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DHAMMAPADA CAP 4 AO 6

 

 

Agradeçimentos ao Site Filosofia Esotérica

O DHAMMAPADA
 
Capítulo Quatro 
 
FLORES
 
 
1. Quem vencerá esta terra?  E quem vencerá a esfera de Yama,  o deus da morte?  E quem vencerá o mundo dos deuses felizes? E  quem escolherá os passos do Caminho da Lei, assim como um jardineiro seleciona as melhores flores?  (44)
 
2. O discípulo vencerá esta Terra. Também vencerá Yamaloka[1] .  E também a esfera dos deuses. O discípulo decide avançar pelo Caminho da Lei. Ele é o jardineiro hábil que seleciona as melhores flores. (45)
 
3. Sabendo que esse corpo é como espuma, sabendo que ele tem a substância de uma miragem, e quebrando as flechas floridas de Mara, o discípulo passa intocado pela morte. (46)
 
4. A morte carrega o ser humano cuja mente se dedica a colher as flores dos sentidos, assim como uma forte inundação carrega consigo uma aldeia adormecida. (47)
 
5. A morte domina o ser humano que está colhendo as flores do sentidos, antes mesmo que ele possa estar saciado em seu prazer. (48)
 
6. A abelha reúne mel sem alterar o aroma ou a cor  da flor.  Assim deve um homem silencioso (Muni) viver sua vida. (49)
 
7. Não é nem  nas ações indignas dos outros, nem nos pecados  que eles cometem,  por ação ou por omissão, que o ser humano deve prestar atenção ; mas sim nos seus próprios atos,  por ação ou por omissão. (50)
 
8. Assim como uma flor cheia de cor mas sem fragrância, assim são as belas palavras que não produzem frutos na ação. (51)
 
9. Mas,  como uma bela flor cheia de cor e fragrância, assim são as belas palavras cujos frutos são ações. (52)  
 
10. Muitos tipos de grinaldas podem ser feitos a partir de uma pilha de flores. Muitas boas ações podem ser reunidas por um mortal nesta vida.(53)
 
11. O perfume das flores não viaja contra o vento – seja ele de tagara ou mallika, ou mesmo da árvore de sândalo.  Mas a fragrância  dos bons se irradia mesmo contra o vento. A fragrância do ser humano bom permeia  todos os seus caminhos.  (54)
 
12. A fragrância da virtude é  insuperável mesmo entre os perfumes de sândalo, de lótus, de  tagara, de vassiki. (55)
 
13. Fraco é o perfume de  tagara ou sândalo. A fragrância do virtuoso alcança até as alturas dos deuses. (56)
 
14. Mara nunca encontra o caminho até aqueles que possuem real virtude, que são vigilantes, que estão livres devido a um perfeito conhecimento.  (57)
 
15-16. A partir de uma pilha de lixo na beira da estrada,   um lírio floresce, perfumado e agradável; a partir de uma massa de seres mortais e cegos, surge um discípulo do Verdadeiramente Sábio, brilhando com a glória incomparável da sua própria Sabedoria. (58-59)
 
 
 
 
Capítulo Cinco
 
 
O TOLO
 
 
1. Longa é a noite para quem não consegue dormir.  Longo é um yojana (distância de quinze quilômetros) para quem está cansado. Longo é o caminho do nascimento e da morte para o tolo que não conhece a verdadeira lei. (60)
 
2. Se  um caminhante não encontra alguém melhor que ele, ou igual a ele, que prossiga decididamente sozinho em sua jornada.  Não há companhia com tolos. (61)
 
3. O tolo se preocupa pensando: “Tenho filhos ; tenho riqueza.”  Nem ele próprio pertence a si mesmo. O que dizer dos filhos? O que dizer da riqueza?  (62)
 
4. O tolo que tem consciência da sua tolice é até certo ponto sábio ; mas um tolo que se considera sábio é realmente tolo. (63)
 
5. Mesmo relacionando-se com um homem sábio durante toda a sua vida, um tolo não vê a verdade, assim como uma colher não aprecia o gosto da sopa.  (64)
 
6. Relacionando-se com um homem sábio, uma pessoa  que está  habituada a pensar em pouco tempo percebe a verdade, assim como a língua aprecia o sabor da sopa.  (65) 
 
7. Os tolos  de escassa compreensão são os seus próprios inimigos ; eles fazem más ações  que produzem frutos amargos. (66)
 
8. Mal feita é aquela ação em relação à qual o arrependimento é necessário ; é com dor e lágrimas que o homem recebe as suas consequências. (67)
 
9. Bem feita é aquela ação em relação à qual nenhum arrependimento é necessário ; é com satisfação e felicidade que o homem recebe as suas consequências.  (68)
 
10. Enquanto uma má ação não dá frutos, o tolo pensa que ela é doce como o mel ; mas quando ela dá frutos, então o tolo enfrenta o solfrimento. (69)
 
11. Ainda que o tolo faça jejum, comendo mês após mês com a ponta de uma folha da grama kusa, ele não terá a décima sexta parte do valor daqueles que compreenderam a doutrina.  (70)
 
12. Como  leite tirado há pouco, uma má ação não estraga imediatamente. Ela consome o tolo aos poucos, como o fogo que avança oculto sob as cinzas. (71)
 
13. Seja qual for o conhecimento que o tolo adquire, ele não o usa de modo a tirar bom proveito.  Isso mancha  a parte luminosa do seu mérito passado e lança sua mente em confusão ao agir no presente. (72)
 
14-15. Que o tolo busque obter uma falsa reputação,  uma  posição de destaque entre os mendicantes [2], uma posição de comando nos conventos e a adoração do povo. “Que tantos os leigos como os monges  pensem que isto é feito por mim. Que eles sigam meus caprichos em relação ao que deve ser feito e ao que não deve ser feito.”  Esse é o desejo do tolo, e assim os seus desejos  e seu orgulho aumentam.   (73-74)
 
16. Há um caminho que leva aos ganhos no mundo ; e outro muito diferente que leva ao Nirvana.  Que o Bikkhu seguidor de Buddha, tendo aprendido isso, nunca busque o elogio do mundo mas se esforce por alcançar a sabedoria.  (75)
 
 
 
Capítulo  Seis 
 
O SÁBIO
 
1-2.  Se você vê alguém que detecta erros e condena o que merece ser condenado, siga esse  sábio.  Valorize-o como alguém que revela tesouros ocultos. Ele será amado pelos bons,  e será odiado pelos maus.   Deixe que tal pessoa faça alertas e repreensões, que dê instruções e proíba o que é impróprio.  (76-77)
 
3. Não seja amigo de quem pratica o mal,  ou de pessoas mesquinhas.  Seja amigo dos bons ; busque a companhia do melhor. (78)
 
4. Aquele que bebe do Dharma com uma mente serena vive com felicidade.  O sábio encontra prazer no Dharma ensinado pelos  Seres Nobres.  (79)
 
5. Quem faz  canais de irrigação conduz as águas.  Os flecheiros dão forma às flechas. Os carpinteiros dão forma à madeira. Os sábios disciplinam a si mesmos. (80)
 
6. A rocha sólida não se abala por causa de um vento forte. O sábio não se abala  por causa de elogios ou acusações. (81)
 
7. Depois de ouvir o Dharma,  o sábio fica tranquilo como um lago profundo que é claro e calmo. (82)
 
8. As pessoas boas  avançam aconteça o que acontecer. Elas não conversam à  toa, nem buscam prazeres. Os sábios não se exaltam na felicidade, nem ficam deprimidos quando enfentam o sofrimento. (83)
 
9. O sábio não ambiciona filhos, riquezas ou posição social, nem para si mesmo nem para os outros. (84)
 
10-11. Só uns poucos alcançam a outra margem da corrente.   Na maior parte dos casos, as pessoas completam seus ciclos nesse lado.  No entanto, aqueles que prestam atenção à Lei e vivem à altura dos  preceitos atravessam a corrente e chegam à outra margem.  Atravessar o domínio de Mara é realmente difícil. (85-86)
 
12-13. Que o ser humano valorize o que é difícil de amar ; que ele deixe de lado o estado de leigo e passe à situação de quem não tem lar.  Que o sábio abandone a escuridão e siga a luz no caminho.  Deixando para trás todos os prazeres dos sentidos, não tendo mais nada que chame de seu, que o sábio se liberte de todas  as impurezas em seu coração e então alcance o contentamento.  (87-88)
 
14.  Aqueles cujos desejos foram vencidos, cujas mentes estão bem estabelecidas nos elementos da iluminação, e que não se  apegam a nada  mas encontram prazer na liberdade do desapego, conquistam a bênção do Nirvana enquanto estão no mundo.  (89)
 
 
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[ Final do Capítulo Seis. Veja outros capítulos do Dhammapada nesta mesma seção do website. ]
 
 
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[1] Yamaloka, o local ou a esfera da morte.  (NT)
 
[2] Mendicantes: monges.  (NT)

 

 

 

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