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07- Nem Tudo É Demônio
A mulher vem e, sem alarde, silenciosamente, toca no manto de Jesus, confiando
no que fazia. Acreditava no gesto mais do que na fala. Iria para casa sem toque
de caixa e quieta na sua fé. Jesus mesmo ensinaria que se deve orar em silêncio
e sem tocar trombetas (Mt 6,2). Sabia que o seu era um problema
físico. Não era nenhum demônio.
Jesus chamou a atenção para a fé dessa mulher e ressaltou-a. Não falou
nem mesmo em demônio da hemorragia que alguns pregadores ainda hoje falam
(Lc 8,43-48). Exaltou a mulher humilde que não se sentia digna, nem
sequer de proclamar um milagre. Pediu sem alarde, sem alarde recebeu. Na
passagem não se fala em demônios e Jesus não toca nem sequer no assunto.
Naquele tempo também se distinguia entre problemas físicos e problemas mentais e
atribuía-se ao demônio muito mais os problemas mentais. As enfermidades físicas
se dividiam entre aquelas que eram atribuídas ao demônio, de tão grave que era o
problema e outras, que se atribuía pura e simplesmente a uma disfunção, ou
vontade de Deus. Foi o caso do cego de nascença. A comunidade cristã primitiva
precisava a todo o momento distinguir entre o que era fruto do demônio e o que
era fruto de circunstâncias.
No caso do cego, num instante de catequese, os discípulos perguntaram a
Jesus se o homem nascera cego por causa de seus pecados ou do pecado dos seus
antepassados (Jo 9,2). Jesus disse que nem por causa dos antepassados,
nem por causa de pecado dele, nem por sina, nem por carma. Deus sabia porquê. O
cego também soube....Não se falou em demônio.
Não era fácil e continua não sendo, distinguir o que é e o que não é, embora
muitos resolvam o assunto na base do “ Deus me disser que é ".
Muitas igrejas, grupos e pregadores cristãos de hoje sofrem da mesma
tentação de imediatamente, superficialmente, estrepitosamente atribuírem a Deus
um milagre que não foi milagre; e ao demônio um fato que não vem do demônio.
Muitos fatos proclamados como milagres, não o eram. Muitos que se proclamam
videntes, não viram. Muitos que dizem dominar o demônio, não o dominam,
simplesmente porque não se trata de demônio. Nem tudo é anjo, nem tudo vem de
Deus, nem tudo é demônio, nem tudo vem do inferno. Que as igrejas fiquem
atentas!
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