Terra Espiritual
 

'Discutindo a espiritualidade!'

Home

Espiritismo

Religiões

Sociedades Secretas

Links

Webmasters

 

www.terraespiritual.org

 

ESPIRITUALISMO

 

Agenda

 

Arte

 

Artigos  Budistas

 

Artigos Teosóficos

 

Artigos sobre Yoga

 

Krisnamurty

 

Audio

 

Ciência

 

Ecologia

 

Filosofia

 

Filmes

 

História

 

Lazer

 

Livros

 

Músicas  

 

Psicologia

 

Opinião

 

Televisão

 

Links

 

Zap

 
 
 
 
 
 
 

A ARTE DA LIDERANÇA

Carlos Cardoso Aveline

 

Os processos de liderança estão constantemente presentes na vida do ser humano e podem determinar transformações profundas dentro e fora de cada indivíduo.

 

Por Carlos Cardoso AvelineTony Savino/Sipa-Press

 

 

 

Liderar é abrir caminhos. Todos os fatos da vida são aconteci- mentos coletivos, e ninguém fica de fora dos processos de liderança. Os bandos de pássaros têm líderes. Os nômades têm líderes. Nas relações humanas, na família e no trabalho, é preciso tomar decisões e orientar a si mesmo e aos outros. Até mesmo dentro de nós, diferentes pensamentos e sentimentos lutam a cada momento para “abrir caminho” e predominar.

 

O tema da liderança, no entanto, é pouco discutido nos meios espiritualistas. Esse silêncio aparentemente cômodo gera, na verdade, dois problemas centrais. De um lado, um excesso de individualismo que nos leva a ignorar a importância das decisões e processos coletivos. Junto com essa omissão, existe a perigosa fantasia de que o caminho da sabedoria pode ser trilhado isoladamente. De outro lado, a falta de clareza sobre os processos de liderança e tomada de decisão facilita a vida dos mecanismos autoritários e abre espaço para líderes “carismáticos” que se comportam como iluminados, agem como se estivessem acima dos demais e não prestam conta do que fazem.

 

Esses dois erros se realimentam. Quanto mais rígidas forem as lideranças, mais haverá pessoas que desacreditam dos processos grupais, optando pelo isolamento. No outro extremo, a busca de uma independência excessiva por parte do indivíduo contribui para entregar os processos de decisão coletiva a dirigentes despreparados, autoritários ou que reúnem essas duas características.

 

Daí a necessidade de compreender e melhorar os processos de “orientação coletiva” da vida. Do ponto de vista sistêmico ou holístico, não existe nada isolado. Tudo faz parte de conjuntos dinâmicos e multidimensionais, sem fronteiras fixas. Cada indivíduo humano é um amplo sistema coletivo de pensamentos, emoções, tendências, inclinações, metas, métodos, medos e ambições. E há certas emoções e pensamentos que lideram a vida em nós. À medida que cresce em todos os sistemas vitais a consciência sobre os “processos de orientação e liderança”, tanto melhor. A vida busca assim com mais eficácia a sua meta natural, que é o aperfeiçoamento constante e ilimitado. Cada instância individual ou coletiva da vida passa a transformar, com maior eficiência, ignorância e sofrimento em sabedoria e paz interior.

 

 A percepção de que a liderança é tanto interna quanto externa constitui uma chave para a democracia e a harmonia nos processos coletivos. Só quem conhece e respeita seus próprios sentimentos pode respeitar os sentimentos dos outros; e só quem debate as coisas da vida consigo mesmo está preparado para debatê-las com os outros. A democracia não começa só na família. Começa em todas as dimensões da vida. A vida social é uma continuação por outros meios da vida psicológica e interior, e vice-versa. Os dilemas da sociedade brasileira atual retratam no mundo externo o que vai dentro de cada cidadão. O auto-exame coloca questões desafiadoras. Somos honestos com nossos próprios sentimentos, ou distorcemos a realidade? Desistindo de manipular e vendo as coisas como são, ajudamos a purificar a atmosfera mental coletiva.

 

A esta altura do alvorecer da era global, os grupos e instituições espiritualistas não devem mais omitir-se em relação aos processos de liderança, grandes articuladores do carma coletivo, isto é, do processo total de ações e reações que determina o rumo da evolução humana. Nosso destino depende inteiramente dos processos de tomada de decisão, e é alimentado a cada instante por ações físicas, emocionais e mentais, em grande e pequena escala. Essas ações precisam ser reformuladas para que surja – sem atrasos – a nova era de paz e solidariedade. Nessa transformação, novas formas de liderança são absolutamente necessárias. Mas as mudanças são profundas e não podem ocorrer sem lutas e resistências, dentro e fora de cada um de nós.

 

É verdade que os movimentos espiritualistas resgatam hoje tradições de sabedoria milenares. Isso não significa, porém, que eles devam ser politicamente retrógrados ou conservadores. Ao contrário: a sabedoria eterna vive no momento presente e se renova a cada instante. Ela necessita de ar puro, e funciona como um fogo questionador que ilumina a vida e queima as ilusões por onde passa. Mas, do ponto de vista da preguiça mental, é mais fácil imitar a forma externa do que perceber a essência da sabedoria. Em conseqüência disso, há um número considerável de candidatos a gurus e supostos iluminados disputando posições de liderança nos movimentos espiritualistas. Essa competição por poder e espaço causa boa dose de confusão. Além disso, freqüentemente há uma tendência de idealizar líderes, movimentos ou instituições. Quanto maior a idealização, mais dolorosa a decepção que virá depois. Isso pode e deve ser evitado desde o início, se houver eficácia e sentido prático. Quem não sobe a um pedestal não será derrubado. Quem não coloca ninguém na posição de ídolo não sofrerá grandes decepções. Uma coisa é certa: os sábios jamais se dedicam ao auto-elogio. A vaidade “espiritual” é exclusividade dos tolos. Um autêntico mestre de sabedoria escreveu, certa vez:

 

“O falatório acerca dos ‘mestres’ deve ser silencioso, mas firmemente eliminado. Que a devoção e o serviço sejam somente para aquele Supremo Espírito do qual cada um é uma parte. Nós trabalhamos anônima e silenciosamente...”(1)

 

Notas:

(1) Cartas dos Mestres de Sabedoria, compiladas por C. Jinarajadasa, Editora Teosófica, Brasília, pp. 106-107.

Mestres e LíderesFoto: Xandó Pereira

 

Irmã Dulce: lições de sabedoria transmitidas por suas ações no cotidiano.

 

 

Não é necessário, nem recomendável, adotar uma pose de mestre para transmitir sabedoria. Uma das melhores maneiras de ensinar é pelo exemplo. Além disso, não só os movimentos espiritualistas, mas todas as instâncias da vida coletiva – desde a creche e a universidade até a firma comercial e o grupo ambientalista – devem criar e manter atitudes sempre abertas ao questionamento, à mudança e ao livre exame dos paradoxos e contrastes da vida. Nem o êxito espiritual nem a realização pessoal são alcançados obedecendo mecanicamente a um líder carismático, um guru, uma ideologia ou à direção de uma instituição. Os movimentos da nova era e a espiritualidade do século 21 necessitam respirar o ar da liberdade intelectual e da independência pessoal, ao mesmo em tempo que redescobrem o potencial ilimitado da prática da ajuda mútua, da comunhão, da tolerância, da solidariedade.

 

Há, sem dúvida, líderes “carismáticos” que se colocam como objetos de admiração, e procuram rodear-se de “assessores” e “discípulos” incondi- cionais. Mas, ao ostentar de várias maneiras o seu suposto status espiritual, eles demonstram que estão agarrados à casca externa e sem vida da tradição de sabedoria. Reproduzem esquemas autoritários hoje desnecessários. Na falta do produto, vendem a embalagem e as aparências. Para a verdadeira espiritualidade, porém, uma das prioridades centrais é a independência e o espírito crítico de cada caminhante. Porque, se o progresso espiritual não é autônomo, é falso. A espiritualidade verdadeira se coloca a serviço de cada buscador, mas não se serve dele. Coloca-o no centro do aprendizado, e não na periferia do conhecimento. Ela reforça a soberania pessoal, e não a retira; transmite a verdade gratuita e incondicionalmente, e nunca vende status ou garantias ao buscador menos experiente.

 

Essa liberdade individual não provoca confusão coletiva, porque é compensada pela responsabilidade. Cada instância de cooperação e convivência entre seres humanos exige compromisso e rumos claros. Questionar tem hora. A existência de líderes e de funções administrativas com suas responsabilidades específicas é natural. Ordem e responsabilidade são indispensáveis em todos os níveis. Mas deve haver transparência e prestação de contas.

 

Além disso, a liderança sobre coisas concretas não pode ultrapassar o limite natural, nem suprimir a autonomia de cada um nas questões psicológicas e espirituais. O bom líder não alega que “os outros não estão preparados para saber certas coisas”, nem insinua que “dizer a verdade irá prejudicar a instituição”. A verdade nunca prejudica a espiritualidade, mesmo quando é demolidoramente dura, embora muitas vezes ela só possa ser absorvida de modo gradual. É a falta de verdade e transparência que mata os movimentos espiritualistas por dentro, deixando apenas uma bela aparência externa. Quando se começa a suprimir a verdade em qualquer processo coletivo – seja na vida emocional, profis-sional ou espiritual –, surgem aparentemente sem motivo, mas fortalecendo-se mutuamente, o rancor, a fofoca e a luta pelo poder.

 

Há uma relação direta entre fofoca e desconfiança. Mas ambas surgem da falta de transparência e de sinceridade. Você começa suprimindo a verdade com o objetivo de “preservar” a harmonia no casal, na família, no trabalho ou no grupo espiritualista. Pouco depois, sem motivo aparente, surgem a maledicência, a raiva e a luta pelo poder. Basta “apagar” uma verdade para que o mal-estar surja, mesmo que, inicialmente, ele seja subconsciente. Por isso todo líder deve evitar mentiras bem-intencionadas.

 

A função de um líder é fazer os outros crescerem em sabedoria e autoconfiança. Devo usar minha influência sobre minha namorada ou esposa, por exemplo, para fazer com que ela vença seus próprios desafios e se realize, sendo feliz, o que a tornará mais capaz de ser feliz na relação comigo. Tenho o direito de esperar dela uma atitude semelhante, em relação a mim. Essa expectativa recíproca deve ser colocada claramente como regra de jogo e como princípio a ser respeitado nas diferentes instâncias da vida. Todos são gurus e discípulos. Somos pais e filhos, alunos e professores uns dos outros. Saber desse fato, e colocá-lo como marco referencial da ação, é saudável porque é verdadeiro. Na sala de aula, o bom professor estimula nos alunos o hábito de pensar com autonomia. Ele tem suficiente confiança em si mesmo e na verdade para aceitar questionamentos e aprender com eles.

Liberdade e AçãoJuvenal Pereira

 

Vida a dois: influência recíproca para promover o crescimento do casal.

 

 

Um grupo saudável e aberto à verdade está livre de autoridades que policiam o pensamento das pessoas e, portanto, nele ninguém é rotulado como “rebelde”. Isso não significa que um membro do grupo pode fazer absolutamente o que quiser. A liberdade se dá dentro dos limites referenciais definidos pelo grupo. A permanência de um indivíduo se justifica enquanto houver uma razoável identidade de metas e de métodos. Nesse contexto, o pensamento deve ser livre, mas a ação, uma vez acertada de comum acordo, deve ser coordenada. Se eu não concordo com as metas e métodos de um movimento espiritualista, de uma empresa, ou de qualquer outro grupo humano, então devo seguir meu próprio caminho. Ficar e boicotear é sintoma de falta de respeito por mim mesmo e pelos outros. Afastar-me a tempo e com inteligência desperta admiração e respeito.

 

A questão da lealdade é sempre decisiva para os grupos e relacionamentos humanos. Christmas Humphreys, discutindo métodos de liderança no movimento teosófico(2), escreveu que, no caminho espiritual, não deve haver uma lealdade externa e mecânica à instituição ou ao líder. Toda lealdade, para ele, deve ser para consigo mesmo. Alguém só pode ser leal aos outros se, primeiro, for leal à sua própria consciência. Devemos ser leais para com todos no sentido de ser sinceros com eles, e não no sentido de fazer o que eles querem que façamos. Lealdade não é submissão, mas franqueza e transparência. Nosso único e supremo mestre só pode ser a voz da nossa própria consciência. É a ela que devemos obedecer. A submissão cega a autoridades externas é em geral um instrumento da preguiça e da acomodação, gerando sofrimento dobrado mais adiante.

 

A busca de poder pessoal também deve ser observada cuidadosamente, em nós e nos outros. Ela costuma disfarçar-se sob aparências nobres e altruístas, mas a nossa capacidade de observação deve ser maior que a nossa vontade de enganar a nós próprios. O poder que devemos buscar é criativo, solidário, altruísta, e não manipulador. Manipular os outros é grave sintoma de impotência interior. O bom líder não tem necessidade de dirigir o processo o tempo todo, mas usa sua força nos momentos críticos e nas questões fundamentais.

 

A necessidade de procedimentos éticos nos mecanismos de poder e liderança é um enigma que devemos decifrar. Somos todos líderes, porque tomamos decisões próprias e influenciamos decisões alheias. Mas como lideramos? Nossa atitude é sempre contagiosa: agindo com sinceridade, influenciamos poderosa e positivamente a todos com quem entramos em contato. Então, somos bons mestres e discípulos, aprendendo com a vida através do método científico-experimental da tentativa e do erro. Mas quando chegarmos ao auge da sabedoria talvez digamos a mesma frase famosa de Sócrates: “Só sei que nada sei.”

 

Porque teremos percebido que é possível ter acesso à sabedoria, mas é impossível ser “dono” de qualquer parte importante dela. Então seremos capazes de liderar silenciosamente, como fazem os sábios. Eles raramente dão ordens, mas preferem inspirar ações através das suas atitudes diante da vida. E escolheremos democraticamente nossos líderes entre os que comprovaram, ao longo do tempo, ter intenções puras e bom discernimento.

 

Notas:

(2) A Liderança e a Lealdade, de Christmas Humphreys, Loja Brasília da Sociedade Teosófica, 2000. Ver pp. 5-7.

 

O que há para se ler

Organização Espiritual Sem Exploração, de Rohit Mehta, Ação Teosófica, Brasília, 2000; A Liderança e a Lealdade, Christmas Humphreys, Loja Brasília da S. Teosófica, Brasília, 2000. Esses dois livretes podem ser obtidos gratuitamente escrevendo-se para “Ação Teosófica”, Caixa Postal 5.111, Ag. Brazlândia, Brasília, DF, 72701-970.

www.filosofiaesoterica.com

 

Desejando fazer seu comentário sobre os textos , escreva-nos para

TerraEspiritual@Yahoo Groups.com.br

 

Nedstat Basic - Free web site statistics
 

Pensamento

"Na nossa relação com a Terra, não somos meramente uma doença. Com nossa inteligência e nossa capacidade de comunicação, somos o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia foi vista do espaço e ganhou consciência de seu lugar no Universo. Devemos, portanto, ser o coração e a mente da Terra e não a sua doença. "

 James Lovelock

 

 Home   l   Espiritismo   l   Religiões   l   Sociedades Secretas   l   Links   l   Webmasters

Copyright 2003 Terra Espiritual. All Rights Reserved.