Paltalk :Jesus e a Doutrina dos Espíritos(9:15h) 18/02/08
@Zach
O
MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL
Visitante – O
Espiritismo, evidentemente, tende a reviver as crenças fundadas sobre o
maravilhoso e o sobrenatural. Ora, no nosso século de positivismo, isso me
parece difícil, porque é recomendar superstições e erros populares já julgados
pela razão.
A.K. – Uma idéia
não é supersticiosa senão porque ela é falsa; ela cessa de sê-lo desde o momento
em que é reconhecida
verdadeira. A questão, pois, é saber se há, ou não, manifestações de Espíritos.
Ora, vós não podeis taxar a coisa de supersticiosa visto que não haveis
provado que ela não existe. Direis: minha razão as recusa; mas todos
aqueles que nelas crêem, e que não são tolos, invocam também sua razão, e mais,
invocam os fatos. Qual das duas razões deve prevalecer? O grande juiz, aqui, é o
futuro, como o foi em todas as questões científicas e industriais taxadas de
absurdas e impossíveis em sua origem. Vós julgais a priori segundo vossa
opinião. Nós não julgamos senão depois de ter visto e observado durante muito
tempo. Acrescentamos que o Espiritismo esclarecido, como o é hoje, tende, ao
contrário, a destruir as idéias supersticiosas porque ele mostra aquilo que há
de verdadeiro e de falso nas crenças populares, e tudo aquilo que a ignorância e
os preconceitos nela introduziram de absurdo.
Eu vou mais longe
e digo que é precisamente o positivismo do século que faz aceitar o Espiritismo
e a ele é que deve sua rápida propagação, e não, como alguns o pretendem, a uma
recrudescência do amor ao maravilhoso e ao sobrenatural. O sobrenatural
desaparece diante da luz da ciência, da filosofia e da razão, como os deuses do
paganismo desapareceram diante da luz do Cristianismo.
O sobrenatural é o
que está fora das leis da Natureza. O positivismo não admite nada fora dessas
leis; mas as conhece todas?
Em todos os tempos, os fenômenos cuja causa era
desconhecida foram reputados sobrenaturais; cada nova lei descoberta pela
Ciência recuou os limites do sobrenatural.
Pois bem! o Espiritismo vem revelar
uma lei segundo a qual a conversação com o Espírito de um morto repousa sobre
uma lei tão natural como aquela que permite à eletricidade estabelecer contacto
entre dois indivíduos a quinhentas léguas de distância; e assim todos os outros
fenômenos espíritas. O Espiritismo repudia, no que lhe concerne, todo efeito
maravilhoso, quer dizer, fora das leis da Natureza. Ele não faz nem milagres,
nem prodígios, mas explica, em
virtude de uma lei, certos efeitos reputados até hoje como milagres e prodígios,
e por isso mesmo demonstra sua possibilidade. Amplia assim o domínio da Ciência,
e é nisso que ele próprio é uma ciência. Mas a descoberta dessa nova lei,
ocasionando conseqüências morais, a codificação dessas conseqüências fez dele
uma doutrina filosófica.
Neste último ponto
de vista ele responde às aspirações do homem, no que diz respeito ao futuro,
sobre bases positivas e racionais e é por isso que ele convém ao Espírito
positivista do século. É o que vós compreendereis quando vos derdes ao trabalho
de estudá-lo. (O Livro dos Médiuns, cap. II - Revista Espírita,
dezembro de 1861, página 393, e janeiro de 1862, página 21 – Veja-se também,
adiante, o cap. II).