a velha máquina de escrever, ignorando o
computador. Ou pior: configurar-se em erro com os conhecimentos do passado
ultrapassado que não mais tem vez.
Se, no meio
espírita formos retroagir à década de oitenta, do século passado, em vez de
seguirmos os conselhos de Kardec a fim de que o Espiritismo se atualize com as
novas verdades descobertas, estaremos retroagindo a hipóteses fictícias hoje
completamente abandonadas mas que, na época em que este livro fora escrito
representava a opinião vigente do momento.
Não tumultuemos
anda mais os conhecimentos doutrinários tão conspurcados com influências
cristãs católicas ditadas por Entidades ligadas à Igreja, tentando modificar a
área científica do Espiritismo com autores que já eram.
É querer que o
Espiritismo, já na sua parte filosófico-religiosa tão tumultuada, acabe ruindo
também no seu lado científico, fazendo com que nossos conhecimentos não se
atualizem com as novas descobertas e pesquisas que tão favoráveis são a nós, a
ponto de evidenciar fenômenos que já os
Espíritos antecipavam para Kardec há dois séculos.
Vamos estudar
Kardec, se quisermos nos considerar espíritas e nos atualizarmos com os
verdadeiros conhecimentos devidamente comprovados que os cientistas acabam nos
revelando a cada nova pesquisa.
Todos nós podemos ser harmônicos, cada qual com sua opinião, mas, Espiritismo
ainda é e será sempre apenas Kardec
e sucessores coerentes com seus fundamentos.
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