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Algumas
das entrevistas concedidas por Chico Xavier
em alguns veículos da Imprensa.
- Entrevista
ao jornal Seara Juvenil (1951)
- Entrevista
a Revista Informação (1977)
- Entrevista
a Tv Manchete (1988)
- Entrevista
a Revista Informação (1989)
Entrevista
ao Jornal Seara Juvenil (1951)
Pergunta:
—Já está havendo intensificação na seleção de espíritos para reencarnação
nestes últimos tempos, dadas as freqüentes demonstrações de precocidade?
Resposta—"A
intensificação no trabalho seletivo de valores novos para o mundo regenerado de
amanhã, na esfera da reencarnação, vem sendo levada a efeito de modo gradativo
pela Espiritualidade Superior"
Pergunta—Seria
de melhor proveito para os Centros Espíritas se dedicar à elucidação das crianças,
embora diminuindo trabalhos de mediunismo?
Resposta—"A
assistência à mente infanto juvenil, no campo do Espiritismo Cristão, é serviço
básico que não deveríamos descuidar. A educação é obra do tempo, esforço e
paciência. E sem que nos voltemos para a sementeira, com a dedicação precisa,
não alcançaremos a colheita valiosa. Repetimos que a criança é o futuro, com a
preocupação de que os princípios do bem ou do mal que inocularmos na formação
do mundo infantil são vantagens ou desvantagens para nós mesmos, de vez que o
porvir nos espera, de modo geral, em novas existências. Cremos, assim, que, se
necessário, a redução dos trabalhos do mediunismo, é medida de importância
fundamental nas instituições do Espiritismo Evangélico, favorecendo-se maior
expansão da obra de socorro espiritual à criança, na execução dos nossos
programas doutrinários"
Pergunta—Será
um mal explicar à criança as finalidades do mediunismo?
Resposta—"O
conhecimento, em qualquer de suas modalidades, deve ser dosado na distribuição
que lhe diga respeito. Dentro das possibilidades de compreensão, em cada classe
de aprendizes da nossa consoladora Doutrina, os ensinamentos rudimentares,
acerca do mediunismo, são sempre úteis, ressalvando, porém, a necessidade de se
evitar o excesso em quaisquer atividades, nesse sentido, para não viciarmos a
imaginação infantil com inutilidades ou inconveniências, que redundariam em
prejuízo ou perda de tempo"
Pergunta—É
de boa orientação os encarnados preocuparem-se mais com seus "semelhantes"
do que com os desencarnados, nas sessões práticas, através de estudos metodizados?
Resposta—"Acreditamos
que quando a palavra do Senhor nos induziu ao auxílio ao próximo, naturalmente
cogitou do próximo mais próximo de nós. Admitimos, assim, que sem nos
interessarmos fraternalmente pelo progresso e pela iluminação dos nossos
semelhantes, quando encarnados, dificilmente seremos amigos reais ou
prestimosos companheiros para os nossos irmãos desencarnados.
Pergunta—Face
ao crescimento das juventudes e mocidade espíritas, onde cada jovem deve ter
sua tarefa de serviço, não seria de bom alvitre que todos os Centros Espíritas
organizassem escolas de moral cristã para as crianças?
Resposta—"A
escola de preparação infantil ao Evangelho, nos Centros Espíritas, é um
impositivo a que não podemos fugir, sem grave dano institucional para as nossas
edificações doutrinárias do presente e do futuro”.
Pergunta—À
vista do conceito de que "a criança é o futuro", estará sendo eficiente,
como cooperadora de Jesus, a Diretoria do Centro Espírita que só se aplica com
sessões mediúnicas?
Resposta—"
Há centros de nosso ideal espírita-cristão que naturalmente funcionam à maneira
de pronto socorro para os sofrimentos morais, que envolvem encarnados e
desencarnados. E, quanto a isso, será sempre de bom alvitre ponderar a
especialização de cada agrupamento de companheiros da caridade e da luz.
Entretanto, ainda que não seja de solução imediata o problema da educação infantil,
nos conjuntos que atendem à finalidade a que nos referimos, o assunto não deve
ser considerado indevassável ou inútil, a fim de que a escola de formação
evangélica da criança se materialize, junto deles, tão logo se ofereça a
necessária oportunidade.
Pergunta—Como
encararmos a criança dentro do Espiritismo Cristão?
Resposta—"Cada
criança que surge é nosso companheiro de luta, na mesma experiência e no mesmo
plano, enquanto encarnados, cabendo-nos a obrigação de oferecermos a ela
condições melhores que aquelas em que fomos recebidos, a fim de que se
constitua nosso continuador sobre a Terra melhor, a que retornaremos mais
tarde.
Pergunta—Existem
responsabilidades para os pais espíritas que se descuidam do encaminhamento de
suas crianças no entendimento do Espiritismo com Jesus?
Resposta—"Os
pais são educadores responsáveis e, por isso mesmo, a primeira escola de cada
criatura é o lar em que nasceu. Os dirigentes espíritas do santuário doméstico
são convocados a grandes deveres junto aos filhos que recebem, de vez que são
detentores de mais amplos conhecimentos de sublimação espiritual, diante das
leis divinas. Em razão disso, precisamos considerar em Doutrina que acima dos
menores delinqüentes permanecem os pais levianos e voluntariamente
irresponsáveis”
Pergunta—É
possível a renovação do mundo em que habitamos, a era da reforma interior de
cada um para o bem, sem darmos à criança de hoje o embasamento evangélico?
Resposta—"Sem
a renovação espiritual da criatura para o bem, jamais chegaríamos ao nível superior
que nos compete alcançar. Ajudar a criança, amparando-lhe o desenvolvimento,
sob a luz do Cristo, é cooperar na construção da reforma santificante da Humanidade,
na direção do mundo redimido de amanhã”.
Pergunta—O
conceito de “Espiritismo Novo” é o de admitirmos que o campo da Terra nos
foi individualmente dedicado e que o "lado de lá" está afeto aos
prepostos de Jesus?
Resposta—"Certamente,
o trabalho geral é de cooperação, permuta e de solidariedade, salientando-se,
porém, que a maior percentagem de serviço dos encarnados está naturalmente
concentrada no plano de matéria densa, em que se agitam os seus semelhantes"
Pergunta—É
oportuno o desencadeamento do 'bom médium” em “médium bom” ?
Resposta—"A
transformação do bom médium em médium bom é serviço precioso, de vez que não
vale atender a simples fenômenos, destinados a convicções da curiosidade
respeitável mas nem sempre construtiva e, sim, aproveitar os valores da
Doutrina e incorporá-los à nossa própria experiência, a fim de que o próximo
seja mais feliz e a vida mais elevada e mais digna, ao redor de nós".
Pergunta—O
desenvolvimento da mediunidade se processa mais na corrente mediúnica ou nas
ações, palavras e pensamentos de todos os minutos do médium?
Resposta—"O
desenvolvimento da sublimação mediúnica permanece na corrente dos pensamentos,
palavras e atos do medianeiro da vida espiritual, quando ajustado ao ministério
de fraternidade e luz que a sua tarefa implica em si mesma".
Pergunta—Sendo
verdade que o clima mental do médium atrai espíritos condizentes—bons ou
maus—como agiremos diante dos médiuns que se dizem inconscientes e que dão
comunicações alternadas e seguidas?
Resposta—"O
médium não deve perder de vista a disciplina de si próprio. A ordem é atestado
de elevação".
Pergunta—A
tese de mediunidade inconsciente estará sendo estudada e observada com consciência
pela totalidade dos médiuns que se apregoam portadores de tal mediunidade?
Cabe-nos significar-lhes nossas dúvidas ou aguardar o tempo?
Resposta—"Na
esfera do mediunismo há realmente incógnitas, que só o esforço paciente de
nossos trabalhos conjugados no tempo conseguirão solucionar. Incentivemos o
estudo e o auxílio, dentro da solidariedade cristã e, gradativamente, diminuiremos
as múltiplas arestas que ainda impedem a nossa sintonia na execução dos
serviços a que fomos chamados, porquanto, o problema não deve ser examinado
unilateralmente, reconhecendo-se que o serviço é de nossa responsabilidade
coletiva nos círculos doutrinários".
Pergunta—É
verdade que, quando nos reunimos para estudos doutrinários e evangélicos, os
guias espirituais trazem para o ambiente espíritos necessitados de
entendimentos e, por isso, sofredores? Eles lucram, mesmo sem dar comunicação?
Resposta—"Sim.
Uma simples conversação evangélica pode beneficiar vasta fileira de ouvintes
invisíveis".
Pergunta—O
passe mediúnico só é possível através da incorporação ou é viável sob a
influência do guia?
Resposta—"O
passe é transfusão de forças magnéticas de variado teor e pode ser administrado
sob a influenciação dos desencarnados que se devotam à caridade, sem
necessidade absoluta de incorporação total na instrumentação mediúnica"
Pergunta—A
concepção do “Ide e pregai” é extensível às atividades do trabalhador que leva
aos morros e bairros pobres a ajuda material, entregue com alegria e boas palavras?
Resposta—"Com
os atos e as palavras que traduzam o ensinamento vivo do Cristo, o “Ide e
pregai” pode ser comparado ao “Ide e salvareis”. Conjuguemos o ensino com a
realização e estaremos expressando Jesus para a região em que vivemos”.
Pergunta—O
médium desenvolvido é aquele que se socorre mais pela inspiração ou o que se orienta
exclusivamente pela comunicação?
Resposta—"Preferimos
responder que o médium mais apto ao serviço do bem, com os grandes instrutores
da vida mais alta, será sempre aquele que se orienta, acima de tudo, pela
prática viva do Evangelho da redenção”.
Pergunta—E
oferecer desencanto às almas das crianças o levá-las em visita aos lares
pobres, quando da distribuição de auxílios?
Resposta—"Não
devemos impor à criança os quadros monstruosos ou infernais criados pela nossa
indiferença ou pela nossa ignorância na Terra. Mas o cérebro e o coração da
infância podem ser singularmente auxiliados pela visão gradativa dos problemas
enormes que a aguardam no futuro, na esfera do sofrimento humano”.
Pergunta—Em
razão do constante crescimento das hostes espirituais, o que é visível em
superfície, é de boa lógica cuidarmos desde já da 2ª linha—as crianças—para que
elas nos substituam, porém crescidas em profundidade?
Resposta—"Amparemos
a inteligência infantil, a fim de que o coração da Humanidade fulgure com o
Cristo, no porvir sublimado do mundo de amanhã. O Espiritismo, como renascença
do evangelismo, é a nova aurora da redenção humana. Em suas luzes divinas, a
criança pode e deve receber o glorioso roteiro de nossa ascensão para a vida
superior".
(Altino da Silveira Filho - Entrevista concedida em
Pedro Leopoldo. Publicada no jornal "Seara Juvenil” em setembro de 195I.
Distribuída pelo Centro Espírita Ivon Costa. Reeditada pelo Instituto Maria,
Depto. Editorial, Juiz de Fora, em 15 de abril de 1987.)
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Entrevista
a Revista Informação (1977)
INFORMAÇÃO - Chico, lembra-se de sua primeira participação na primeira atividade
espírita a que assistiu e qual foi essa tarefa?
Chico - Recordo-se. Minha primeira tarefa espírita foi a prece que se fez em torno
de minha irmã doente, no próprio quarto em que ela se achava.
INFORMAÇÃO - Quem tomara a iniciativa dessa reunião de cura?
Chico - Nosso amigo Sr. José Hermínio Perácio, que veio de Maquiné, localidade
próxima da cidade de Curvelo, em Minas, mais de cem quilômetros distantes de
Pedro Leopoldo, atendendo ao pedido de meu pai que o conhecia por amigo e
espírita-cristão, afim de socorrer minha irmã, então em estado grave,
INFORMAÇÃO - E sua irmã curou-se imediatamente?
Chico - Desde a primeira reunião de preces e passes, na manhã de 7 de maio de 1927,
ela se restabeleceu e, até hoje, é uma valorosa companheira na Seara Espírita
Evangélica.
INFORMAÇÃO - Quais os primeiros espíritas que conheceu?
Chico - Nossos irmãos José Hermínio Perácio e sua esposa D. Carmen Pena Perácio,
com os quais me iniciei no conhecimento da Doutrina Espírita e na mediunidade e
diante de quem sou um espírito eternamente devedor pelo bem que me fizeram.
INFORMAÇÃO - De que modo o casal Perácio iniciou você no Espiritismo?
Chico – Explicando-me o que eu sentia, em matéria de mediunidade, desde a infância,
quando fiquei órfão de mãe, aos cinco anos de idade, amparando-me em minhas necessidades
espirituais, ensinando-me a orar e presenteando-me com "O Evangelho,
Segundo o Espiritismo" e "O Livro dos Espíritos", de Allan
Kardec, os dois livros que me deram os alicerces de minha fé espírita-cristã e
me orientaram para aceitar a mediunidade e respeitar os Bons Espíritos.
INFORMAÇÃO - Disse você que sentia fenômenos mediúnicos desde criança.
Poderia especificá-los?
Chico - Sim. No quintal da casa em que eu morava, via freqüentemente minha mãe
desencarnada em 1915 e outros Espíritos, mas as pessoas que me cercavam então
não conseguiam compreender minhas visões e notícias, e acreditavam francamente
que eu estivesse mentindo ou que estivesse sob perturbação mental. Corno experimentasse
muita incompreensão, cresci debaixo de muitos conflitos íntimos, porque de um
lado estavam as pessoas grandes que me repreendiam ou castigavam, supondo que
eu criava mentiras e do outro lado estavam as entidades espirituais que perseveravam
comigo sempre. Disso resultou muita dificuldade mental para mim, porque eu
amava os espíritos que me apareciam, mas não queria vê-los para não sofrer
punições por parte das pessoas encarnadas com quem eu precisava viver.
INFORMAÇÃO - Em que condições você recebeu a primeira mensagem psicográfica?
Chico - Estávamos em reunião pública e depois da evangelização D. Carmern Perácio,
médium de muitas faculdades, transmitiu a recomendação de um benfeitor espiritual
para que eu tomasse o lápis e experimentasse a psicografia. Obedeci e minha mão
de pronto escreveu dezessete páginas sobre deveres espíritas... Senti alegria e
susto ao mesmo tempo. Tremia muito quando terminei.
INFORMAÇÃO - Qual era o espírito comunicante?
Chico - Não se identificou. Apenas assinou "um espírito amigo".
INFORMAÇÃO - Essa mensagem ainda existe?
Chico - Temos um grande arquivo de mensagens psicografadas em Pedro Leopoldo, mas
não creio possa ser encontrada. De 1927 a 1931 , recebi centenas de mensagens
que foram inutilizadas, depois, a pedido do Espírito de Emmanuel, que passou a
dirigir-nos de 1931 para cá. Disse ele que essas mensagens apenas se destinavam
aos nossos exercícios de psicografia.
INFORMAÇÃO - A quem pertencem os direitos autorais das dezenas de livros
psicografados por você?
Chico - Todos estes livros estão com os direitos doados às instituições espíritas
do Brasil que os editam; em maior número com a Federação Espírita Brasileira,
sediada no Rio de Janeiro, e na Comunhão Espírita Cristã, sediada em Uberaba.
Os direitos autorais pertencem a essas instituições e outras instituições
espíritas que os publicaram.
INFORMAÇÃO - Chico, na próxima encarnação, você gostaria de ser médium?
Chico - Se Jesus quiser...
INFORMAÇÃO - E se Jesus quiser?
Chico - Então, pediria a Ele, Nosso Divino Mestre, a felicidade de recomeçar a
tarefa, tal qual tenho tido o meu pequenino setor de ação, nas mesmas experiências
e nas mesmas circunstâncias, porque quanto mais avanço na idade física mais
amigos e bênçãos vou encontrando...
INFORMAÇÃO - O que é ser espírita?
Chico – Ser espírita, segundo Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, é
ser o cristão genuíno, com a obrigação de pautar a vida pelos ensinamentos de
Nosso Senhor Jesus Cristo, dentro da liberdade de raciocinar e discernir no campo
da própria fé.
INFORMAÇÃO - Compreendendo que você começou com a mediunidade em 1927, como conseguiu
perseverar com a mesma idéia no espaço de 50 anos?
Chico - Desde o princípio da mediunidade, os espíritos me habituaram à convivência
com eles. Acredito que isso ocorreu dessa convivência pois, desde os cinco anos
de idade, quando perdi minha mãe no plano material, sinto-me em contacto com os
espíritos desencarnados. A princípio na Igreja Católica e depois, mais tarde,
desde 1927, no Espiritismo propriamente considerado. Creio que foi a convivência
com os amigos espirituais. Eles - como por misericórdia - me controlaram, me
ajudaram a compreender a obrigação de atendê-los. Desse modo, essa perseverança
não é devida a mim mas à influência deles.
INFORMAÇÃO - Qual foi a experiência mais valiosa que o exercício da mediunidade lhe
trouxe?
Chico - O reconhecimento de minha inferioridade e o encontro constante com as
minhas imperfeições Quanto mais os Instrutores Espirituais escrevem, por meu
intermédio, mais claramente observo a distância espiritual que me separa deles.
Quanto mais corre o tempo sobre o trabalho dos Mentores do Além através de
minhas pobres forças, mais me vejo na condição da laranjeira de má qualidade
providencialmente cortada para serviços de enxertia. Os frutos no galho são substanciosos
e doces porque pertencem à laranjeira nobre que não desdenhou produzir sobre o
pé da laranja azeda.
INFORMAÇÃO - Alguma vez, o exercício da mediunidade impediu o cumprimento do seu dever?
Chico - Não. Aliás, devo dizer que através do exercício da mediunidade, os Amigas
Espirituais sempre me auxiliaram para que eu fosse fiel às minhas obrigações.
INFORMAÇÃO - Você acha que a prática da mediunidade encontra obstáculos por parte das
forças espirituais inferiores que nos cercam?
Chico - Sim. Acredito que isso acontece não só na prática mediúnica, mas em todo
lugar da Terra onde aparece a luz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Basta que o
Evangelho surja aqui ou ali, derramando as claridades eternas, para que a sombra
do mal se destaque em desafio. Compete a nós todos confiar em Jesus e trabalhar
sempre em Sua Seara de amor e de redenção.
INFORMAÇÃO - Como uma pessoa pode notar que é dotada de mediunidade, quais as vantagens
espirituais oferecidas pela mesma, e como essa pessoa deve proceder?
Chico - A mediunidade é peculiar a toda criatura humana; todas as pessoas são portadoras
de valores mediúnicos que podem ser cultivados ao máximo, desde que a criatura
se dedique a esse gênero de trabalho espiritual. De modo que, muitas vezes, encontramos
uma certa dificuldade no problema mediúnico dentro da Doutrina Espírita. De
modo geral, a pessoa só se diz médium quando se sente vinculada a um processo
obsessivo; quando sente arrepios, muita perturbação, muito assédio, muita
angústia, então se diz que essa pessoa é médium. Bem, aí já é médium assediado,
médium doente. A mediunidade está enferma. Mas a pessoa sem plenitude dos seus
valores físicos, pode perfeitamente estudar a própria mediunidade e ver qual o
caminho que suas faculdades mediúnicas podem tomar. Uma criatura que desenvolva
a sua própria mediunidade, desenvolve-a educandose, procurando aprimorar a sua
capacidade cultural, os seus valores, vamos dizer, os seus valores de experiência
humana, os seus contatos no campo da humanidade, o seu dom de servir; essa
criatura encontra na mediunidade, um campo vastíssimo de trabalho e de
felicidade, porque a felicidade verdadeira vem do trabalho bem aplicado,
daquele trabalho que se constitui um serviço pelo bem de todos. E o médium,
dentro da Doutrina Espírita é uma criatura não considerada fora de série de
criaturas humanas. O médium é um ser humano, com as fraquezas e as perfeições
potenciais de toda a criatura terrestre. Então, a Doutrina Espírita é Mãe Generosa
porque acolhe a criatura humana e faz dela um médium, mesmo que tenha muitos
erros e muitos acertos, mas, depois, do curso do tempo, os acertos vão abafando
os erros e a criatura pode terminar a existência com grande merecimento. Porque
pelo trabalho na mediunidade, trabalho pelo bem comum, ela vence esse peso, que
é o mais importante no mundo. Vencer a nós mesmos do ponto de vista das tendências
inferiores que estejamos carregando. Falo isso a meu respeito, porque não creio
que ninguém carregue tanta imperfeição como eu...
INFORMAÇÃO - Qual foi a maior alegria em sua vida mediúnica?
Chico - Por acréscimo de misericórdia do Alto, tenho tido muitas alegrias em minha
vida mediúnica. Não posso, no entanto, esquecer que uma das maiores, se
verificou no término da psicografia do livro "Paulo e Estevão", de
Emmanuel, em julho de 1941, quando os benfeitores desencarnados me permitiram
contemplar quadros do Mundo Espiritual que ficaram para mim inesquecíveis.
Outra grande emoção que experimentei foi a ida, em espírito, em companhia de
Emmanuel e André Luiz até a região suburbana de "Nosso Lar", em
Agosto de 1943, acontecimento esse que se deu, não por merecimento de minha
parte, mas para que, em minha ignorância, eu não entravasse o trabalho de André
Luiz, por meu intermédio, de vez que eu estava sentindo muita perplexidade, no
início da psicografia do primeiro livro dele, através de minhas pobres
faculdades.
INFORMAÇÃO - Quem trabalha tanto e trabalhou tanto até agora, nada recebe pelo seu
trabalho?
Chico - Graças a Deus, nunca entrou em nossas cogitações receber qualquer remuneração
pelos livros psicografados, que os nossos amigos espirituais consideram como
sendo um depósito sagrado. Mas é preciso que eu me explique: tenho tido uma compensação
muito maior que aquela que pudesse vir ao meu encontro através do dinheiro: é a
amizade. O Espiritismo e a mediunidade trouxeram-me amigos tão queridos, que me
dispensam tanto carinho, que eu me considero muito mais feliz com estes
tesouros do coração, como se tivesse milhões à minha disposição.
INFORMAÇÃO - Pretende atingir novos objetivos?
Chico - Grande misericórdia me fará a Providência Divina permitindo-me a possibilidade
de continuar trabalhando e aprendendo.
INFORMAÇÃO - Como você explica que até hoje nenhum cientista tenha feito
urna prova científica, unanimente aceita, dos fenômenos espirituais?
Chico - Nós, encontramos sempre um conflito entre ciência e religião. A religião
caminha para Deus, ensinando; a ciência caminha para as novidades de Deus,
estudando. As discussões se formam e a prova experimental do espírito do ponto
de vista científico, é sempre mais difícil. Mas essa prova está sendo
organizada pela própria ciência nos dias de hoje (...) . Estamos caminhando...
Mas, também do ponto de vista religioso, você pode imaginar a reviravolta que
vai haver no mundo, quase que uma violência do mundo espiritual em desfavor da
Terra, se tivermos, de um dia para outro, uma demonstração tão autêntica que
atinja as raias da violência? Isso não seria construtivo. Naturalmente, está no
plano da Vida Superior preparar a nós outros, pouco a pouco, através de nossas
experiências e de nossas provas, para o conhecimento mais exato da
sobrevivência além da morte. Estamos convencidos de que a Parapsicologia, sem
nenhuma idéia de fanatismo, como ciência pura de observação, alcançará
resultados compensadores dentro de muito breve tempo. Sempre que a ciência
entra em conflito com a religião ou crie qualquer problema de fanatismo dentro
dela, essa prova a que nos referimos, vai ficando cada vez mais remota.
Esperemos porém, confiantemente o futuro, porque precisamos da certeza de que a
vida continua, certeza em favor de todos.
INFORMAÇÃO - A que você atribui a taxa sempre crescente de doentes mentais?
Chico - Os Espíritos que se comunicam, são unânimes em afirmar que essa taxa crescente de perturbações, na
atualidade, decorre do desequilíbrio existente entre as nossas conquistas de
ordem científica e o atraso dos nossos sentimentos. Existe grave desequilíbrio
na balança cérebro-coração. A medida que o progresso nos exonera as mãos de
maior esforço, mais amplamente estamos a sós conosco nos caminhos da vida. Com
isso faceamos certas dificuldades para nos suportarmos, do ponto de vista
individual, sem perturbações, porque estas perturbações são conseqüentes à
nossa incapacidade de responder, do ponto de vista emocional, à evolução da
inteligência. Isso cria tomadas de obsessão ou desarmonias mentais muito
grandes, reconhecendo-se que ainda cultivamos certa espécie de amor extremamente
possessivo na Terra. Falamos do ponto de vista coletivo. Esse amor possessivo
gera em nós processos lamentáveis de ciúme e desesperação, que muitas vezes nos
induzem à delinqüência confessa. Quando encontramos um caminho de libertação
espiritual, através do respeito que devemos uns aos outros, na condição de
jovens e de adultos, entendendo-se que cada um de nós é um mundo por si e que
cada qual de nós é chamado a exercer tarefa específica sobre a Terra, então
muitos dos nossos problemas alusivos à perturbação mental estão praticamente
eliminados. Isso ocorrerá, porque estaremos em condições de responder com
altura de sentimento à elevação das novas descobertas que nos impelem a crer
que a Terra é, realmente, para nós todos, um mundo maravilhoso. A dificuldade
ou a perturbação residem, efetivamente, em nós mesmos.
INFORMAÇÃO - O que dizem os benfeitores espirituais sobre os tratamentos
realizados por via mediúnica, que utilizam os recursos de Medicina Oficial
(principalmente drogas alopáticas e tratamento cirúrgico), com vistas aos
possíveis riscos de falha mediúnica?
Chico - Acreditamos que o problema da cura espiritual, conforme a própria expressão,
é assunto pertinente à fé com que recebamos os processos de auxílio do Mundo
Maior. As curas espirituais, por isso mesmo, são capazes de surgir em qualquer
setor religioso, no qual a mente humana se expresse com absoluta confiança nos
poderes superiores que governam a vida. Acreditando nisso, estamos convencidos
de que todas as pessoas que recorrem à oração, estão munidas de um poder cuja
extensão, por enquanto na Terra, não conseguimos avaliar. Quanto aos
companheiros da mediunidade que se dediquem às curas de ordem física,
impulsionados por Espíritos de médicos desencarnados, cremos que deveriam ou
deverão solicitar o concurso de médicos encarnados dispostos a auxiliá-os em
semelhante mister para que os nossos companheiros não permaneçam sozinhos ou
quase que aparentemente sozinhos em tais experiências, mais fenomênicas do que
doutrinárias propriamente consideradas.
INFORMAÇÃO - Como entender as doenças incuráveis, à luz do Espiritismo?
Chico - Doenças incuráveis, à luz do Espiritismo, estão arraigadas às nossas necessidades
de aprendizado e evolução, resgate e aperfeiçoamento, nos campos da reencarnação
e os Instrutores da Espiritualidade acrescentam que a Ciência e a Religião
operam no Planeta, sob a inspiração da Providência Divina, para amenizar,
diminuir, sustar ou extinguir as provações dos homens, conforme a necessidade e
o merecimento de cada um.
INFORMAÇÃO - O suicídio é conseqüência de fatores psicológicos em desagregação
ou de influências espirituais em evolução?
Chico - Todos sabemos: cada espírito é senhor do seu próprio
mundo individual. Quando perpetramos a deserção voluntária dos nossos deveres,
diante das leis que nos governam, decerto que imprimimos determinadas
deformidades no corpo espiritual. Essas deformidades resultam das causas
cármicas estabelecidas por nós mesmos, pelas quais sempre recebemos de volta os
efeitos das próprias ações. Cometido o suicídio nessa ou naquela circunstância,
geramos lesões e problemas psicológicos na própria alma, dificuldades essas que
seremos chamados a debelar na próxima existência, ou nas próximas existências,
segundo as possibilidades ao nosso alcance. Assim, formamos, com um suicídio,
muitas tentações a suicídio no futuro, porque em nos reencarnando, carregamos
conosco tendências e inclinações, como é óbvio, na recapitulação de nossas
experiências na Terra. Quando falamos "tentações" não nos referimos a
esse tipo de tentações que acreditamos provir de entidades positivamente
infelizes, cristalizadas na perseguição às criaturas humanas. Dizemos tentação
oriunda de nossa própria natureza. Sabemos que a tentação em si, na verdadeira
acepção da palavra, nasce dentro de nós. Por isso mesmo poderíamos ilustrar
semelhante argumento lembrando um prato de milho e um brilhante de alto preço;
levado o brilhante de alto preço à percepção de um cavalo. por exemplo, é certo
que o eqüino não demonstraria a menor reação; mas em apresentando a ele o prato
de milho, fatalmente que ele reagirá, desejando absorver a merenda que lhe está
sendo apresentada. Noutro ponto de vista, um homem não se interessaria por um
prato de milho, no entanto se interessaria compreensivelmente pelo brilhante.
Justo lembrar que a tentação nasce dentro de nós. Quando cometemos o suicídio,
plasmamos causas de sofrimento muito difíceis de serem definitivamente
extirpadas. Por isso, muitas vezes, os irmãos suicidas são repetentes na prova
da indução ao suicídio, descendo desprevenidos, à desconsideração para consigo
próprios. Benfeitores da Vida Maior são unânimes em declarar que, em todas as
ocasiões nas quais sejamos impulsionados a desertar das experiências a que Deus
nos destinou na vida terrestre, devemos recorrer à oração, ao trabalho, aos
métodos de autodefesa e a todos os meios possíveis da reta consciência, em
auxílio de nossa fortaleza e tranqüilidade, de modo a fugirmos de semelhante
poço de angústia.
INFORMAÇÃO - No estado comatoso há momentos de lucidez plena ou apenas
intervalos intermitentes?
Chico - No caso da lucidez no estado comatoso, segundo os Amigos Espirituais nos
-inspiram a fim de que a nossa palavra possa ser ouvida, isso varia muito de
acordo com as criaturas, segundo os graus de espiritualidade superior ou de mergulho
da mente nas impressões da vida material. Na maioria das ocasiões, quando
partimos do Plano Físico obedecendo aos ditames de enfermidade longa e laboriosa,
o estado comatoso é seguido de lucidez: ouvimos, compreendemos aquilo que
ouvimos, estamos dentro de indefinível expectativa, conquanto em paz, ou
naquele estado de inquietação que se experimenta perante o desconhecido. Ainda
aí porém somos impelidos a entender que a alteração dos centros de percepção
sensorial deve ser considerada, porque, conforme a condição do doente, esses
núcleos estão, muitas vezes, obliterados ou parcialmente semi-destruídos, sem
que o espírito, eterno, possa se fazer exprimir através das potencialidades cerebrais,
assim como um violinista que, apesar de muita competência, por vezes, sente-se
frustrado quando está diante de um instrumento desafinado e desarticulado. Nos
processos de desencarnação violenta, é natural que se entenda a lucidez por
estado mental muito difícil de reter-se; o cérebro entra em choque violento, a
destrambelhar-se portanto nas mais íntimas estruturas. Em vista disso, os
Amigos Espirituais afirmam que na desencarnação de improviso, somos habitualmente
acometidos por um sono profundo, do qual despertamos entre aqueles que nos
dedicam assistência e afeição na Vida Espiritual.
INFORMAÇÃO – Qual seria sua
opinião, a situação do Espiritismo no momento, no Brasil e no mundo?
Chico - O Espiritismo no Brasil é o Cristianismo redivivo. Religião e ação do Nosso
Senhor Jesus Cristo, através das explicações de Allan Kardec, junto do povo e
com o povo, ensinando-os com os princípios da evolução e da reencarnação, da
fraternidade e da justiça, que todos somos responsáveis pelos próprios atos e
que as leis divinas funcionam na Terra ou em outros mundos nós mecanismos da
consciência de cada um. Os benfeitores desencarnados esperam que essa noção
fundamental do Espiritismo no Brasil alcance as múltiplas escolas do
Espiritismo existentes em outros Países.
INFORMAÇÃO - Como você vê o Movimento de Unificação?
Chico - Consideramos o assunto na base que o nosso benfeitor espiritual Dr. Bezerra
de Menezes fixou numa de suas páginas, por nosso intermediário, quando o amigo
espiritual afirmou que a Unificação do Espiritismo no Brasil é serviço urgente
mas não apressado. Isso no momento nos pareceu um paradoxo, mas sem dúvida que
essa confraternização dos tarefeiros espirituais é trabalho urgente, porque nós
precisamos cogitar da nossa confraternização de ordem geral no campo da
Doutrina, todavia esse trabalho não pode ser feito com muita pressa, porque os
ingredientes para a realização dele são todo de ordem espiritual e nós não podemos
agir com violência.
INFORMAÇÃO - Há alguma sugestão, em favor da concretização do movimento de
Unificação no Brasil?
Chico - Considero, de acordo com as instruções dos Benfeitores Espirituais, que é
nossa obrigação trabalhar, quanto nos seja possível, pela nossa própria união
em torno dos programas de trabalho traçados pelas entidades que nos dirigem, a
fim de que elas, por seus diretores e representantes, possam tratar da
unificação na cúpula de nossa construção doutrinária.
INFORMAÇÃO - De que forma os espíritas, em geral, poderiam contribuir mais
diretamente para a Unificação?
Chico - Lembrando que Jesus e Kardec sempre uniram as criaturas pelo exemplo do
amor ao próximo.
INFORMAÇÃO - Qual seria o papel do Centro Espírita no Movimento de Unificação?
Chico - Os nossos amigos espirituais sempre nos ensinaram a considerar os Centros
Espíritas como a Escola mais importante da nossa alma, porque é no Templo
Espírita que nós recebemos de outros e podemos doar de nós mesmos os valores
que servirão a cada um de nós para a vida eterna. De modo que, nós damos tanta
importância ao Estudo da Matemática, ou ao estudo da Química, que realmente são
importantes, não podemos menosprezar as lições em torno da paciência, em torno
da tolerância, que são atitudes da alma que nós não teremos sem estudar, sem
raciocinar. Portanto, um Templo Espírita é uma Universidade de formação espiritual
para as criaturas humanas, e por isso o Espírito de Emmanuel, que nos orienta
as atividades desde 1931, empresta a maior importância ao Templo Espírita,
porque o Templo Espírita revive as casas do Cristianismo simples e primitivo em
que os nossos corações se reúnem em torno dos ensinamentos do Cristo, para a
melhoria da nossa vida interior. Por exemplo, numa Faculdade de ensino superior,
que nos merece o máximo acatamento, nós aprendemos Ciências que vão aperfeiçoar
os nossos recursos intelectuais Mas, no Centro Espírita, orientado segundo os
preceitos do Evangelho, nós vamos encontrar os estudos e os raciocínios
adequados à nossa necessidade de vivência em paz no mundo com a vivência
igualmente do Amor uns para com os outros, segundo o ensinamento de Jesus que
nós não podemos esquecer: "Amai uns aos outros como eu vos amei..."
INFORMAÇÃO - Como o Sr. vê a juventude atual?
Chico - Eu creio na juventude como sendo a esperança não só do Brasil como do
mundo inteiro. A acusação que pesa sobre a chamada juventude transviada, eu
quero crer que não procede, porque o número de jovens que se dedicam ao trabalho,
ao estudo, à dignidade humana e à sua própria respeitabilidade no cumprimento
de seus deveres, é ilimitado, e não podemos sacrificar essa maioria extraordinariamente
maravilhosa, principalmente a juventude brasileira que conhecemos muito bem, à
essa minoria, que em todos os tempos foi a minoria dos espíritos rebeldes, no
campo da humanidade.
INFORMAÇÃO - Na juventude atual ainda há fé?
Chico - Creio que imensamente, mas com muita sinceridade. Toda criatura humana tem
reservatórios infinitos de fé, e o jovem principalmente. Por exemplo, se nós
que amadurecemos na experiência humana perdermos a fé nos jovens, não contaremos
com futuro razoável nem com futuro tão sereno, tão produtivo, tão brilhante
como desejamos. Todos temos fé na juventude e nós cremos que a juventude tem fé
nas forças da vida, quando não estejamos pronunciando o nome sagrado de Deus.
Já que estamos num período em que muitos jovens desejam que se fale uma
linguagem mais moderna, isso é, fora da conceituação das religiões tradicionais,
vamos, então dizer, como sinônimo de Deus, a Força da Vida. Todo jovem crê na
força da vida, e para nós que cremos em Deus a forca da vida é Deus. Nós temos
amigos jovens, que costumara dizer: Nós não cremos em Deus, nós cremos no
homem; mas o homem é filho de Deus. E um pai que se vê acreditado no filho,
sentir-se-á até muito mais feliz do que se as pessoas acreditarem nele, porque
o homem é obra-prima de Deus. Todos os sistemas de fé raciocinada, fora do
conceito da fé mística e da fé religiosa, que fazem do homem um ídolo moderno
também é fé no futuro, e nós estamos certos de que essa mocidade maravilhosa
dos nossos dias, estudiosa, realizadora, está caminhando para Deus pela fé com
o mesmo entusiasmo com que nós caminhamos há quarenta, há trinta, vinte anos
atrás.
INFORMAÇÃO - A inquietação da mocidade é medo da vida ou falta de entrosamento com o
modo de pensar das gerações mais velhas?
Chico - Os Amigos Espirituais asseveram que todos estamos; os espíritos atualmente
encarnados na Terra; seja em posição de mocidade ou madureza física, sofrendo
indisfarçável inquietação na procura de novas formas de pensamento e progresso,
e que isso é um estado natural de idéias e de cousas, na renovação da
Humanidade.
INFORMAÇÃO - Como os espíritos amigos interpretam o fenômeno da juventude de hoje, com
as suas tendências libertárias?
Chico - Os nossos amigos espirituais costumam dizer que devemos acolher no coração
a mocidade atual, com suas características e os seus anseios de liberdade.
Esclarecem, mesmo, que a maioria dos jovens atualmente reencarnados conosco na
Terra, não se constituem de espíritos que procedam de faixas de evolução
diferente da nossa. Em muitos casos, os jovens apresentam idéias, talvez caprichosas
para nós outros - os que já atingimos a madureza - mas, estamos nas vésperas do
próximo século, início do terceiro milênio. Atravessamos uma época de transição
em que as idéias de liberdade e de renovação chegam até nós com um impacto
muito grande. Assim precisamos compreender a jovem-guarda como a nossa família
necessitada de orientação, de educação, como todos nós. Precisamos estabelecer
um acordo para que o jovem encontre apoio nos espíritos amadurecidos e os
espíritos amadurecidos encontrem, também, a compreensão da chamada
jovem-guarda. "O moço pode e o mais velho sabe"; convém que a experiência
esteja unida à possibilidade de realização para que cheguemos, na Terra, ao
verdadeiro progresso. A jovem-guarda merece a nossa consideração, o nosso amor,
como se toda ela fosse constituída de filhos nossos, necessitados de amor, de
assistência, de orientação. Todos nós, na juventude, também tivemos anseios de
liberdade. Hoje, damos graças a Deus por todos aqueles que nos ampararam e nos
apontaram o caminho, com paciência e com respeito, sem ferir, ou aumentar as
nossas aflições de alma e nossos propósitos de progresso e evolução.
INFORMAÇÃO - Há consumo cada vez maior de psicotrópicos pelo adolescente; quais as
razões que o levam a isso?
Chico - Acreditamos que a ausência de preparação espiritual para facear os problemas
e exigências da moderna civilização – civilização essa com traços do homem na
Lua e milhares de crianças relegadas à penúria e ao analfabetismo nas furnas da
Terra, -sugerem fuga a verdadeiras multidões de jovens e adultos na atualidade
que passam a desrespeitar a função medicamentosa que a Providência Divina dotou
os psicotrópicos, através da Ciência Médica, chamada no Mundo à elevada missão
de aliviar e curar; essas multidões anseiam esquecer e tentam subtrair-se à
preocupação, dopando a própria mente com o uso imoderado de drogas que não
deveriam sair da esfera específica de socorro aos doentes para os quais foram
criadas. O resultado, porém, é sempre contraproducente, de vez que todos somos
espíritos eternos e mais dia menos dia, quantos pretendam omissão ou deserção,
no trabalho que nos compete a cada um, em favor de todos, para a melhoria e
aperfeiçoamento de nós próprios, despertarão em si mesmos com a obrigação de se
reajustarem, ante as leis de responsabilidade pessoal, estabelecidas no mundo
pelas Leis de Deus.
INFORMAÇÃO - O que o Sr. teria a nos dizer sobre o chamado "amor livre"?
Chico - Com respeito ao amor livre em si, estou recordando, neste momento, uma
trova que nos foi transmitida, mediunicamente, pelo nosso grande poeta
brasileiro Aldemar Tavares, que se distinguiu muito como trovador e foi, até, o
Rei da Trova Brasileira. Escrevendo por nosso intermédio, em Uberaba, ele
psicografou uma trova nestes termos:
Amor livre, uma expressão,
Que vive a se contrapor;
Amor em si não é livre,
Se é livre, não é amor!
INFORMAÇÃO - Em face do desenvolvimento mental da criança, da influência dos meios
de comunicação do processo de aprendizagem, justificar-se-ia a programação de
aulas predominantemente de Doutrina Espírita?
Chico - Pelo menos depois dos 8 a 10 anos de idade, acreditamos que sim, porque a
mente infantil dos 9 e 10 anos de idade, já se encaminha para uma posição
consolidada na reencarnação, que a criança está começando a viver. Aos 10 anos,
dos 10 aos 12, temos um mundo de informações para dar à criança, e isso a nosso
ver é muito necessário, porque a criança está encontrando hoje, um mundo muito
diferente daquele que os adultos de agora encontraram há 40, 50, 30 anos atrás.
Há muitos pequeninos que são chamados aos 8, 9, 10 e 11 anos de idade a facear
problemas que só adultos conheciam há 10 anos passados. Hoje, autoridades da
Europa e da América do Norte, em diversos comentários e estudos de revistas de
divulgação científica, muitas autoridades andam impressionadas com o suicídio
entre crianças, suicídio de crianças de 10, 11, de 12, de 13. Estes suicídios
nesta idade não eram comuns, nem eram mesmo conhecidos há 15, 20 anos atrás
Crianças que sofrem a perda de pais ou que são abandonadas pelos pais e que se
suicidam mesmo, se afogam, se envenenam, procuram armas, atiram contra si
próprias. Isto é um problema sério para todos aqueles que se sentem vinculados
à tarefa de socorro à criança.
INFORMAÇÃO - O que o senhor tem a nos dizer sobre material didático
constante de apólogos e símbolos para as Escolas Espíritas de Evangelização, desde
a faixa de 5 a 13 anos?
Chico - Nós estamos vendo muita discussão em torno deste assunto, por toda parte.
Uns não querem que a criança ouça apólogos com vozes humanas em animais, outros
exigem que este material seja posto em função. Não estando dentro do movimento
de educação da criança nos meios espíritas, nós não temos o direito de opinar,
porque só devemos opinar num assunto quando estamos em atividade dentro dele.
Mas, como criatura humana que sou, creio que até os 6 anos, nessa faixa, uma
árvore, uma borboleta, uma fonte, uma andorinha conversar, isto ajuda muito a
criança. Agora, depois dos 6. 7 anos é interessante que a criança entre num
mundo de realidades objetivas, para que ela não acuse o adulto de mentiroso.
Mas, não devemos levar tão longe essa idéia de que estejamos mentindo. A
criança nos primeiros tempos de vida, tem necessidade da história tocada de
amor, tocada de ternura, beleza, espiritualidade. E o apólogo em que os animais
comparecem conversando entre si, dando lições, este apólogo é sempre um agente
muito proveitoso no esclarecimento da mente. Não vemos nenhum incoveniente, mas
deixamos os assuntos para os técnicos.
INFORMAÇÃO - Qual a tarefa do dirigente espírita junto aos evangelizadores?
Chico - Cremos que o dirigente de instituição Espírita, a nosso ver, deveria prestigiar
ao máximo o trabalho dos evangelizadores, porque eles funcionam dentro da
Organização Espírita Cristã, corno legítimos educadores dos pequeninos que amanhã
tomarão o nosso lugar, em todos os setores da experiência terrestre. Esse
trabalho é grande e sublime demais para ser subestimado, por isso mesmo nós
admitimos, que o assunto não pode escapar do apoio dos dirigentes espíritas,
que, naturalmente, se estão devidamente conscientizados de suas tarefas, hão de
apoiar os professores como sendo companheiros dos mais estimáveis na Seara
Espírita Evangélica.
INFORMAÇÃO - O que o senhor acha da realização de Simpósios sobre Evangelização da
Criança?
Chico - Nós acreditamos que é uma necessidade, porque favorece a troca dos pontos
de vista e dos estudos experimentais que possam ser realizados em torno da
educação espírita-cristã, dedicada à criança; antes da ministração de ensinamentos
mais claros e mais definitivos da Doutrina Espírita, aplicada à nossa própria
vivência, no caminho comum da Terra. O Simpósio é como se fora uma reunião de
pais ou responsáveis observando que tipo de alimentação pode ser dado a
determinadas comunidades infantis. Antes das lições em si, o Simpósio é sempre
uma preparação de contatos. E nós não podemos esquecer isto, sem nos perdermos
na precipitação, que acaba sempre em prejuízo e em atividade inútil dentro de
nossas instituições.
INFORMAÇÃO - Quais as matérias que os Espíritos gostariam que fossem estudadas
nestes Simpósios?
Chico - Temos ouvido o Espírito
de Emmanuel há muitos anos com respeito a estes assuntos, e ele admite, sem
nenhuma exigência, porque os nossos amigos espirituais não nos violentam em
atitude alguma, ele considera que seria muito interessante os professores
encarnados na Terra, e que se encontram nessa maravilhosa tarefa de preparação
do futuro na mente infantil, ele considera que seria interessante reuniões
deles, selecionando os temas espíritas, dentro da atualização dos nossos
processos atuais de vivência, para que a criança possa desenvolver para a vida
adulta, com o conhecimento possível das estradas e experiências que a esperam
no dia de amanhã. Nós sempre nos desvelamos em nossas casas, no ensino da
bondade, do perdão, das atitudes evangélicas em si, roas precisamos descobrir
um meio de comunicar à criança, algum ensinamento em torno da Lei da Causa e
Efeito, mostrando determinados tópicos dos mais expressivos para o mundo
infantil, com respeito à reencarnação, o problema da imortalidade da alma.
Muitas vezes, encontramos crianças traumatizadas pela perda de irmãos pequeninos,
pela perda dos pais, pela perda de amigos, de parentes próximos, e nos
esquecemos de que os pequeninos também, esperam uma palavra de consolo e
esclarecimento, qual acontece corri os adultos, diante dos processos de desencarnação.
E muitas vezes, nós esquecemos de conduzir a criança para este tipo de
lição, para este tipo de comentários, com receio de apressar na mente da criança
determinados pensamentos com relação à morte do corpo Precisávamos estudar
quais os meios de começar a oferecer a criança, bases para que ela se conheça
no mundo em que está vivendo e naquele mundo social em que ela vai viver. Mas,
é. assunto dos professores, porque os espíritos amigos dizem sempre que,
aqueles que se reencarnam na Terra pare determinadas tarefas, não devem ser
incomodados coro opiniões estranhas a eles mesmos desde que, se eles receberam
estes encargos, é porque eles os merecem, e está ria órbita das responsabilidades
deles. Os professores espíritas reencarnados têm essa responsabilidade asse
encargo a cumprir, selecionar os assuntos, para fortalecer e amparar a criança
diante do futuro
(Adaptação das obras "No Mundo de Chico
Xavier", de Elias Barbosa, e "Entrevistas", organizada por
Salvador Gentile e Hercio Marcos Cintra Arantes, edição IDE)
Revista Informação – Abril de 1977
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Entrevista a Tv Manchete (1988)
A Mediunidade não me Exime das
Lutas Naturais de Qualquer Pessoa”
Tv
Manchete - Por que pessoas que fazem tanto bem para a Humanidade, como a Irmã
Dulce, tem uma morte tão sofrida?
Chico
Xavier - Lembrando com muito
respeito e reconhecimento a Irmã Dulce, nossa patrícia, nós perguntamos: E por
que o sofrimento de Jesus no lenho? ! Ele era o guia da Humanidade e, a bem
dizer, um anjo protetor da comunidade humana. É que nós necessitamos de uma
interpretação mais exata do sofrimento em nosso caminho diário. Creio que todos
nós devemos pagar o tributo da evolução, no agradecimento à Divina Providência
dos bens que desfrutamos.
E nesse
particular, se é possível, eu peço licença para recordar o meu próprio caso. Eu
sempre tive uma vida normal, como a de tantos seres humanos. Entretanto, com
uma labirintite que me apanhou há 3 anos, sou agora praticamente um
paraplégico, porque tenho as minhas pernas constantemente doloridas e inúteis.
Mas
reconheço que estou com 82 anos de existência física, a caminho dos 83, tenho
muita alegria de viver e tenho muita satisfação pela oportunidade de conhecer
uma doença que me priva da vida natural de intercâmbio com os próprios
familiares.
Um
paraplégico que se habituou a usar muletas nos visitou há dias e me perguntou:
“ Chico Xavier, eu sou um leitor das páginas mediúnicas que você tem
recebido... Indago a você por que é que Emmanuel, um Espírito benemérito; por
que é que André Luiz, um médico de altos conhecimentos; por que é que Meimei,
uma irmã que foi a professora devotada da infância e da mocidade; por que é que
o Dr. Bezerra de Menezes, que continua sendo, na Vida Maior, um médico do mais
elevado gabarito e que é seu amigo – por que é que eles não curam você?”
Eu disse
assim: “ Meu amigo, graças a Deus, eu não me sinto com privilégio algum... A
mediunidade não me exime das vicissitudes e das lutas naturais de qualquer
pessoa dos nossos grupos sociais”.
Penso
que essa moléstia tão longa e tão difícil é um ensinamento de que eu necessito,
porque, quando chegar à Vida Espiritual, breve como espero, e algum Instrutor
me perguntar: “Chico Xavier, você nunca teve uma moléstia grave que durasse
longo tempo?...” Eu vou dizer:
“Sim,
fiz 80 anos e, depois do dia em que completei 80 anos, começou a defasagem do
meu corpo físico...” Mas isto é muito natural em qualquer pessoa, especialmente
na pessoa idosa. É uma crucificação gradual e que eu necessito, para não
ficar envergonhado no Além, quando eu chegar à convivência dos nossos
irmãos já desencarnados... Eu quero não sentir vergonha de nunca ter sofrido...
Mas para
mim isto não é sofrimento. Tenho muitos bons amigos, cultivo a amizade com
muito calor humano, gosto muito da vida e sei que vou continuar vivendo... Se
Jesus permitir, os médicos desencarnados lá me ofertarão, talvez,
quem sabe?, alguma melhora ou, se a doença continuar, eu devo saber que é
a Vontade de Deus, é o Desígnio Divino que nos deu a felicidade da vida...
Então, eu
estou aqui com vocês na maior alegria e creio que nenhum escutou de mim
qualquer queixa, porque estou muito bem. Não me falta alimentação, não me falta
alimentação, não me falta medicina, os médicos amigos me tratam estudando a
moléstia com muita atenção, me proporcionando as melhoras possíveis...
E eu
continuo há 2 anos na condição de paraplégico, mas estou muito feliz e, creio
eu, estou muito longe da grandeza espiritual da Irmã Dulce, não tenho nada a me
queixar, e sim agradecer; eu creio que ela também terá sentido muita felicidade
ao se ver libertada do corpo doente. Se ela puder – eu compreendo-, ela, sendo
possível, nos auxiliará.
TV Manchete – Como você vê a
Transcomunicação Instrumental?
Chico Xavier – A nós outros, os que estamos
com atividade constante na Doutrina Espírita, o resultado da Transcomunicação
na Europa e em outros países é o transcendente trazido à realidade de nossas
vidas. E todas as pessoas cultas ou de qualquer expressão religiosa creio que
pensarão como nós.
Transc.
Parcial da entrevista concedida à TV Manchete, de Uberaba,
Minas, em 11 de maio de 1992
Anuário Espírita - 1995
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Entrevista
a Revista Informação (1989)
Sexo
O sexo está banalizado devido à sua exploração como
tema central pela massificadora propaganda de consumo. Sua utilização
desequilibrada leva o Ser a mergulhos em desequilíbrios e ações cuja
re-harmonização ou reparação custam caro à própria individualidade no processo
evolutivo. O esclarecimento espírita faz-se, portanto, urgente para que a
sociedade humana em geral desperte.
A seguir algumas opiniões desdobradas pelo médium
Francisco Candido Xavier.
- Erotismo e pornografia, qual a razão de tantas
publicações sobre estes assuntos? A educação sexual é necessária?
Chico Xavier
- A primeira pergunta à nosso ver, é assunto pertinente às autoridades da
imprensa, às quais precisaria caber o encargo de fiscalizar a sanidade e o
proveito dos artigos que a própria imprensa escrita ou rádio-televisada fornece
ao mercado das idéias para consumo dos leitores.
Quanto à segunda indagação, cremos que a educação
sexual é assunto a ser conduzido seriamente, no futuro, porque, no presente, em
nosso âmbito pessoal, ignoramos onde estarão os professores para semelhante
disciplina.
-Chico Xavier, as mulheres saíram pra luta, trabalham
fora, às vezes e muitas das vezes precisam sair, trabalhar fora para ajudar seu
marido. Como o Sr. vê, não essa mulher feminina que se coloca junto ao seu companheiro,
llutanto pelo dia-a-dia, mas a mulher que está se negando como mulher e
querendo copiar o modelo masculino. Como vê, mestre Chico, esta situação?
Chico Xavier
- Acreditamos que há tarefas específicas que a mulher pode e deve desempenhar
junto dos homens, colaborando com seus companheiros, os orientadores e amigos
da Humanidade, aqueles que são pais, são condutores da vida, especialmente nas
questões de educação, nas questões de medicina e higiene, setores em que a
mulher, muitas vezes, excede em zelo e inteligência à própria capacidade
masculina.
Mas, essa luta, este trabalho competitivo em que a
mulher comparece diante das tarefas funcionais, disputando empregos, desejando
imitar a masculinidade, nós não entendemos isso muito bem, porque se tivermos mais
paciência, e um tanto mais de aceitação das nossas possibilidades,
esqueceríamos essa questão abusiva a que nomeamos status, e dentro de uma vida
mais simples, mais feliz, a mulher encontraria a sua verdadeira posição diante
da vida.
Quanto ao número de filhos, compreendemos que é justo
o planejamento familiar venha em nosso auxílio, com a direção das autoridades
especialmente técnicas no assunto, para que tenhamos semelhante benefício. Mas
devemos acrescentar que nesse sentido, entendendo que as relações sexuais
muitas vezes são necessárias ao alimento afetivo, como agente revigorador das
forças do homem e da mulher, são perfeitamente compreensíveis e dentro delas o
anticoncepcional seria o caminho mais certo para que se evite a matança de
milhões de crianças nas grandes capitais do mundo.
-Chico, no nosso último estudo doutrinário surgiu uma
grande dúvida sobre a conduta que o jovem espírita dete ter sobre sexo.
Chico Xavier
- Eu creio que um compromisso sexual deve ser profundamente respeitado. Uma
terceira pessoa em qualquer compromisso sexual é uma dificuldade a superar,
porque não podemos esquecer que a lesão sentimental é talvez mais importante
que uma lesão física, e alguém que promete amor à alguém deve se desincumbir
desse compromisso com grandeza de pensamento e sem qualquer insegurança. Não
compreendo a prosmicuidade, mas a luta para que haja perfeitamente o
relacionamento de alma para alma, com o repeito que devemos uns aos outros.
- O sexo é um dos principais problemas da vida? Como
devo encarar o ato de sedução?
Chico Xavier
- Sendo o sexo uma força criativa, diria que talvez quem não tiver problemas de
sexo estará doente. Somos seres sexuados, esta é uma das realidades humanas.
Aquele que nada sente neste sentido, no mínimo está com os centros genésicos
oclusos. Não somos anjos e, se fôssemos, nosso lugar não seria aqui...
Saibamos porém que os anjos não podem ser
ingênuos. Eles passaram com certeza por nossas experiências. Freqüentemente, os
Epíritos Orientadores nos esclarecem que devemos evitar a prosmicuidade. Isso é
importante. Não de deve usar um corpo usado por outrem, assim como não se mora
em duas casas concomitantemente.
Conscientizemo-nos também de que o problema de
sedução irresponsável, egoística, é muito grave, de vez que contraímos séria
dívida com a pessoa seduzida. Têm ocorrido caso de sedutores assassinados por
suas vítmas que chegam no Além na condição de assassinos de si próprios pois
que, por reações indébitas, provocaram o próprio fim. Nunca nos cabe o direito
de saquear ou dilapidar a vida do próximo.
Cada um pode e deve administrar o próprio corpo como
melhor lhe pareça. Devemos contudo discernir o que nos convém daquilo que
significa sementeira amarga.
- E a permissividade sexual hoje existente, irá
perdurar por quanto tempo?
Chico Xavier
- Talvez uns 200 anos, ou mais. Sabemos o que aconteceu: durante séculos as manifestações
sexuais estiveram reprimidas dentro de um círculo muito restrito por alguns que
tinham interesse na repressão de suas expressões e anseios. Isso foi possível
até determinado tempo. - (...)
- Que aconteceu depois? Séculos de repressão
psicológica muito regida redundaram num rompimento dessas barreiras, numa
liberação que ultrapassou os limites mesmo deste círculo mais amplo |