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 José Queid Tufaile

O assunto
Magia Negra ainda não foi convenientemente estudado pelos praticantes do
Espiritismo. Há espíritas que não acreditam na possibilidade da existência dos
conjuros, ou trabalhos feitos, como é conhecida a Magia Negra. Mas, um estudo
cuidadoso da teoria de O Livro dos Espíritos, e de algumas citações feitas por
Allan Kardec na Revista Espírita, mostra que essas manobras mediúnicas, com a
finalidade de prejudicar o próximo, são perfeitamente possíveis.
A Magia
Negra, macumba ou conjuro, ainda é um tema que desperta curiosidade.
Mas, será
que a macumba existe mesmo? Ou a crença na sua existência seria produto da
ignorância ou superstição? Estas perguntas vem sendo feitas com freqüência por
quem participa dos trabalhos práticos de Espiritismo, sem que se possa encontrar
respostas convincentes. Há pessoas que simplesmente não acreditam. Outras,
dizem que a prática do bem poderia livrar-lhes destes malefícios.
Destacamos
a seguir, um trecho da pergunta 549 de O Livro dos Espíritos, para demonstrar
que ali está a definição óbvia do que é a macumba.
Acreditamos
que essa questão, se examinada à luz da razão e da experimentação, poderá ser
resolvida de maneira lógica.
O
raciocínio e a experiência têm nos fornecido elementos seguros para afirmarmos
que a Magia Negra é um tipo de obsessão grave e que merece a atenção de todo
trabalhador espírita sincero.
Questão 549
- Há alguma coisa de verdadeiro nos pactos com os maus Espíritos?
Resposta -
Não, não há pactos, mas uma natureza má simpatiza com Espíritos maus. Por
exemplo: queres atormentar o teu vizinho e não sabes como fazê-lo; chamas então
os Espíritos inferiores que, como tu, só querem o mal; e para te ajudar querem
também que os sirva com seus maus desígnios. Mas disso não se segue que o teu
vizinho não possa se livrar deles, por uma conjuração contrária ou pela sua
própria vontade. Aquele que deseja cometer uma ação má, pelo simples fato de o
querer chama em seu auxílio os maus Espíritos, ficando obrigado a servi-los como
eles o auxiliam, pois eles também necessitam dele para o mal que desejam fazer.
É somente nisso que constitui o pacto.
No trecho
citado, o Espírito de Verdade demonstra de maneira muito clara que é possível
uma criatura evocar maus Espíritos para ajudá-la a causar mal a uma outra
pessoa. A resposta esclarece ainda, que este ato pode ser realizado por uma
seqüência de procedimentos conhecidos como conjuração(*).
Vai mais
longe dizendo que a pessoa atingida pelo malefício, poderá se livrar dele, por
uma vontade poderosa ou por uma conjuração contrária àquela que foi usada para
fazê-lo. Um desconjuro, que nos terreiros de Umbanda se chama:
desmanche.
Na questão
551, pergunta-se ao Espírito de Verdade, se alguém poderia fazer mal ao seu
próximo, com auxílio de um Espírito mau que lhe fosse devotado. A resposta do
Consolador é taxativa: Não, Deus não o permitiria. Aparentemente parece
encerrar a questão. Entretanto, continuando o estudo vemos que ainda temos
muito a aprender.
Recordando
as bases nas quais se assentam os argumentos a favor da Doutrina, lembramos da
conhecida citação de Moisés, em que ele proibia o contato com os mortos. Vozes
sábias afirmaram que o legislador hebreu somente proibiria algo que fosse
possível acontecer; depondo assim a favor da comunicabilidade dos
Espíritos.
As palavras
do Consolador em relação à possibilidade de alguém valer-se de um Espírito
inferior para fazer mal ao seu próximo é uma situação semelhante. Deus só não
permitiria, uma coisa que fosse possível acontecer, o que por si mesmo,
testifica a possibilidade da ocorrência do fenômeno obsessivo.
Continuemos:
quando o Espírito de Verdade responde que Deus não o permitiria, parece se
contradizer, pois há duas questões atrás, na 549, Ele disse que o conjuro é
possível, e até demonstra como é que uma vítima pode se livrar dele. Aqui, na
551 diz que Deus não o permitiria. Ora; se Deus não o permitiria não haveria
necessidade, nem razão, para Ele (O Espírito de Verdade), explicar lá atrás, as
formas de libertação do conjuro. Seria perda de tempo e o Espírito Consolador
não veio a isso. Certamente tem alguma coisa a mais no ensinamento que passou
despercebida. Procuremos!
Examinando
os textos das perguntas seguintes, vamos encontrar a resposta a nossas dúvidas.
Na questão 557, a Verdade explica: "Deus não ouve uma maldição injusta". Isso
quer dizer que permite uma maldição justa, ou seja, quando o indivíduo de alguma
forma, ou por alguma razão, mereça aquele mal.
No final do
mesmo texto o Espírito de Verdade deixa ainda mais claro: "A Providência e a
justiça Divina não ferem alguém que foi amaldiçoado, se a pessoa não for má". E
elucida ainda: "... a proteção Divina, não cobre aqueles que não o
mereçam".
Vejamos a
questão 557 na íntegra:
Pergunta: A
bênção e a maldição podem atrair o bem e o mal para aqueles a quem são
lançadas?
Resposta -
Deus não ouve uma maldição injusta, e aquele que a pronuncia é culpável aos seus
olhos. Como temos as tendências opostas do bem e do mal, pode nestes casos
haver uma influência momentânea, mesmo sobre a matéria; mas essa influência
nunca se verifica sem a permissão de Deus, como acréscimo de provas para aquele
que a sofre. De resto, mais freqüentemente se maldizem os maus e bendizem os
bons. A bênção e a maldição não podem jamais desviar a Providência da senda da
justiça: esta não fere o amaldiçoado se ele não for mau, e sua proteção não
cobre aquele que não a mereça.
Entende-se,
pois, que o Espírito de Verdade não entrou em contradição, como se poderia
pensar a princípio. O Livro dos Espíritos é que precisa ser estudado com mais
atenção. Não se pode entender uma questão analisando-a fora do contexto geral
do qual faz parte.
A macumba
ou conjuração é possível sim. Deus, porém, não permite que este tipo de
maldição caia sobre alguém que não a mereça. Eis a verdade!
O que é a
Magia? Nós espíritas sabemos que a magia, no sentido literal da palavra, não
existe. Segundo Allan Kardec, todos os fenômenos espirituais têm uma explicação
lógica. Mais uma vez, a Verdade nos traz luz na questão 552 de O Livro dos
Espíritos. Faz compreendermos que: "...algumas pessoas têm um poder magnético
muito grande, do qual podem fazer mau uso, se seu próprio Espírito for mau.
Nestes casos, poderão ser secundadas por maus Espíritos".
Mostra
ainda, que não se trata de magia sobrenatural, mas de efeitos decorrentes das
leis naturais, mal observadas e compreendidas.
Aliando o
conteúdo desta questão àquela primeira, a 549, temos a figura inegável do
feitiço e do feiticeiro.
Exercitemos
a razão: o que é o mal? Sabemos que é uma fase transitória do bem! Existe o
bem e o mal? Não, só existe o bem! Os Espíritos, quando em suas fases
primárias da evolução, passam pelo caminho da ignorância, constituindo
temporariamente o mal. É tudo uma questão de posicionamento de idéias. Quando
na ignorância, o Espírito obra o mal; quando no entendimento, o bem. As leis
que regem as ações, tanto numa área como na outra, são as mesmas. Isto equivale
dizer que, pelo menos teoricamente, tudo o que magneticamente se pode fazer no
campo do bem, pode-se também fazer no campo do mal.
Num
processo inverso ao que utilizamos nos centros espíritas, pessoas de mentalidade
doentia, cheias de maus pensamentos, dotadas de grande poder magnético, com más
intenções, secundadas por maus Espíritos, podem arremessar cargas fluídicas
negativas sobre aqueles a quem querem prejudicar.
A
mediunidade é uma faculdade, um instrumento, que pode ser usado de forma certa
ou errada, assim como tantos outros, onde as obras dependem do pensamento de
quem as maneja. A natureza do mundo astral é una. Suas leis são únicas e
servem tanto para reger a movimentação de fluidos e vibrações positivas como
negativas. Entre os fluidos bons e maus, só existe uma diferença: a natureza
das vibrações que o impregnam, alterando a disposição de suas moléculas
primitivas. Usando uma grosseira imagem: é como água limpa e água suja. Tudo o
que se pode fazer com uma, pode-se fazer com a outra.
Onde, pois,
o impedimento? Não vemos nenhum; ou seja, quase nenhum! O único impedimento
possível está nos aspectos morais que regem a vida, pois são eles que determinam
a afinidade e o merecimento - citados anteriormente - que facilitarão ou
dificultarão a recepção das vibrações e fluidos deletérios.
É evidente
que a ação da ignorância e a movimentação do mal é limitada e controlada pelo
Bem, a única realidade. Mas, a ignorância encontra largo acesso em nós, por
causa do atraso evolutivo em que ainda nos posicionamos, pelas próprias
disposições cármicas, e pelo próprio comportamento atual em face do livre
arbítrio.
Podemos
definir a macumba, como sendo uma forma de obsessão provocada. E, não se trata
de uma obsessão muito simples, nem fácil de se tratar como comumente se pensa.
Em alguns desses casos, podem estar envolvidos Espíritos habitantes do baixo
mundo astral, espertos e maliciosos, com os quais é difícil se lidar.
Nos
terreiros mais evoluídos de Umbanda, os trabalhadores e dirigentes possuem bom
entendimento neste campo. Identificam essas obsessões com habilidade, as
pessoas encarnadas envolvidas, e, não raro, curam definitivamente o
mal.
Pergunta-se:
E nós, kardecistas, como é que ficamos?! Temos que virar umbandistas? Temos
que usar os mesmos métodos daquele culto para realizarmos o "desconjuro"?! Não,
não é necessário. Um Centro Espírita sério, digno do nome de Allan Kardec, pode
identificar e tratar com precisão, os trabalhos inferiores. Em suas obras,
deixou todos os caminhos para se compreender os fenômenos mediúnicos e os
cuidados que devemos ter no trato com os Espíritos, inclusive os maus. Estudou
com profundidade essas situações.
Temos
portanto, apenas que dar a devida atenção a elas.
(*)LE-553a)
- Mas, não é exato que alguns Espíritos têm ditado, eles próprios, fórmulas
cabalísticas? "Efetivante,
Espíritos há que indicam sinais, palavras estranhas, ou prescrevem a prática de
atos, por meio dos quais se fazem os chamados conjuros. Mas, ficai certos de
que são Espíritos que de vós outros escarnecem e zombam da vossa
credulidade."
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