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@Maruka

Título: O Homem Durante a Vida na Terra

Autor: @Maruka & Cia

"O Que é O Espiritismo"

Ítem 127 e Seguintes

127 - Qual é a origem do sentimento chamado de consciência?

É uma lembrança intuitiva do progresso realizado nas precedentes

existências, e de resoluções tomadas pelo Espírito antes da encarnação,

resoluções que ele não tem sempre força de tomar como homem.

 

128 - O homem tem seu livre arbítrio ou está submetido à fatalidade?

Se a conduta do homem estivesse submetida à fatalidade, ele não teria

nem responsabilidade do mal, nem mérito do bem; desde então toda

punição seria injusta e toda recompensa sem sentido. O livre arbítrio do

homem é uma conseqüência da justiça de Deus, é o atributo que lhe dá

sua dignidade e o eleva acima de todas as outras criaturas. Isso é tão

verdadeiro que a estima dos homens, uns pelos outros, está em razão

do livre arbítrio; aquele que o perde acidentalmente, por doença,

loucura, embriaguez ou idiotia, é lamentado ou desprezado.

O materialismo, que faz depender do organismo todas as faculdades

morais e intelectuais, reduz o homem ao estado de máquina, sem livre

arbítrio, por conseqüência, sem responsabilidade do mal e sem o mérito

do bem que ele faz. (Revista Espírita, 1861, pág. 76: A cabeça de

Garibaldi - Idem, 1862, pág. 97: Frenologia espiritualista).

 

129 - Deus criou o mal?

Deus não criou o mal, mas estabeleceu leis e essas leis são sempre boas,

porque Ele é soberanamente bom; aquele que as observasse fielmente,

seria perfeitamente feliz; mas os Espíritos, tendo seu livre arbítrio, não

as observaram sempre, e o mal resultou-lhes pelas suas infrações a

essas leis.

 

130 - O homem nasce bom ou mal?

É preciso distinguir a alma e o homem. A alma é criada simples e

ignorante, quer dizer, nem boa nem má, mas suscetível, em virtude do

seu livre arbítrio, de tomar o caminho do bem ou o do mal, ou melhor

dizendo, de observar ou infringir as leis de Deus. O homem nasce bom

ou mau conforme seja a encarnação de um Espírito adiantado ou

atrasado.

 

131 - Qual a origem do bem e do mal sobre a Terra, e por que há mais

mal do que bem?

A origem do mal sobre a Terra resulta da imperfeição dos Espíritos que

aí estão encarnados. A predominância do mal decorre de que, sendo a

Terra um mundo inferior, a maioria dos Espíritos que a habitam são,

eles mesmos, inferiores, ou progrediram pouco. Nos mundos mais

avançados, onde não são admitidos a se encarnarem senão Espíritos

depurados, o mal é desconhecido, ou em minoria.

 

132 - Qual é a causa dos males que afligem a Humanidade?

A Terra pode ser considerada, ao mesmo tempo, como um mundo de

educação para os Espíritos pouco avançados, e de expiação para os

Espíritos culpados. Os males da Humanidade são a conseqüência da

inferioridade moral da maioria dos Espíritos encarnados. Pelo contato

dos seus vícios, eles se tornam reciprocamente infelizes e se punem uns

aos outros.

 

133 - Por que o mau freqüentemente prospera, enquanto que o homem

de bem é alvo de todas as aflições?

Para aquele que não vê senão a vida presente, e que a crê única, isso

deve parecer uma soberana injustiça. Não ocorre o mesmo quando se

considera a pluralidade das existências, e a brevidade de cada uma com

relação à eternidade. O estudo do Espiritismo prova que a prosperidade

do mau tem terríveis conseqüências nas existências seguintes; que as

aflições do homem de bem são, ao contrário, seguidas de uma felicidade

tanto maior e durável quanto ele as suportou com mais resignação; é

para ele como um dia infeliz em toda uma existência de prosperidade.

 

134 - Por que uns nascem na indigência e outros na opulência? Por que há pessoas que nascem cegas, surdas, mudas ou atacadas de enfermidades incuráveis, enquanto que outras têm todas as vantagens físicas? É isso efeito do acaso ou da Providência?

Se é efeito do acaso, não o é da Providência; se é efeito da Providência,

pergunta-se onde está sua bondade e sua justiça? Ora, é por não

compreenderem a causa desses males, que muitas pessoas são levadas

a acusá-la. Compreende-se que aquele que se torna miserável ou

enfermo por suas imprudências ou seus excessos, seja punido pelo que

pecou; mas se a alma é criada ao mesmo tempo que o corpo, que fez

ela para merecer semelhantes aflições, desde o seu nascimento, ou para

delas estar isenta? Se se admite a justiça de Deus, deve-se admitir que

esse efeito tem uma causa; se essa causa não está nesta vida, deve ser

de antes dela, porque em todas as coisas, a causa deve preceder o

efeito; por isso, é preciso, pois, que a alma tenha vivido e que tenha

merecido uma expiação. Os estudos espíritas nos mostram, com efeito,

que mais de um homem que nasceu na miséria, foi rico e considerado

em uma existência anterior, mas, fez mau uso da fortuna que Deus lhe

deu para gerir; que mais de um indivíduo, que nasceu na vileza, foi

orgulhoso e poderoso; nô-lo mostram, às vezes submetido às ordens

daquele mesmo ao qual comandou com dureza, sob os maus tratos e a

humilhação que fez os outros suportarem.

Uma vida penosa não é sempre uma expiação; freqüentemente, é uma

prova escolhida pelo Espírito, que vê um meio de se adiantar mais

rapidamente, se a suporta com coragem. A riqueza é também uma

prova, porém, mais perigosa que a da miséria, pelas tentações que dá e

os abusos que provoca; o exemplo daqueles que a viveram também

prova que é uma daquelas em que, freqüentemente, saem menos

vitoriosos.

A diferença de posições sociais seria a maior das injustiças, quando não

resulta da conduta atual, se ela não devesse ter uma compensação. É a

convicção que se adquire desta verdade pelo Espiritismo, que dá a força

para suportar as vicissitudes da vida e aceitar a sorte sem invejar a dos

outros.

 

135 - Por que há idiotas e cretinos?

A posição dos idiotas e dos cretinos seria a menos conciliável com a

justiça de Deus, na hipótese da unicidade da existência. Por miserável

que seja a condição na qual um homem nasceu, ele pode dela sair pela

inteligência e pelo trabalho; mas o idiota e o cretino são votados, desde

o nascimento até à morte, ao embrutecimento e ao desprezo; não há

para eles nenhuma compensação possível. Por que, pois, sua alma teria

sido criada idiota?

Os estudos espíritas, feitos sobre os cretinos e os idiotas, provam que

sua alma é tão inteligente quanto a dos outros homens; que essa

enfermidade é uma expiação infligida aos Espíritos por terem abusado

da sua inteligência, e que sofrem cruelmente em se sentirem

aprisionados nos laços que não podem quebrar, e no desprezo do qual

se vêem objeto, quando, talvez, tenham sido incensados na sua

existência precedente. (Revista Espírita, 1860, pág. 173: O Espírito de

um idiota - Idem, 1861, pág. 311: Os cretinos).

 

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