Paltalk :Jesus e a Doutrina dos Espíritos (25/02/08)
@ Zach
FALSAS EXPLICAÇÕES DOS FENÔMENOS
Alucinação –
Fluido magnético – Reflexo do pensamento – Superexcitação cerebral – Estado
sonambúlico dos médiuns.
Visitante – É
contra os fenômenos provocados que se exerce, sobretudo, a crítica. Coloquemos
de lado toda suposição de charlatanismo, e admitamos uma inteira boa-fé; não se
poderia pensar que eles próprios são joguetes de uma alucinação?
A.K. – Não é do
meu conhecimento que se tenha, ainda, explicado claramente o mecanismo da
alucinação. Tal como é entendida, é, todavia, um efeito muito singular e digno
de estudo. Como, pois, aqueles que, através dela, pretendem explicar os
fenômenos espíritas não podem explicitar sua explicação? Aliás, há fatos que
escapam a essa hipótese: quando uma mesa, ou um outro objeto, se move, se eleva
ou bate; quando ela passeia à vontade num quarto sem o contacto de alguém;
quando ela se desprende do solo e se sustém no espaço, sem ponto de apoio;
enfim, quando ela se quebra caindo, certamente isso não é uma alucinação.
Supondo-se que o médium, por um efeito de sua imaginação, creia ver o que não
existe, é provável que todo um grupo esteja
tomado da mesma vertigem? que se repita por todos os lados, em todos os países?
A alucinação, nesse caso, seria mais prodigiosa que o fato.
Visitante –
Admitindo-se a realidade do fenômeno das mesas girantes e batedoras, não é mais
racional atribuí-lo à ação de um fluido qualquer, o fluido magnético por
exemplo?
A.K. – Tal foi o
primeiro pensamento e eu o tive como tantos outros. Se os efeitos tivessem se
limitado aos efeitos materiais, ninguém duvida que poder-se-ia explicar assim.
Mas quando esses movimentos e golpes deram provas de inteligência, quando se
reconheceu que respondiam ao pensamento com inteira liberdade, tirou-se esta
conseqüência: se todo efeito tem causa, todo efeito inteligente tem uma causa
inteligente. É isso o efeito de um fluido, a menos que se diga que esse
fluido é inteligente? Quado vedes o manipulador do telégrafo fazer os sinais que
transmitem o pensamento, sabeis bem que não são esses braços de madeira ou de
ferro que são inteligentes, mas dizeis que uma inteligência os faz mover. Ocorre
o mesmo com a mesa. Há, sim ou não, efeitos inteligentes? Esta é a questão.
Aqueles que a contestam, são pessoas que não puderam ver tudo e se apressam em
concluir segundo suas próprias idéias e sobre uma observação
superficial.
Visitante – A isso
responde-se que se há um efeito inteligente ele não é outra coisa senão a
própria inteligência, seja do médium, seja do interrogante, seja dos
assistentes; porque, diz-se, a resposta está sempre no pensamento de
alguém.
A.K. – Isso é
ainda um erro, conseqüente de uma falsa observação. Se aqueles que assim pensam
tivessem se dado ao trabalho de estudar o fenômeno em todas as suas fases,
teriam, a cada passo, reconhecido a independência absoluta da inteligência que
se manifesta. Como essa tese poderia se conciliar com respostas que estão fora
da capacidade intelectual e de instrução do médium? que contradizem suas idéias,
seus desejos, suas
opiniões, ou que confundem completamente as previsões dos assistentes? de
médiuns que escrevem em um idioma que não conhecem, ou em seu próprio idioma,
quando eles não sabem nem ler nem escrever? Essa opinião, à primeira vista, não
tem nada de irracional, eu convenho, porém, ela é desmentida pelos fatos de tal
modo numerosos e concludentes, dos quais não é mais possível duvidar.
De resto,
admitindo-se mesmo essa teoria, o fenômeno, longe de ser simplificado, seria bem
mais prodigioso. Ora, o pensamento se refletiria sobre uma superfície como a
luz, o som e o calor? Na verdade, haveria nisso motivo para exercer a sagacidade
da ciência. Aliás, o que se adicionaria ainda ao maravilhoso, é que, sobre vinte
pessoas reunidas, seria precisamente o pensamento de tal ou tal que seria
refletido, e não o pensamento de tal outra. Um semelhante sistema é
insustentável. É verdadeiramente curioso ver os contraditores se esforçarem em
procurar causas cem vezes mais extraordinárias e difíceis de compreender do que
as que se lhes fornece.
Visitante – Não se
poderia admitir, segundo a opinião de alguns, que o médium está em um estado de
crise e goze de uma lucidez que lhe dá uma percepção sonambúlica, uma espécie de
dupla vista, o que explicaria a extensão momentânea das faculdades intelectuais?
Por que, diz-se, as comunicações obtidas pelo médium não ultrapassam a
importância daqueles que se obtêm pelos sonâmbulos?
A.K. – É isso,
ainda, um desses sistemas que não suporta um exame aprofundado. O médium não
está em crise, nem em sono, mas perfeitamente desperto, agindo e pensando como
todo o mundo, sem nada ter de extraordinário. Certos efeitos particulares
puderam dar lugar a esse equívoco. Mas, qualquer um que não se limite a julgar
as coisas por um único aspecto, reconhecerá, sem esforço, que o médium é dotado
de uma faculdade particular que não permite confundi-lo com o sonâmbulo, e a
completa independência do seu pensamento é provada por fatos da máxima
evidência. Abstração feita das comunicações escritas, qual é o sonâmbulo que fez
brotar um pensamento de um corpo inerte? que produziu aparições visíveis e mesmo
tangíveis? que pode manter um corpo pesado no espaço sem ponto de apoio? Foi por
um efeito sonambúlico que um médium desenhou, um dia, para mim, em presença de
vinte testemunhas, o retrato de uma jovem que morreu dezoito meses antes e que
jamais havia conhecido, retrato reconhecido pelo pai presente à sessão? É por um
efeito sonambúlico que uma mesa responde com precisão às questões propostas,
mesmo mentalmente? Seguramente, se se admite que o médium esteja em um estado
magnético, me parece difícil crer-se que a mesa seja sonâmbula.
Diz-se, ainda, que
os médiuns não falam claramente senão de coisas conhecidas. Como explicar o fato
seguinte e cem outros do mesmo gênero? Um de meus amigos, muito bom médium
escrevente, perguntou a um Espírito se uma pessoa, que ele havia perdido de
vista há quinze anos, estava ainda neste mundo. "Sim, ela vive ainda,
respondeu-lhe; ela mora em Paris, à rua tal, número tal." Ele vai e encontra a
pessoa no endereço indicado. É isso ilusão? Seu pensamento poderia tanto menos
sugerir-lhe essa resposta pois, em razão da idade da pessoa, havia toda
possibilidade de que ela não existisse mais. Se, em certos casos, viram-se
respostas concordarem com o pensamento, é racional concluir daí que isso seja
uma lei geral? Nisso, como em todas as coisas, os julgamentos precipitados são
sempre perigosos, porque podem estar enfraquecidos pela não observação dos
fatos.