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02- As Fronteiras do Casal
Homem e mulher não se casariam se
não achassem que vale a pena. E não tentariam a vida a dois se não sentissem
que é melhor casar do que viver só, especialmente depois que se
conheceram. Quando o sentimento é forte e bonito, qualquer sacrifício vale a
pena, inclusive o de ter que aceitar limites.
Limites e fronteiras são o que
mais acontecem num casamento: os limites dele, os dela e os dos
filhos. São esses limites que exigem demarcação de fronteiras como num
continente chamado amor, onde os países precisam determinar seus
territórios. Cada país permanece único com suas características muito
especiais, sua linguagem e seu jeito de ser. Ao mesmo tempo, precisam
formar acordos bilaterais e determinar até onde, quando e por quê. O
universo dele encontra o dela. Em muitos aspectos se fundem e em outros
jamais se fundirão. Ele precisa saber até onde pode ir, sem prejudicá-la, e
ela tem que saber até onde insistir e até onde aceitar.
Quando ele entra demais no terreno
dela e, sem licença, desrespeita as leis daquele universo feminino, e
vice-versa, tem que haver um passaporte chamado diálogo, carinho,
ternura. Ela não tem que ceder em tudo, nem ele. Ela não tem que pedir
desculpas o tempo todo, nem ele. Tem que haver perdão e ponto final sobre
aquele assunto. Deve haver um limite para tudo. Quem quer um casamento sem
proibição, sem fronteira nenhuma e sem limite algum, quer um relacionamento
histérico. Fazer o que se quer num casamento é o mesmo que não estar
casado, porque o casamento é a decisão de não mais fazer o que se quer e
sim o que se quer a dois. Toda a teimosia de não permitir ou não prestar
contas acaba em guerra de fronteiras. O Casamento é a junção de dois países
que decidiram formar uma federação. Cada qual permanece o país que é, mas
optam por caminhar juntos sob dois governos que se consultam
sempre. Permanecem soberanos, mas fazem tudo em comum. Algumas coisas
permanecem fora do contrato, porque a individualidade e a privacidade são
privilégios da pessoa. O marido sabe que há momentos que são só dela, e
ela sabe os momentos que são só dele.
Fronteiras e limites. Sem isso,
não há liberdade no casamento. Por incrível que pareça, é a demarcação dos
limites e das fronteiras que estabelece a liberdade do
casamento.
Muita gente se machuca por não
admitir nem aceitar limites. Como casar não é para anjos e sim para homens e
mulheres, então que aceitem os limites e façam bom uso deles. É questão de
demarcar. Nada mais bonito do que dois países formando uma só nação. Quem
consegiu garante que vale a pena. O resultado é uma família em que as
palavras pai, mãe, filho, filha, mano, mana são gostosas de
ouvir.
Ali, todo mundo é livre,
exatamente porque ninguém faz apenas o que quer, pois conhece e aceita a
fronteira do outro.
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