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Luciano
Ribeiro
Com a aproximação da Páscoa, seria
interessante falar um pouco sobre esta comemoração, e como é pertinente a
religiosidade cristã, se faz necessário alguns esclarecimentos, esperamos poder
contribuir com mais este estudo.
Na doutrina espírita, não há comemoração da Páscoa, pois para os espíritas, não
existiu ressurreição física, por ser "Cientificamente impossível”. O que
houve foi uma aparição do corpo espiritual que é algo natural. A vida de Jesus
é cheia de exemplos.
A origem da palavra Páscoa é judaica e significa, “Pessach”, passagem em
hebraico, dia em que se comemora a libertação do povo hebreu do cativeiro.
Está evidente, aí, a
referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma
festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido
da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à
“imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.
No que concerne à
ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a
possibilidade do reagrupamento da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem,
situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude da deterioração do
envoltório físico. Por outro lado, até hoje não
sabemos de nenhuma múmia que tivesse ressuscitado, já que esta crença veio dos
Egípcios. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos
Céus” em corpo e alma, e acontecerá o mesmo em relação a todos os “eleitos” no
chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos
corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão,
perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o
Cristo separará justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso,
base do pensamento espírita, abominam tal teoria, pela impossibilidade física e
pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um
critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os
Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de
novo”, é possível a todos progredirem.
Mas, como explicar,
então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos
religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para
as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões,
como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para
depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o
jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”,
podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido
ectoplásmico – de seres encarnados ou de elementos da natureza – para
possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Noutras situações, estamos
diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência,
quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.
Curioso é que até hoje não perceberam o erro na hora de fazer as contas,
segundo o credo cristão, Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia, mas como
se de sexta até domingo só se passaram dois?
O significado dos coelhos
O coelho, apesar de ser
um mamífero e, por conseguinte, não botar ovos, assumiu o papel de produtor e
entregador dos ovos de Páscoa. Isso devido à notória capacidade de reprodução
desses animais que se tornaram símbolo da fertilidade. Já o ovo, representa o
surgimento da vida e a origem do mundo. Daí sua relação com a ressurreição de
Cristo e a Páscoa.
A tradição dos ovos de chocolate
Mas foi com os Maias e
os Astecas que toda essa história começou.
O chocolate era considerado sagrado
por essas duas civilizações, tal qual o ouro, na Europa chegou por volta do
século XVI, tornando rapidamente popular aquela mistura de sementes de cacau
torradas e trituradas, depois juntada com água, mel e farinha. Vale lembrar que
o chocolate foi consumido, em grande parte de sua história, apenas como uma
bebida. Em meados do século XVI,
acreditava-se que, além de possuir poderes afrodisíacos, o chocolate dava poder
e vigor aos que o bebiam. Por isso, era reservado apenas aos governantes e
soldados. Aliás, além de afrodisíaco, o chocolate já foi considerado um pecado,
bem como usado como remédio, ora sagrado, ora alimento profano. Os astecas chegaram
a usá-lo como moeda, tal o valor que o alimento possuía. Chega o século XX, e
os bombons e os ovos de Páscoa são criados, como mais uma forma de estabelecer
de vez o consumo do chocolate no mundo inteiro.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto
aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o
imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição
experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa
luz”. Comemore, então, prezado leitor e prezada leitora, uma “outra” Páscoa. A
sua Páscoa, a da sua transformação, a reforma íntima, rumo a uma vida plena.
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