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DHAMMAPADA CAP 1 AO 3

 

Agradeçimentos ao Site Filosofia Esotérica

Nota Introdutória.
 
A palavra “Dhammapada” significa, literalmente, “O Caminho da Lei”.  Mas a palavra páli “Dhamma”, que corresponde à palavra sânscrita “Dharma”,  significa tanto “lei” como “verdade”, “dever”,   “virtude interior” ou “característica essencial de um ser”. 
 
Há diversas versões do “Dhammapada” em inglês e português.  Não existe diferença essencial alguma entre elas, mas apenas de ênfase e de clareza.[1] 
 
Adotamos a versão  preparada pela Loja Unida de Teosofistas e publicada originalmente pela “Theosophy Company”, de Los Angeles.  É a única edição que oferece o ponto de vista da filosofia esotérica sobre essa obra clássica do budismo. 
 
As notas do tradutor brasileiro estão marcadas com  “NT” ao final. Esta tradução está em progresso, e novos capítulos são agregados regularmente a ela.
 
Brasília, Janeiro de 2007.
 
 
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O DHAMMAPADA
 
Capítulo Um
 
OS VERSOS GÊMEOS
 
Tudo o que nós somos é resultado do que nós pensamos no passado: tudo o que nós somos se baseia em nossos pensamentos e é formado por nossos pensamentos.  Se alguém fala ou age com um mau pensamento, o sofrimento o acompanha assim como a carreta segue os passos do boi que a puxa. (1)
 
Tudo o que nós somos é resultado do que nós pensamos no passado:  tudo o que nós somos se baseia em nossos pensamentos e é formado por nossos pensamentos. Se alguém fala ou age com pensamento puro, a felicidade o acompanha assim como sua própria sombra nunca se afasta dele. (2)
 
‘Ele me desrespeitou, ele me bateu e dominou, e então me roubou’ –  quem expressa tais pensamentos amarra sua mente à intenção de retaliar. Em tais pessoas o ódio não cessa. (3)
 
‘Ele me desrespeitou, ele me bateu e dominou, e então me roubou’ –  em quem não expressa tais pensamentos, o ódio cessará. (4)
 
Nesse  mundo a inimizade nunca é eliminada pelo ódio; a inimizade é eliminada pelo amor. Essa é a Lei Eterna. (5)
 
Os muitos que não sabem disso também esquecem que um dia, nesse mundo,  morreremos. Eles não se controlam. Mas aqueles que conhecem a Lei encerram seus conflitos em seguida. (6)
 
Quem vive em busca de prazeres, com seus sentidos descontrolados, sem moderação ao comer, indolente, desvitalizado  – a ele verdadeiramente Mara[2] derruba  assim como uma tempestade derruba uma árvore. (7)
 
Quem vive disciplinando a si mesmo, sem dar atenção a prazeres, com seus sentidos controlados, moderado ao comer, cheio de fé e coragem (Virya) – a ele verdadeiramente Mara não derruba,  assim como uma tempestade não derruba uma montanha rochosa. (8)
 
Quem não  está livre de vícios,  quem não observa a moderação e a veracidade, pode vestir o manto amarelo,  mas não o merece. (9)
 
Quem libertou-se dos vícios e está bem estabelecido nas virtudes,  quem observa a moderação e a veracidade, realmente merece o manto amarelo. (10)
 
Aqueles que vivem no mundo de prazeres da fantasia enxergam verdade no que é irreal e inverdade no que é real. Eles nunca chegam à verdade. (11)
 
Aqueles que se estabelecem no mundo do pensamento correto enxergam verdade no que é real e inverdade no que é irreal.  Eles chegam à verdade.  (12)
 
A chuva flui para dentro de uma casa com telhado mal contruído, assim como os desejos fluem para dentro de uma mente mal treinada.  (13)
 
A chuva não molha uma casa com telhado bem construído, assim como os desejos não entram na mente disciplinada. (14)
 
Quem faz o mal sofre neste mundo e sofre no mundo seguinte; ele padece nos dois. Aflito, ele se inquieta  ao rever os seus atos pecaminosos.  (15)
 
Quem é virtuoso tem contentamento nesse mundo e tem alegria no mundo seguinte; ele se alegra nos dois. Ele tem satisfação e contentamento ao rever seus atos puros.  (16)
 
Quem faz o mal se lamenta aqui, e se lamenta depois daqui.  “Fiz o mal”, ele diz a si mesmo.  Seu tormento é maior quando está no lugar do mal.  (17)
 
O ser humano correto é feliz aqui, e é feliz depois daqui. “Fiz o bem”, ele diz a si mesmo.  É grande o  seu prazer no lugar abençoado. (18)
 
Quem cita os textos sagrados mas é preguiçoso e não os aplica na vida é como um homem do campo que conta as  vacas alheias.  Ele não partilha as bênçãos da Boa Vida.   (19)
 
Quem abandona a luxúria, o ódio e a loucura  adquire verdadeiro conhecimento e uma mente serena, não tem cobiça  nesse mundo nem em qualquer outro,  aplica em si mesmo os ensinamentos dos textos Sagrados que recita, mesmo que sejam poucos em número – tal pessoa participa das bênçãos da Boa Vida. (20)
 
 
 
Capítulo Dois
 
A ATENÇÃO
 
1. A atenção é o caminho para a Vida Eterna.  A  desatenção é o caminho  para a morte. Quem é atento e  reflexivo não morre.  O desatento já está morto. (21)
 
2. Os sábios entendem isso claramente.  Como consequência,  eles têm prazer na atenta vigilância.  Eles  percorrem o caminho dos Árias[3], os Nobres. (22)
 
3. Meditativos, perseverantes, sempre intensos em seus esforços, aqueles que são tranquilos alcançam o Nirvana, a mais alta libertação e felicidade. (23)
 
4. Cresce continuamente a glória de quem é atento e concentrado, daquele cujas ações são puras, cujos atos são conscientes,  daquele que é auto-controlado e que vive de acordo com a Lei.  (24)
 
5. Através do esforço, da atenção, da disciplina e do auto-controle,  o sábio constrói para si mesmo uma ilha que nenhuma inundação pode dominar.  (25)
 
6. As pessoas tolas e desatentas dedicam-se à preguiça. Os sábios consideram a atenção como seu tesouro mais precioso.  (26)
 
7. Não seja um preguiçoso.  Não brinque com a luxúria e o prazer dos sentidos. Aquele que medita com seriedade alcança grande contentamento. (27)
 
8. Quando um  homem prudente vence a indolência através da atenção, ele chega ao terraço superior da sabedoria. Livre de sofrimento, ele observa a multidão que sofre. Esse ser humano sábio olha para os tolos como um alpinista situado no alto cume de uma montanha olha para aqueles que moram na planície. (28)
 
9. Vigilante entre os desatentos, desperto entre os adormecidos, o sábio abre caminho como um  cavalo de guerra se distancia de um cavalo fraco. (29)
 
10. Foi pela sua atenção que o Deus Indra passou a ser o chefe dos deuses.  A vigilância é sempre elogiada, e a desatenção é sempre desaprovada. (30)
 
11. Um Bhikkhu [Discípulo] que tem prazer na  atenção, e que vê o perigo da desatenção, avança sobre os obstáculos como o fogo,  e destrói os grilhões, sejam grandes ou pequenos. (31)
 
12. Um Bhikkhu [Discípulo] que tem prazer na atenção, e que vê o perigo da desatenção, não cairá: ele está perto do Nirvana. (32) 
 
 
 
Capítulo Três
 
A MENTE
 
1. Do mesmo modo como o produtor de  flechas torna sua flecha reta, o sábio torna reto o seu pensamento  distorcido.  O pensamento é difícil de vigiar. É difícil de controlar. (33)
 
2. Como um peixe arrancado do seu ambiente aquático e  atirado no sólo, a mente treme e salta ao deixar o  reino de Mara. (34)
 
3. O pensamento é difícil de disciplinar. A mente  é inconstante, e toma as cores daquilo em que pensa. Bom é dominá-la. A mente dominada  produz felicidade.  (35) 
 
4. O sábio deve observar seu pensamento.  A mente se move com extrema sutileza  e não é notada. Ela se apega a tudo o que deseja. Observar a mente leva à felicidade. (36)
 
5. Quem controla sua mente escapa da dominação de Mara.  A mente é incorpórea, se movimenta sozinha, viaja rápido e descansa na caverna do coração. (37)
 
6. A sabedoria não preenche a mente instável do ser humano cuja serenidade se perturba; ele não conhece o verdadeiro  ensinamento. (38)
 
7. Não há medo para aquele cuja mente não está queimando com desejos e que, tendo-se erguido acima de apegos e rejeições, é sereno. Ele está desperto. (39)
 
8. Considerando que seu corpo é frágil como um pote de barro, e valorizando sua mente como uma firme fortaleza, o ser humano deve combater Mara com a espada da Sabedoria.  Ele deve preservar o que já alcançou, mas deve prosseguir na luta.  (40)
 
9. Lamentavelmente, antes que passe muito tempo este corpo estará imóvel na terra, deixado de lado, sem consciência e inútil como madeira queimada. (41)
 
10. Seja o que for que um inimigo faça contra outro inimigo, e seja o que for que alguém com ódio faça contra outra pessoa com ódio,  uma mente mal dirigida causará um prejuízo muito maior. (42)
 
11. Nem uma mãe, nem um pai, nem outro familiar qualquer podem fazer muita coisa; uma mente bem dirigida nos presta serviços muito maiores. (43)
 
 
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[ Final do Capítulo Três. Veja outros capítulos do Dhammapada nesta mesma seção do website. ]
 
 
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[1] Entre elas:  1) “Dhammapada”, Pali Text in Devanagari With English Translation,  Dr. C. Kunhan Raja,  Theosophical Publishing  House, Adyar, Madras (Chennai), India, 1984, 124 pp.   2) “The Dhammapada, The Path of Perfection”, translated from the pali with an introduction by Juan Mascaró,  Penguin Books, London, 1973, 94 pp. ;  3)  “The Dhammapada”,  edited and introduced by Anne Bancroft, ELEMENT, Rockport, Massachusetts,   USA, 1997, 106 pp.; 4)  “Dhammapada, a senda  da virtude”,  tradução do original páli de Nissin Cohen, Palas Athena, SP, ano 2000, 334 pp.; e 5) A edição que adotamos para essa tradução: “The Dhammapada, With Explanatory Notes and a Short Essay on Buddha’s Thought”, The Theosophy Company, Los Angeles, EUA, 140 pp.
 
[2] Mara:  sânscrito; o  deus da tentação, que tentou desviar Buda do seu caminho. (NT)
 
[3] Árias: Referência aos sábios da Índia antiga. Os Árias foram um povo pioneiro da região, e diz a tradição que tinham um acesso primordial à sabedoria eterna. A palavra “nobre”, nesse contexto, não se refere a uma casta social, mas indica aqueles que têm um coração nobre e, por isso, possuem sabedoria. (NT)

 

 

 

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