Paltalk :Jesus e a Doutrina dos Espíritos (25/02/08)
@ Zach
OPOSIÇÃO DA CIÊNCIA
Visitante – Vós
dizeis que vos apoiais sobre fatos; mas se vos opõe a opinião dos sábios que os
contestam ou que os explicam de maneira diversa da vossa. Por que eles não
encamparam o fenômeno das mesas girantes? Se eles tivessem visto nelas alguma
coisa de sério, não teriam, me parece, negligenciado de fatos tão
extraordinários, e ainda menos de os repelir com desdém, ao passo que eles estão
todos contra vós. Os sábios não são o farol das nações e seu dever não é de
espalhar a luz? Por que quereríeis que eles a tivessem abafado, quando se lhes
apresentava uma tão bela ocasião de revelar ao mundo uma força nova?
A.K. – Acabais de
traçar o dever dos sábios de um modo admirável; pena que o tenham olvidado em
mais de uma circunstância. Mas antes de responder a esta judiciosa observação,
eu devo revelar um erro grave que vós haveis cometido, dizendo que todos os
sábios estão contra nós. Como já disse, é precisamente na classe esclarecida que
o Espiritismo faz mais prosélitos, e isso em todos os países do mundo. Eles se
contam, em grande número, entre os médicos de todas as nações,e são homens de
Ciência. Os magistrados, os professores, os artistas, os homens de letras, os
oficiais, os altos funcionários, os grandes dignitários, os eclesiásticos, etc.,
que se alinham sob sua bandeira, todos são pessoas às quais não se pode recusar
uma certa dose de luz. Não há sábios senão na ciência oficial e nos corpos
constituídos?
Do fato de o
Espiritismo não ter ainda direito de cidadania na ciência oficial é motivo para
condená-lo? Se a Ciência não tivesse jamais se enganado, aqui sua opinião
poderia pesar na balança; infelizmente, a experiência prova o contrário. Não
foram rejeitadas como quimeras uma multidão de descobertas que, mais tarde,
ilustraram a memória de seus autores? Não foi a um relatório de nosso primeiro
corpo de sábios que deve a França ter sido privada da iniciativa do vapor?
Quando Fulton veio ao campo de Bolonha apresentar seu sistema a Napoleão I, que
o recomendou ao exame imediato do Instituto, este não concluiu que esse sistema
era um sonho impraticável e não tinham tempo para com ele se ocupar? É
preciso concluir que os membros do Instituto são ignorantes? Isso justifica os
epítetos triviais, e de mau gosto, que certas pessoas se comprazem em lhes
prodigalizar? Seguramente que não; não há pessoa sensata que não renda justiça
ao seu eminente saber, embora reconhecendo que eles não são infalíveis e que,
assim, seu julgamento não é o de última instância, sobretudo em fatos de idéias
novas.
Visitante – Eu
admito perfeitamente que eles não são infalíveis; mas não é menos verdadeiro
que, em razão do seu saber, sua opinião tem algum valor, e se os tivésseis
convosco isso daria um grande peso ao vosso sistema.
A.K. – Vós admitis
também que cada um não é bom juiz senão naquilo que é da sua competência. Se
quereis construir uma casa, procurais um músico? Se estivésseis doente, vos
faríeis cuidar por um arquiteto? Se tivésseis um processo, procuraríeis a
opinião de umdançarino? Enfim,
se se trata de uma questão de teologia, a fareis resolver por um químico ou um
astrônomo? Não; cada um em seu trabalho. As ciências vulgares repousam sobre as
propriedades da matéria que se pode manipular à vontade, e os fenômenos que ela
produz têm por agentes as forças materiais. Os do Espiritismo têm por agentes
inteligências independentes, que têm seu livre arbítrio e não estão submetidas
aos nossos caprichos. Eles escapam, assim, aos nossos procedimentos de
laboratório e aos nossos cálculos e, desde então, não são mais da alçada da
Ciência propriamente dita.
A ciência, pois,
enganou-se quando quis experimentar os Espíritos como uma pilha voltaica; ela
fracassou, e assim deveria sê-lo porque usou uma analogia que não existe.
Depois, sem ir mais longe, ela concluiu pela negativa. Julgamento temerário que
o tempo se encarrega, todos os dias, de reformar, como reformou muitos outros, e
aqueles que o tiverem pronunciado, passarão pela vergonha de se inscreverem,
muito levianamente, por falsearem contra o poder infinito do Criador.
As corporações
científicas não têm, e não terão jamais, que se pronunciar sobre a questão; ela
não é mais da sua alçada que a de decretar se Deus existe, ou não. Portanto, é
um erro fazer delas juízes. O Espiritismo é uma questão de crença pessoal que
não pode depender do voto de uma assembléia, porque esse voto, mesmo favorável,
não pode forçar as convicções. Quando a opinião pública estiver formada a esse
respeito, os sábios, como indivíduos, a aceitarão, e suportarão a força das
coisas. Deixai passar uma geração e, com ela, os preconceitos do amor-próprio em
que se obstina, e vereis que ocorrerá com o Espiritismo como ocorreu com tantas
outras verdades antes combatidas, e que agora seria ridículo pô-las em dúvidas.
Hoje são aos crentes que se chama de loucos; amanhã serão todos os que não
creiam; da mesma forma como se chamou de loucos outrora, aqueles que criam que a
Terra girava.