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12-A SABEDORIA DA AUSÊNCIA DE EGO
INTRODUÇÃO AO BUDISMO Uma visão da doutrina budista através
dos textos Este é um trabalho de seleção e ordenação de textos de
vários autores e mestres budistas por Karma Tenpa
Darghye.
(...) "Imagine uma pessoa que subitamente acorda num hospital
depois de sofrer um acidente de carro na estrada, e percebe que está com amnésia
total. Por fora, tudo está intacto: ela tem o mesmo rosto, a mesma forma, os
sentidos e a mente estão lá, mas não tem a menor idéia ou o menor vestígio de
memória de quem é. Exatamente do mesmo modo, não conseguimos nos lembrar da
nossa verdadeira identidade, nossa natureza original. Freneticamente e na
realidade apavorados, procuramos e improvisamos outra identidade, uma em que
possamos nos agarrar com todo o desespero de alguém que vai cair num abismo.
Essa identidade falsa e assumida em ignorância é o ego".
Desse modo, o ego é a ausência do conhecimento verdadeiro de
quem somos, juntamente com o seu resultado: um malfadado apego, mantido a não
importa que preço, a uma imagem remendada e improvisada de nós mesmos, um eu
inevitavelmente charlatanesco e camaleônico que está sempre mudando e que
precisa mudar para manter viva a ficção da sua existência. Em tibetano, o ego é
chamado dak dzín, que quer dizer "agarrado a um eu". O ego é assim
definido como um movimento incessante de agarrar-se em uma noção ilusória de
‘eu’ e ‘meu’, desse mesmo e do outro, e em todos os conceitos, idéias, desejos e
atividades que sustentam essa falsa construção.
Esse agarrar-se é fútil desde o início e condenado à
frustração. Uma vez que não tem nenhuma base ou verdade, e aquilo a que nos
agarramos é, por sua própria natureza, impossível de reter. O fato de que
precisamos nos agarrar a continuar agarrados a alguma coisa mostra que nas
profundezas de nosso ser sabemos que o eu não existe inerentemente. Desse
conhecimento secreto e assustador nascem todas as nossas inseguranças
fundamentais e o nosso medo. [...]
E ainda que possamos ver além das mentiras do ego, estamos
assustados demais para abandona-lo; porque sem um verdadeiro conhecimento da
natureza da nossa mente, ou real identidade, simplesmente não temos outra
alternativa".
O LIVRO TIBETANO DO VIVER E DO MORRER – Sogyal Rinpoche

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